Um som arrebatador de um despertador começou a soar em um tom do qual poderia deixar todos surdos. O sonho que eu estava tendo foi interrompido bem na parte mais interessante. Aquela lembrança borrada que tive no dia passado estava cada vez mais longa. Como se uma nova parte fosse revelada a cada dia. Aquele som estava me incomodando, porém meus olhos permaneceram fechados.
- Clark! Levanta daí! Você quer perder o café da manhã? Bem... não é muito bom, mas é isso que temos para comer.
Respiro profundamente assim que ouço a voz de Max ao meu lado. Eu ainda não tinha dormido o suficiente para recompor a energia gasta de ontem, mas precisava levantar de qualquer jeito já que não comia há um bom tempo.
- Os guardas já estão vindo! Vamos, Clark!
- Guardas? - falo me sentando na cama com as mãos sendo esfregadas no rosto para minha visão se adaptar a claridade.
- Sim. Eles vêm nos pegar para nos levar até o refeitório.
- E por que não podemos ir sozinhos?
- Ah. Talvez seja pelo fato de sermos mutantes e pelo medo que eles têm de nós matarmos eles! Quem sabe? Aliás, sua roupa está ali- ele apontou para uma roupa toda branca pendurada em um gancho.
- Por que tudo nesse lugar é branco?
- Talvez seja para disfarçar o aspecto de inferno. - ele riu revirando os olhos. Max era um bom colega para se dividir uma cela.
Me levanto e me dirijo até a roupa que estava no gancho do canto do quarto, pego a mesma e olho para Max.
- É... sim, sim. Eu sei. Ta vendo aquela porta ali? É o "banheiro". Pode ir trocar de roupa lá. - ele fala enquanto passava a mão em seu topete que exigia ficar bagunçado.
Coloco a mão na maçaneta daquela porta e giro a mesma abrindo a entrada para outro lugar. Tecnicamente aquele lugar era mais um corredor apertado e pequeno do que um banheiro. O vaso sanitário estava em boas condições apesar de ser um de uma prisão. Como aquilo poderia ser chamado de "viver"? Ah é! Não pode. Troco de roupa e ao pegar as mesmas para sair do banheiro, percebo que algo estava no bolso da minha antiga calça. Uma foto. Ela estava meio queimada pelo fato de ter sido atingida pelo laser do Julius, maldito laser. Na foto tinha três pessoas, eu e mais dois outros homens, era o que parecia ser. O sorriso em meu rosto naquela foto me deixou com ciúmes por provavelmente eu nunca mais poder ver um desses novamente.
A curiosidade se tornou imensa para saber quem era aquelas outras duas pessoas ao meu lado. Poderia ser da minha família ou algo do tipo.
- Anda, Clark! Quer morrer de fome ou prefere morrer na arena? - Max gritou do lado de fora ao mesmo tempo em que batia na porta.
- Eu já estou indo. Só um minuto.
Antes que pudesse guardar a foto no bolso, algo me deixou intrigado. A metade de um símbolo estava visível no fundo daquele ambiente. Um símbolo estranho, porém, eu sabia que o conhecia de algum lugar. Odeio quando não lembro das coisas que estão na ponta da língua.
- Não vou pedir mais uma vez. Vou te deixar aqui sozinho! - novamente Max gritou.
Guardo a foto no bolso e saio do banheiro rapidamente para que ele não fique louco de tanto reclamar. Assim que olho para a porta da cela, vejo dois guardas esperando. Eles estavam segurando duas algemas brancas com uma luz meio fraca de cor azul. Será que era a mesma da qual estava me prendendo no dia em que vim pra cá? Eles passaram as algemas por uma abertura da porta que só podia ser aberta do lado de fora.
- Sejam rápidos. - um dos guardas falou em um tom de voz tedioso.
- O que é isso? - falo baixo para Max enquanto o vejo pegando uma das algemas e a colocando.
- Só faça o que eu estou fazendo. Te explico depois. -ele falou enquanto olhava para baixo com as mãos presas.
Olho para a outra que estava em uma caixinha transparente. Pego a mesma lentamente e fico olhando para ela tentando pensar a utilidade daquilo. Por que simplesmente eles não nos liberam? Pra que usar uma algema?
- Vamos, garoto. Não temos que soltar apenas vocês para o refeitório. Se apresse.
Desvio o olhar para o guarda do lado de fora e volto a olhar para a algema. Respiro profundamente e coloco a mesma. Uma barulho agudo soou assim que coloquei aquele objeto em meus pulsos e uma luz se acendeu em uma parte do objeto. Logo em seguida, a porta começou a se levantar lentamente. Saio da cela logo atrás de Max e sinto a mão do guarda empurrando meu ombro.
