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- De novo não! - Vinicius murmurou enquanto John saia tropeçando em direção a porta.

O menino aproveitou para se levantar e acender a luz do quarto. Ele se sentou na cama e se ajeitou. Seu corpo inteiro lamentava a separação repentina dos dois.

- Meu amor! - ele ouviu a voz de Bruna na porta.

- O que está fazendo aqui? - John perguntou mal humorado sem permitir sua entrada.

- Sua mãe! Ela me deu seu endereço! Você está com alguma vadia aqui? Eu ouvi um barulho?!

Vinicius que tinha se levantado para ajeitar os lençóis parou assustado.

- Não te interessa! Vai embora! - o barulho da porta batendo fez o outro voltar a se mexer.

Bruna continuou batendo na porta. John caminhou de volta para seu quarto com a aparência enjoada.

- Que houve? Você está bem? - Vinicius sussurrou com medo de ser ouvido.

- Sim. - John respondeu antes de vomitar todo o tapete branco do quarto e cair na cama com a mão na barriga.

- Você está bem! - Vinicius perguntou desesperado. - Jonh? O que eu faço? Você quer água com limão?

Bruna continuava a bater na porta o que complicava ainda mais a situação.

- Acho que estou morrendo. - John respondeu de forma dramática.

Vinicius saiu correndo atrás de algum remédio para enjoo na cozinha, mas não achou nada.

- John! Quem é essa vagabunda aí com você? - Bruna questionava do outro lado da porta.

- O que eu faço agora? - o mais novo abriu a geladeira com as mãos trêmulas e encheu um copo com água.

Ele ajudou John a beber um pouco do líquido e quando estava perto de se levantar para atender Bruna, o amigo o puxou.

- Fique aqui comigo, por favor.

Todo seu desespero se esvaiu com essas palavras, nem se pudesse ele negaria um pedido desses.

- E quanto a Bruna?! - ele perguntou sentando-se ao lado de John.

- Uma hora ela se cansa e vai embora.

John descansou a cabeça sobre as pernas de Vinicius. Seus olhos verdes encararam os azuis e ele sorriu.

- Que foi? - o mais novo perguntou com as bochechas coradas.

- "Quer água com limão?" Você é muito engraçado... - ele gargalhou.

- Eu não sabia o que fazer, supus que pelas características ácidas do limão ele pudesse ter algum efeito sobre o enjoo e... Estou falando um monte de merda, desculpe.

- Merda? Que palavreado chulo, Vinicius.

- É a convivência, acho.

- Wow, olha só... Estou criando um monstro.

Os dois riram.

- Está melhor?

John fechou os olhos e assentiu.

O menino aproveitou para observar com atenção o rosto do amado. De perto tudo era ainda mais bonito. As batidas da porta continuavam, mas já não o incomodava mais. Vinicius passou as pontas dos dedos delicadamente sobre o rosto de John, como se medisse e guardasse cada mínimo detalhe.

Suas mãos alcançaram os cabelos do outro, e ele enrolou um de seus cachos. John sorriu quando os dedos de Vinicius acariciaram seu coro cabeludo.

Metamorfose.Onde histórias criam vida. Descubra agora