Normalidade Incomum (12)

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Meus olhos estavam completamente fechados, porém estava acordado por horas. A PPG estava mais silenciosa do que o normal, pois todos estavam vivendo em seus sonhos. Nenhum sinal de vida. Nenhum barulho. Até parecia que estava em pleno apocalipse zumbi. O silêncio ensurdecedor deixava a mente relaxada para aderir aos pensamentos. No meu caso, para tentar cair no sono que insistia em se esconder na parte inconsciente da minha mente.

Max estava, como sempre, roncando abafadamente debaixo da minha cama. Um som baixo, porém grave, que se estendia por todo o quarto. Provavelmente, o som se estendia por todo o corredor do local das celas, nem mesmo sendo impedido pela porta que nos prendia dentro daquele quarto. Infelizmente, eu não tinha fita adesiva para tapar a boca dele.

Deixa para a próxima- este foi o pensamento que me tirou uma rápida e baixa risada para não acordá-lo. Já fiz isso uma vez e quase não acabara bem. Max quase voou em minha garganta por ter interrompido seu sonho extremamente perfeito e realístico sobre sua tal paixão secreta da PPG. Não adiantava em nada perguntar sobre, pois mesmo sonolento, sua mente permanecia ativa com o momento. Talvez Selina soubesse a resposta.

- Selina... -minha voz soa rouca por estar me esforçando o máximo possível para falar em um tom baixo. Não tinha falado com ela por algum tempo, não a vi mais depois de uns dois ou três dias atrás, mas provavelmente ela estava se divertindo com seus outros amigos.

- Não... não quero comer mais essa gororóba...-o murmuro de Max invade minhas orelhas. -Isso é nojento...-ele falava enquanto dormia. Já aconteceu duas vezes de eu ouvir ele falar algo enquanto estava dormindo, mas nunca dei tanta importância pois nesses momentos estava banhado em sono.

Um outro barulho me deixa com a atenção alarmada. Um som como das rodinhas daqueles carrinhos de limpeza dos quais se encontravam em escolas ou em algumas lojas. O som era baixo, eu estava me esforçando o máximo para ouvir, o momento breve de silêncio do corredor ajudava na audição. O somo ficava cada vez mais próximo, mesmo dando algumas pausas de um intervalo de nem dois minutos completos. Talvez seja coisa da minha cabeça, talvez o sono do qual não estava sentindo acabara de chegar e eu acabaria caindo nas profundezas do meu subconsciente. O som parecia mais próximo da minha cela do que antes. Semicerro os meus olhos e começo a fingir que estou dormindo, para não chamar a atenção. Minha visão assim ficava complicada, mas é melhor assim do que ser surpreendido por algo ruim.

Alguém, vestindo uma roupa branca e empurrando um carrinho estava parando na nossa cela. O carrinho era daqueles que ficavam no vestiário dos meninos de uma escola, daqueles que são usados para colocarem a roupa suja dos jogadores, os famosos e galãs da turma que praticavam algum esporte. A imagem da pessoa estava completamente borrada, sem nenhum rosto. Apenas um vulto em vão no ar pegando as roupas usadas. Tentei me ajeitar melhor na cama, mas parei imediatamente assim que percebi que a pessoa virou seu rosto para a porta da minha cela. Óbvio que meu coração começou a disparar aceleradamente, mas consegui ficar imóvel a ponto de parecer que estava adormecido. Não pude ver mais nada depois disso, pois com o nervosismo acabei fechando os olhos para disfarçar melhor. Só abri depois que o som das rodinhas do carrinho voltaram a percorrer seu caminho para longe daqui.

Respiro profundamente relaxado, sem aquela preocupação de que alguém me veria acordado a essa hora, aliás, isso é uma prisão, certo? Se aquela figura fosse um guarda, ele provavelmente me mandaria voltar a dormir. Além de não gostar de receber ordens, não queria que ele acordasse os outros por minha causa. O ódio gratuito já era o bastante pelo fato de ter me saído bem em minha primeira luta, o que outros, provavelmente, não teriam a mesma sorte.

Não havia ocorrido nenhuma luta, ou como a Selina chama, "atividade em campo". A rotina estava light. Sem nenhuma ação. Não que eu ache chato que não estava ocorrendo mortes em brigas, só estava achando que algo não estava ocorrendo do jeito certo. A mesma sensação de quase todos os dias, pra ser exato.

Sim. Este momento de paz, sussego e silêncio era ideal para refletir sobre as coisas, colocar os pensamentos em dia. Era o que eu precisava. O barulho dos outros mutantes atrapalhava um pouco na concentração quando todos estavam acordados e eufóricos pelo almoço, que não havia motivo para estar lá já que a comida é... bem, não é comida, com exceção de ser o momento em que todos poderiam ficar juntos, amigos perto de amigos.

- Ai ai... -respiro profundamente enquanto deito de lado e abraço o meu travesseiro. Já estava começando a sentir o sono chegando. Meus olhos começaram a fechar lentamente, no automático. Já estava começando a me acostumar com a rotina, por mais dura que seja, esta era a minha nova vida.

*

Voltei! Sim, capítulo pequeno, mas tudo bem. A história só acabou de começar ;) Senti muita saudade de escrever TG, principalmente de vocês ♥ Uma pergunta: vocês gostariam de ter um nome? Tipo aqueles nomes de fandom e tal. Se sim, é só falar nos comentários e dar a opinião de cada um. E não se esqueçam de votar ;)

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