Capítulo 23 - Vem comigo

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Hey meninas,

Hoje já teve Sky Forest e agora tem Amybel! :) Aproveitem minha nobreza rs Bjs e boa leitura

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Embaladas pela linda noite, Amy e Isabel estavam ficando próximas e cada vez mais conectadas. Elas faziam parte de algo único, que parecia estar apenas começando. Um sentimento que crescia, como uma semente imersa sobre a terra molhada, transformando-se aos poucos para criar raízes e fazer frutos.

Amy colocava a mesa com todo cuidado, querendo que cada coisa estivesse em seu lugar. Enquanto Isabel estava no convés vendo a imensidão do mar, talvez imersa em pensamentos, ela tentava não pensar. Tentava pela primeira vez se permitir ir além da racionalidade. Estava disposta a isso. Disposta a ir contra seus conceitos, sua personalidade. Disposta ir contra tudo que sempre acreditou, mas sem perder a si mesma no processo.

Subiu ao convés e viu Isabel em silêncio, olhando as estrelas imóvel e calada. Era nítido, como a matemática, que ela estava longe, com o pensamento em algum lugar perdido, talvez tentando se encontrar de alguma forma.

- Um beijo pelos seus pensamentos... Amy aproximou-se. Isabel a encarou, sem sorrir, sem nada dizer.

- Desculpe.

- Pelo que?

- Por estar aqui pensando e não lá embaixo te ajudando a pôr o jantar...

- Sou capaz de colocar a mesa sozinha senhorita! Amy deu um meio sorriso, com a expressão 'cheia de si' e arrancou um largo sorriso da mulher a sua frente.

- Tenho certeza que é...

- O que te preocupa?

- Nada... Isabel baixou os olhos, envergonhada.

- Fala... Amy disse com a voz doce, elevando o rosto de Isabel, para olhá-la.

- Eu quero muito mergulhar de cabeça nisso tudo, mas tem uma parte de mim que resiste a isso. Tenho uma grande cicatriz Amy, que ainda sangra... entende?

- Claro. Eu sei muito bem o que é ter cicatrizes que sangram o tempo todo.

- A vida é tão difícil as vezes, com tantas sombras, que é difícil aceitar o sol quando ele vem... Porque quando temos cicatrizes profundas, tem uma voz na nossa cabeça dizendo "E se não for o sol, e se for apenas um raio de luz?"

Amy aproximou-se de Isabel e segurou seu rosto com as mãos delicadamente. Seus olhares se fundiram e havia um intenso brilho neles, como se lessem a alma uma da outra. O coração de Isabel pulou no peito e o de Amy respondeu avidamente.

- Não sou a melhor pessoa do mundo, Isabel. E talvez, não seja mesmo a pessoa certa. Estou tão perdida quanto você.

- E o que acha que devemos fazer?

- Talvez viver seja mais do que sempre esperar feixes de luz, ao invés de buscar o sol. Talvez nós mereçamos mais que isso... Mais do que viver nas sombras...

- Talvez sim... Isabel olhou no fundo dos olhos de Amy e havia verdadeira esperança em suas palavras.

Amy aproximou seu corpo do dela e ainda lhe segurando o rosto, colocou uma mecha que saia de sua trança para trás de sua orelha. Viu quando Isabel fechou os olhos e achou que ela parecia um anjo sereno.

- Sou extremamente racional Isa, e não sei lidar com emoções. Mas estou disposta a ver que sensações são essas que você me faz sentir.

Foi quando seus lábios se uniram novamente, sob os feixes de luz que saiam das estrelas do céu. Os lábios unidos em um só, as línguas tocando-se com delicadeza, como se acarinhassem uma a outra. Isabel segurou a cintura de Amy que ainda mantinha seu rosto entre as mãos, enquanto o beijo se estendia em sentimentos ainda novos, mais que pareciam estar apenas começando a desabrochar.

Amy teve enorme desejo de segurar Isabel no colo e leva-la até a suíte do barco, mas sabia que se fosse apenas desejo o que ela sentia, podia magoar aquela mulher tão especial. Pela primeira vez, enquanto a beijava, teve certeza que se importava com ela. Que não podia magoá-la.

- Isa, vamos dar um passo de cada vez. De feixe em feixe, quem sabe não fazemos nosso próprio sol?

- Acha mesmo isso?

- Apesar da minha exatidão matemática, eu sei que o infinito existe. Sorriu. Isabel sorriu de volta enquanto se olhavam.

- Está bem. Eu aceito Amy.

- Há qualquer momento, se não for bom para nós, paramos. Ok?

- Ok.

- Está com fome?

- Morrendo...

Amy pegou Isabel pela mão, e desceram a escada em direção a sala de jantar. Mas antes que Isabel entrasse, Amy cobriu seus olhos com mãos, arrancando risadas dela. Foi guiando a loira pelo corredor, até que chegaram a mesa de jantar.

- Pode abrir os seus lindos olhos verdes... Amy disse enquanto tirava a mão dos olhos de Isabel.

Quando Isabel finalmente olhou a sala de jantar, abriu a boca em espanto, com uma expressão de quem estava admirada. Haviam velas por toda sala, que estava a meia luz e a mesa tinha algumas pétalas vermelhas. O aroma do incenso suave que estava acesso e um cheiro delicioso de comida invadiu suas narinas.

- Você é mais do que capaz de pôr a mesa!

Amy sorriu vitoriosa e puxou a cadeira para que Isabel sentasse. Ela sorriu e sentou em seguida. Amy deu a volta e após sentar-se de frente para ela, puxou as tampas de prata que cobriam os pratos.

- Ravióli de frutos do mar... Gosta?

- Adoro!

Amy estendeu a mão sobre a mesa para que Isabel a segurasse. Quando ela o fez, Amy acariciou seus dedos com a ponta dos seus, e elas se olharam sem precisar dizer nada.

- Está tudo perfeito Amy, obrigada.

- Não por isso. Mas aceito um beijo de recompensa após o jantar.

Amy inclinou o corpo e beijou o dorso da mão de Isabel delicadamente. Quando subiu os olhos viu seu perfeito sorriso iluminando a mesa, mais do que todas as velas que estavam acesas. As bochechas coradas e os lábios rosados. A perfeita visão do paraíso.

Elas comeram e conversaram distraídas, entre sorrisos e histórias cotidianas. Mas nenhuma das duas tocou no passado, nem falaram das cicatrizes que sangravam. Preferiram pensar que elas estavam curadas, pelo menos naquele momento. Deixar aquela afinidade crescer, deixar que a semente desse sentimento que chamam de amor, tentasse criar raízes em corações maltratados, mas ao mesmo tempo repletos de esperanças.

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