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Vinicius remexia em suas coisas com pressa. A ligação de John o deixara tão afoito, que ele mal conseguia raciocinar. Com isso, nem percebeu a presença de sua mãe o observando com um prato de comida em mãos.

- O que está fazendo, filho? Trouxe sua janta, e nem pense em recusar! Você não comeu nada hoje.

- Mãe, tenho que voar, se possível! Preciso estar no bar Javali o mais rápido possível! - ele andava rápido de um lado para o outro. - Eu vi que de ônibus é uns 40 minutos, mas preciso que seja menos!

- O que você está falando, menino? Bar Javali? Aquele no centro da cidade? Ficou doido? A essa hora? Fazer o quê?

- Um amigo quer conversar... É aniversário dele e ele está sozinho, eu acho...

- Amigo? Vinicius são quase 23h da noite! Você não vai.

- Por quê? A senhora me deixou ir à festa do John muito mais tarde que isso!

- Mas você foi de carro, é diferente. Como vou deixar você ir sozinho pro Centro da cidade?

- Mamãe, a senhora não pode me impedir, ok? É importante demais pra mim. O John... A senhora sabe.

O menino deixou de encarar a mãe e fitou o longe com as bochechas queimando. Marta sorriu e abraçou o filho.

- Tudo bem... Mas me prometa que não vai beber e nem fazer nada que fira seus princípios?!

- Claro que prometo!

- Consegui uma graninha a mais na última faxina, acho que dá pra pagar seu táxi de ida e volta.

- Sério, mãe?! Um táxi?! - os olhos do menino brilharam.

A ultima vez que ele andara em um táxi foi quando levou uma surra de seu pai aos quinze anos e sua mãe se meteu no meio, o que a proporcionou um corte de oito pontos. Os dois pegaram um táxi às pressas para o hospital.

- Sim! - ela riu. - Agora vai logo! E mantém o celular ligado.

- Tem certeza, mãe? Se o dinheiro for para algo importante eu posso ir a pé, sei lá.

- Não existe nada mais importante que você, filho. - ela beijou sua testa e os dois se abraçaram novamente.

- Obrigado. - ele disse antes de sair, deixando sua mãe com um sorriso e seu pai com uma garrafa de vinho.

Já dentro do carro Vinicius contava os segundos para encontrar John. Ele tentou puxar assunto com o motorista, mas o mesmo ignorou todas as tentativas, fazendo-o se calar.

- Pronto. O bar do Javali é ali. - o homem mal humorado com aparência de quarenta e poucos anos alertou. - O bar que os filhinhos de papai torram a grana e voltam podres de bêbados pra casa, vomitam no meu carro, mas me dão uma boa grana. Se precisar estarei rodando por aqui à noite toda. Pegue meu cartão.

Vinicius pegou o cartão e ofereceu um sorriso ao taxista que apenas virou o rosto em direção a porta, um aviso para que ele se retirasse.

- Obrigado pela viagem, moço! Tenha um bom serviço e que Deus te abençoe.

O homem pareceu surpreso com as palavras do menino, e quando Vinicius já estava um pouco distante, gritou.

- Cuidado aí, viu?! Não são todos que são bons como você.

Vinicius chegou na entrada do bar às 23:40. O segurança na porta o olhou com impaciência.

- Vai me dizer que tem mais de dezoito anos? Com essa cara?

- Boa noite! Não senhor, fiz dezessete em dezembro, tem pouco tempo. - ele sorriu.

- Então está fazendo o que aqui? Não sabe que só é permitido a entrada de maiores de idade?!

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