Veneno Alucinógeno (4)

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Eu estava comendo com o espírito isolado de todos. Minha atenção estava voltada a comida e não a conversa que acontecia em minha volta. Max e Selina estavam conversando e rindo do que falavam ao meu lado. Eles julgavam cada pessoa que passava por nós. Tenho que admitir, aquilo era bem engraçado.

- O poder de super-velocidade não combinaria com ele. - falou Selina com o queixo apoiado na mão.

- Muitas pessoas estão falando isso de mim, acredite. -falo ainda comendo.

- Mas enfim, Clark. Qual é o seu misterioso e poderoso poder? - seu tom de voz era irônico.

- Selina! Deixa o garoto comer em paz. O poder dele não é nada impressionante. É comum. Igual aos outros. -Max fala desesperadamente como se não quisesse que Selina descobrisse qual era o meu poder.

Depois disso eu notei que todas as vezes, até agora, que o assunto era o meu poder, Max agia de um modo estranho. Parecia que aquilo era um segredo entre eu e ele.

- Nossa! Eu só queria saber. Vou até deixar vocês sozinhos. -ela falava enquanto se levantava com sua bandeja e se dirigia até um balcão com o resto das bandejas utilizadas pelas outras pessoas.

- Por que não contou a ela? -falo limpando a boca.

- Porque não. Seu poder é algo comum, Clark. Não se sinta superior por ter sobrevivido a sua primeira luta ou algo do tipo. -ele riu debochando de minha cara. Será que ele achava que eu era um trouxa? Estava muito óbvio que ele estava mentindo.

- Hum... então. O que acontece agora?

- Bem, agora nós ficamos aqui por alguns instantes até que eles decidam se irá ou não ocorrer uma luta.

- Vocês não sabem quando ocorre uma luta? Tipo... acontece do nada?

- Exatamente, meu jovem aprendiz. Lembra daquele gás em nosso quarto?

- Que horrível.

- Clark, tudo aqui é horrível. O fato de matar as pessoas para sobreviver é algo marcante na vida de cada um. Machuca e deixa hematomas dos ocorridos. É algo que nunca será apagado da lembrança. - ele diz olhando fixamente para a mesa.

- Por que diz isso? - indago com medo da resposta.

- Porque eu sei como é isso. Sei como é sobreviver à aquela arena. Sei como é matar uma pessoa que era importante pra mim e vê-la sangrando em meu colo enquanto aqueles míseros humanos aplaudiam. - seu tom de voz era de raiva, como se ele quisesse uma vingança por isso. - Mas não quero falar sobre isso agora. Que tal outro dia? Ótimo neh! Então está marcado. Você vai continuar ai? Eu vou conversar com os outros.

- Não, tudo bem. Pode ir. -sorrio levemente e me viro enquanto ele pegava minha bandeja para levar junto a dele. Todas aquelas pessoas conversando com uma expressão feliz e animada em seus rostos era incrível. Como se não soubessem do que aconteceria se fossem escolhidos para uma luta.

Quando olhei para frente, percebi que uma menina estava me olhando. A mesma que estava me olhando no dia em que cheguei, mas a visão só foi passageira pois algo forte acertou o meu rosto, um soco. Caio no chão e vejo um menino com aspecto de louco em pé na minha frente. Ele segura em minha camiseta, me levanta e começa a me socar novamente. Os socos poderiam estar danificando meu rosto se eu não estivesse protegendo o mesmo.

- O QUE VOCÊ QUER?! - grito ao ver que ele dá uma pausa nos socos.

- Você irá nos matar. Você é a destruição disso. A raiz do caos que irá crescer e dominar o lugar. VOCÊ VAI NOS MATAR. - sua voz era estranha, meio rouca, parecia que ele estava possuído por um demônio. Suas pupilas estavam super dilatadas. Seus olhos vermelhos, como se estivessem sangrando. Seus cabelos estavam grudados em seu rosto por causa do suor e sua pele estava pálida, como o chão do refeitório.

The GhramersHistórias para pegar e não largar. Descubra agora