Capítulo sete

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KAT

EU NÃO CONSIGO TIRAR Mary da minha cabeça.

Então, na segunda de manhã, eu cabulo o primeiro período e vou à procura de Ms. Chirazo. Talvez ela possa me dizer algo sobre onde Mary foi. Só porque Mary não está trancada no sótão com a tia louca não significa que eu tenho a melhor sensação sobre o que poderia ter acontecido com ela. A secretária de orientação não me vê entrar, ela está no telefone, então eu só ando em linha reta até o escritório de Ms. Chirazo.

Ela não está lá.

Eu espero por alguns minutos, sentindo-me estúpida. Eu não tenho certeza do que Ms. Chirazo vai ser capaz de me dizer. Eu aposto que existem leis de privacidade e essa merda toda que ela não será capaz de ir contra, mesmo que ela seja legal comigo. Não há quaisquer arquivos de estudante em sua mesa. Tudo está em seu computador. Eu ergo minha bunda da cadeira e olho para a tela. Está aberto e ligado, não é necessária senha.

Foda-se. Eu salto para sua cadeira. Se eu posso consultar os registros escolares de Mary, talvez haja algumas informações de contato. Ou da tia Bette ou dos seus pais. Mary poderia ter ido para casa com eles nas férias e decidiu não voltar. Se for esse o caso, eu vou ligar para ela ou escrever-lhe uma carta. Melhor ainda, Lillia e eu podemos viajar para visitá-la.

Abro um ícone que diz "Transcrições dos Estudantes," e eu digito "Mary Zane", e então pressiono Enter. Uma ampulheta aparece enquanto o computador procura os registros. Demora uma eternidade, porque esse computador é antigo pra caralho.

Nada.

Eu tento novamente com "Zane, Mary." E depois é só "Zane", no caso, talvez, de "Mary" ser a abreviação de um nome estranho que eu não conheça. Sem dados. Esquisito. Eu coloco o endereço dela e procuro novamente. Mas mais uma vez, nada vem à tona.

Não há nenhum registro dela em tudo.

Que diabos?

Ouço um par de sapatos confortáveis fora da porta, e eu tenho apenas cerca de meio segundo para sair da cadeira de Ms. Chirazo e voltar para o outro lado da sua mesa.

"Kat?"

"Hey." Eu sinto como Ms. Chirazo soubesse que eu estava aprontando alguma coisa, porque ela me dá esse olhar estranho, desconfiando. Eu recebi esse olhar centenas de vezes, mas nunca dela. "Eu queria parar e me certificar de que toda coisa de fumar na semana passada foi tomado os devidos cuidados." Eu limpo minha garganta. "Eu provavelmente deveria ir para a aula."

"Sim", ela diz lentamente. "Boa ideia, Kat."

* * *

Depois da escola eu serpenteio para o escritório da Sociedade de Preservação em White Haven. É o meu primeiro dia de volta desde os feriados. As decorações já foram tiradas – as coroas, as velas eletrônicas piscando em cada uma das janelas, as folhagens de bálsamo que eles tinham que envolver em torno dos corrimões e da moldura da porta.

Se eu tivesse conduzido direto, eu teria sido pontual, mas eu meio que viajei em torno da ilha por um bom tempo com minhas janelas abaixadas, porque, bem, eu não sei. Eu acho que eu esperava que o ar fresco limpasse a minha cabeça. Mas isso não aconteceu. Eu sou uma bagunça de montes de neve lamacenta ao longo da estrada.

Eu marcho até as escadas, fedendo de cigarros, minhas botas encharcadas, e meu nariz escorrendo muco como um louco. Espero que eles deem uma olhada em mim e me mandem para casa, mas assim que chego à porta, Danner Longforth salta para fora do seu escritório e aponta para o relógio na parede com seu dedo ossudo.

Ashes to AshesOnde histórias criam vida. Descubra agora