- Com certeza seu poder não é super-velocidade. - a voz dele era de sarcasmo e ironia.
Tenho que dizer, mentalmente eu estava o xingando com todos os xingamentos que eu conseguia lembrar. Ele tinha uma arma, uma coisa que eu não iria fazer era dizer algo relacionado a ele, então decidi ficar quieto enquanto ele me segurava pela nuca e ia me guiando pelo extenso corredor branco. Outros pares de guardas estavam distribuídos pelos corredores, todos soltando os Ghramers aprisionados.
Olho para o lado e vejo alguns mutantes presos. Alguns estavam presos em uma mesa de ferro levantada, com faixas de couro em volta dos mesmos os prendendo. O que será que eles fizeram para merecer esse tipo de tortura? Pude ver outro Ghramer, uma mulher. Ela usava um óculos redondo com as lentes pretas e com uma luz no meio. A mesma luz que as algemas possuiam. Percebo que a visão das celas acabam e surge um novo ambiente. Poderia ser o refeitório do qual Max tinha citado há alguns minutos atrás por causa das mesas e cadeiras. Pessoas se acumulavam em uma fila reta. Elas estavam segurando uma bandeja da cor azul. Aquele foi o momento em que eu soube que alguma outra cor além de branco existia naquela prisão. Entro no refeitório e vejo que o guarda para de andar e segura meus braços.
- O que está fazendo? - falo alarmado de que algo poderia acontecer.
- Quer ficar com a Algema de Poder? Creio que não, certo? -ele falava enquanto tirava a algema dos meus pulsos. Uma nova palavra foi adicionada a minha lista. "Algema de Poder". Mais uma pergunta para fazer ao Maxwell.
Vejo que ele estava logo a minha frente e vou até ele olhando tudo em volta.
- Agora seria uma boa hora para me explicar que lugar é esse? E o porquê daquelas algemas estranhas? -ele respira fundo e se vira para mim.
- Vem comigo... -ele fala enquanto pega duas bandeijas e me entrega uma. - Aqui é o refeitório. Daqui em diante, você irá vir aqui todos os dias para, nada mais, nada menos, se alimentar para não morrer de desnutrição. A comida não é aquela coisa maravilhosa, mas você se acostuma. Ah! Sobre as algemas... elas bloqueiam o nosso poder. Por isso elas possuem aquela luz que acende quando nos prendem.
Vejo que ele estende a bandeja por uma abertura do vidro. Dentro dele, estava uma mulher. Ela coloca um prato com comida na bandeja e passa pelo mesmo lugar de onde ela entrou.
- Mas eu não entendo. Se aquelas algemas bloqueiam nosso poder, por que nós não estamos usando elas agora? -sussurro para ele para garantir que ninguém ouça.
- Simples... -ele pega a bandeja e se aproxima de mim. - Essa é a hora em que você olha pra cima e tira suas próprias conclusões.
Olho para cima como ele diz e vejo aparelhos presos nos cantos das paredes. A mesma luz das algemas estavam nos aparelhos. Então eu já decobri a resposta para minha pergunta.
- Ah... -falo em um tom de surpresa, pego minha bandeja já com a comida e vou atrás dele. Me sento e fico observando as outras pessoas que agiam com pura naturalidade. Acho que já estavam acostumados com aquilo tanto quanto eu, o que era normal para um novato.
- Então ele é o que sobreviveu a primeira luta? -um sussurro surge próximo de mim. Duas garotas conversando com o olhar direcionado a mim. Percebo que elas logo ficam sem graça e olho para minha comida.
- Então esse é o garoto voraz?
Olho para frente e vejo uma menina com cabelos pretos e olhos azuis se sentando em nossa frente. - Agora eu sei que as aparências enganam.
- Sim, é ele mesmo. Não fala isso dele, Selina! Ele até que é um cara legal. - Max riu levemente enquanto voltava a comer.
- Prazer, meu nome é Selina. Posso projetar campos de força e sou a melhor amiga que se pode ter nesse lugar. -ela diz sorrindo.
- Meu nome é Clark. -sorrio enquanto olhava para os olhos dela. Eram penetrantes. Algo me dizia que aquilo poderia ser o indício de uma nova amizade a surgir.
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The Ghramers
FantasiJá ouviu falar em pessoas com habilidades especiais? Pessoas que nasceram com um dom à mais fornecido por Deus? Muitas pessoas costumam ter medo desse tipo de seres vivos, os Ghramers. Por este mesmo motivo, o chamado Sr. Black criou um programa do...
