Capitulo 51

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Não posso confiar em ninguém! Ao confiar... Me machuco...

Ouso o som de passadas largas descendo as escadas, provocando um eco no silêncio do quarto. Mariana me olha assustada.

-Nat, o que aconteceu? Por que está chorando? Que roupas são essas?

-Me deixa sozinha. - digo fria em meio aos soluços.

-Não, não posso te deixar assim! Nesse estado...

  Soluço, recostando a cabeça no travesseiro e dando espaço para que Mariana se sentasse ao meu lado.
     Minhas últimas palavras foram decisivas, não voltaria mais a OSCU. Mas também não tenho a mínima ideia de como mandarei dinheiro aos meus avós.
   Sara desce as escadas, já com o uniforme escolar. Instantaneamente seco minhas lágrimas no próprio travesseiro e subo as escadas para me trocar. Sabia que Mariana não faria qualquer pergunta sobre aquela roupas, pois ela perceberá que não desejava falar sobre isso.
      
-Onde você vai? - questiona Mariana.

-Tomar um ar.

        Por mais incrível que pareça, hoje o pátio não estava tão movimentado, apenas alguns estudantes circulavam, com os livros nos braços.
     Sento encostada no tronco da  árvore, evitado estar cerca ao ninho de formigas a menos de quarenta centímetros.
        
-Nat?

     Ergo a vista, me deparando com Diogo. Reviro os olhos.

-Se veio me encher o saco, pode sair.

       Ele se senta à minha frente, me encarando.

-Só vim ver como você está...

-Bem. - minto.

-Ah, qual é, depois daquele escândalo ninguém estaria bem!

-Então por que perguntou?

       Notei em seu braço, uma mancha roxa, mal escondida por maquiagens e quase imperceptível.

-O que é isso? - indago apertando a região, vendo-o resmungar de dor.

-É sobre isso que queria falar... sei que você está preocupada em como mandar o dinheiro para os seus avós, sendo que você já não faz mais parte da OSCU. Então...

-Então?

-Bom, isso é segredo, não conte a ninguém!

-Pode deixar, desembucha logo!

-Quero te convidar para ser meu par em uma luta clandestina.

-Quê?

-Sim,os vencedores ganham uma boa quantia de dinheiro...

     E assim conseguiria ajudar meu avós... estou gostando da idéia...

-Você sabe que isso é errado não é?!

-Como se você se importasse com isso! - diz irônico.

-Nisso você tem razão. Quando?

-A primeira luta será hoje anoite...

-Sem chance. - digo. - Tô quebrada.

-Vai Nat! Por favor!

-Por que não chama o Simon?ou o Agus.

-Por que você é a melhor.

    Sorrio sabendo onde ele queria chegar, e dou de ombros. Ele conseguiu.

-Esta bem, eu vou...

-Mas...

-Mas o que?

-Como vamos sair daqui? - indago.

-Pelo mesmo lugar de sempre, te espero hoje às 23:12.

-Pode deixar , estarei lá.

-Ah, e a roupa pode deixar comigo...

-Sem problemas.

    Ele permanece me fitando por mais alguns minutos, até eu bufar irritada.

-Será que agora você pode me deixar em paz? Preciso descansar!

-Ah sim,  claro! Foi mal...

    Um problema a menos...

    Pelo agora voltaria a ter uma vida normal, sem missões e necessidades de esconder de tudo, e todos, minha identidade. Só espero que eu me acostume a essa nova realidade tão rápido quanto me acostumei ao ritmo da OSCU...

    

       
 

Agente MorganOnde histórias criam vida. Descubra agora