Acorda-mos agarradas uma a outra mas no meio do chão, pois decidimos que aquela cama era muito pequena para nós as duas! Foi uma noite incrível… A minha mãe estava tão contente que correu para o computador e começou logo a procurar novas casas aqui perto, eu fui ajuda-la. Estava tão contente que nem fome tinha.
- Esta é linda não é? É pena não ser perto do meu trabalho.
- Pois, e além disso o preço é ligeiramente elevado!
- Muito cara, é verdade. – a minha mãe continuou a procurar. – Esta é perfeita! É perto do meu trabalho e perto da escola. Mas o preço… É impossível. Ai, é verdade com esta coisa toda não reparei que estamos atrasadas. Rápido, vamos tomar o pequeno-almoço ao bar.
Na verdade, ir a um bar tomar o pequeno-almoço a um bar não era propriamente aquilo que eu estava a pensar… Eu preferia simplesmente ir para a escola, mas para não estragar a felicidade da minha mãe tinha que fazer aquele sacrifício.
Quando chegamos ao bar, a minha mãe pediu duas torradas como bastante manteiga, supostamente como eu gosto… Gostava, não é? Mas não reclamei, tudo o que queria era fazer a vontade à minha mãe… Comi aquelas torradas cheias de manteiga, e acabei por beber um copo de leite porque a minha mãe insistiu. Fomos para o carro e ela levou-me à escola, demos um abraço de despedida e um beijo de bom dia. Mal sai do carro foi a correr para a casa de banho da escola… Estava com uma dor de barriga horrível, aquelas torradas tinham me deixado mal disposta.
Não estava ninguém na casa de banho, só eu e aqueles espelhos que me mostravam a quão gorda eu sou. “Meu Deus, aquelas torradas fizeram-me engordar mais, muito mais…” Naquele momento só me apetecia vomita-las… Corri para perto de uma das sanitas e meti os dedos até à garganta e vomitei, e senti-me muito melhor… Mas de repente ouvi um barulho. Limpei-me e bebi um pouco de água que tinha na mochila.
- Olá, quem está ai? Está tudo bem?
Era a Miley, eu reconhecia pela voz. Sai despercebidamente.
- Sim, está tudo bem.
- Tens a certeza, pareceu-me ouvir-te a vomitar, estás indisposta?
- Sim um pouco, mas isso acontece-me muito nesta altura do ano.
- Pois, o frio faz destas coisas… Isso a mim também me acontece!
- É normal… E hoje é um daqueles dias mesmo maus…
- Pois sim, sabes por momentos pensei que fosse uma rapariga com as manias da dieta e que estivesse a vomitar o pequeno-almoço de propósito.
- Não, eu não era capaz disso…
- Pois… Eu acredito.
Quase era apanhada… Eu também não entendo aquilo que fiz mas soube super bem! Senti-me logo mais leve, mais magra! Embora, gorda como sempre…
Ao ver o Liam corri e abracei-o com uma gratidão imensa, ele foi o melhor amigo de sempre… Mas depois de o ter abraçado no meio daquela gente toda foi vergonhoso:
- Desculpa, fui um bocadinho exagerada…
O Liam largou a mochila e tornou a abraçar-me, ainda com mais vontade:
- Não peças desculpa… Isto não tem nada de mal, pois não? Pelo contrário, não é uma boa sensação?
Lá estávamos nós abraçados no meio da escola aos abraços:
- Sim, a verdade é que é muito bom…
- Hrum, não interrompe-mos nada? – disse Sel com sarcasmo.
Eu e o Liam largamo-nos rapidamente e agimos como se nada se tivesse passado.
- Oh Sel, estragas-te o clima! – disse Miley.
- Que clima, parem. Eu só estava a agradecer-lhe por aquilo que ele fez ontem…
- Ah, pois nós já soube-mos. – disse Sel sorrindo.
- Desculpa, mas eu contei-lhes… - disse o Nick receoso.
- Não faz mal, a sério. Eu fico contente, por vocês se preocuparem.
- Own… Nós amamos-te. Abraço de grupo. – disse a Miley nos puxando para um abraço…
Mais embaraçoso que duas pessoas se abraçarem no meio da escola, são quatro pessoas aos abraços no meio da escola! Mas aquilo, fazia-me sentir bem.
- Mas e agora para onde vocês vão morar? – disse a Sel.
- O mais provável é irmos para perto do trabalho da minha mãe…
- Isso não pode ser, assim vais deixar de ser nossa vizinha. – disse o Liam com tristeza.
- Pois, mas a única casa favorável é demasiado cara para a minha mãe a arrendar.
- E essa casa está só a arrendamento? – perguntou a Sel.
- Não, mas comprar é que é mesmo impossível para a minha mãe.
- Não é por isso é que me está a dar aqui uma ideia. Dá-me o contacto desse senhorio! – pediu Sel.
- Aqui não o tenho, mas eu logo envio-to por sms. Mas para quê que o queres?
- Surpresa. – disse Sel com divertimento.
Passei o dia inteiro a pensar na tal surpresa. Mesmo depois de lhe ter enviado o contacto quando cheguei a casa. Mesmo ao conversar com a minha mãe sobre o meu dia, só conseguia pensar na Sel e na tal surpresa. Que ansiedade!
De repente ouvi o meu telemóvel a tocar e corri, não muito pois ele estava mesmo ao meu lado, era a Sel, meu deus…
“- Olá! O que se passa?
- Está ai a tua mãe?
- Sim, porquê?
- Passa-lhe e diz-lhe que vai falar com o novo dono da casa que ela queria arrendar.
- Não acredito Sel, eu adoro-te.”
- Mãe toma o telemóvel, é o pai da Sel. Ele comprou a casa que nós vimos hoje de manhã na net e ele quer arrendar… Adivinha a quem?
A minha mãe agarrou no telemóvel com uma força enorme e com um sorriso na cara.
“-Olá, boa tarde como está?
- Ótimo, obrigada. E espero que a senhora fique melhor com as noticias que tenho para si…”
Eu estava tão contente, era sem explicação… Só tinha um problema a fome. Vou ter que ceder, não comi nada o dia inteiro!
“Bom, então obrigado. Mas… Já? Ok então, eu passo por ai para ir buscar a chave. Muito obrigado…”
- Filha, faz a mala, vamos para o nosso novo lar!
