Melissa Parker é uma psiquiatra recém-formada que encontra seu primeiro emprego em um manicômio judiciário. Em meio aos novos desafios, se vê encantada por um de seus pacientes, Corey Sanders, um rapaz misterioso e muito atraente. Sem que se dê cont...
Já não havia mais vestígios de que Corey estivera naquela cabana. Nem suas impressões digitais, provavelmente, denunciariam sua presença ali, uma vez que ele se empenhara em removê-las de todos os locais que acreditava ter tocado. Então agora estava sentado na cama, almoçando a última barra de cereal que lhe restara. O restante das coisas, queimou na lareira improvisada e as cinzas foram espalhadas pela floresta que o abrigara e protegera durante aqueles poucos dias. A única coisa que levaria consigo era um dos facões de caça que tinham na casa. Embora estivesse enferrujado e maltratado pelo tempo, teria sua utilidade. Corey só esperava não ser obrigado a usá-lo.
Esperava passar pelos guardas na fronteira da floresta sem causar nenhum problema. Não queria ferir mais ninguém. Ele o faria, se precisasse, mas a consciência pesaria. Só não pesaria mais se não saísse dali são e salvo para os braços de Melissa, então completasse sua vingança contra Danny Langdon. Era tudo o que Corey mais queria, e se pegou rezando sem nem ao menos se dar conta.
Os olhos estavam vidrados na paisagem verde que a floresta lhe mostrava e todos os seus pensamentos se voltavam para o ser divino no qual ele talvez nem acreditasse na existência. Entretanto, se algo ou alguém pudesse ajudá-lo naquela situação, esse algo ou alguém com certeza seria Ele. Corey sabia o quão controverso era seu pedido. Sair daquela situação vivo, para que então pudesse ele mesmo tirar uma vida. Não era uma troca justa. Mas sabia que se o algo ou alguém divino realmente existisse, estaria preparando a punição que Danny Langdon merecia. Então talvez Corey fosse o justiceiro escolhido, no final das contas.
O som de seus dentes remoendo os cereais era a única coisa que podia ser ouvida. Mas, assim como mais cedo naquele dia, o silêncio da floresta foi interrompido por passos que quebravam gravetos. E dessa vez os passos eram rápidos demais para Corey cogitar a ideia de bisbilhotar o paredão de árvores. Ele enfiou o último pedaço da barra de cereais na boca e a embalagem no bolso, então juntou o facão. A passos largos, deixou a cabana, mas parou quando chegou à porta.
— O que faz com esse facão? — Kate, a enfermeira que lhe ajudara na fuga, estava ali.
E ofegava como se tivesse acabado de correr uma maratona. Ou como se tivesse acabado de atravessar aquela floresta o mais rápido que suas pernas eram capazes de leva-la.
— Proteção. — Corey deu de ombros, esperou que ela subisse o barranco e deu passagem para que ela entrasse na cabana.
— Você não precisa se proteger de mim. Pode, por favor, abaixar isso? — pediu ela, inquieta.
— Tudo bem. — Corey jogou o facão sobre a cama. — Veio falar sobre a fuga dessa noite? – perguntou.
— Mudança de planos. — Kate balançou a cabeça em negação. — Você confia em mim? — Seus olhos verdes brilharam na direção de Corey.
Não parecia haver muito tempo para uma escolha. Ele apenas assentiu, acreditando que nada que viesse daquele rosto angelical pudesse machucá-lo.
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