P.O.V Camila
Acordei sentindo um peso sobre meu corpo. Confusa e um pouco assustada com o que poderia estar acontecendo, abro os olhos. Em cima de mim, encontro uma Lauren com os cabelos bagunçados e uma Sofia dando gargalhadas altas ao seu lado.
- Ai suas the mônias! - resmungo, o que faz minha irmã mais nova pular em cima da Lauren, aumentando o peso em cima de mim. - SOFIA CABELLO, VOU TE MATAR! - gritei tentando alcançá-la, mas a mais nova saiu correndo enquanto Jauregui prendia meu corpo na cama com o seu peso. - Por favor, Lo... - resmungo, fazendo bico.
—Kaki não me pega, lá-lá-lá-lá-lá! - cantarolou a pequena.
A garota de olhos verdes logo sai de cima de mim, - depois de eu ameaçar morder seu braço – me deixando ir atrás da Sofia. Assim que alcanço a caçula, começo a fazer um ataque de coceguinhas nela e uma gargalhada escandalosa sai da boca da minha irmã. Assim que a solto, ela corre até Lauren, que a pega no colo.
—Então é assim? Complô contra mim? - reclamo. - Vou colocar as duas de castigo! Sofia, já pro banho! - a pequena salta do colo da garota de cabelos castanhos, correndo para obedecer minha ordem e indo até o banheiro. Logo pude ouvir o chuveiro sendo ligado. - Lauren, de você eu me vingo mais tarde!
—Ui, falou a perigótica. - ela me mostra a língua, como se fosse uma criança birrenta.
—Isso, zoa comigo mesmo. Vai ver só!
—Quem vê pensa...
—Aham... - mostrei a língua pra ela – Só pra avisar, meu pai me mandou mensagem ontem à noite. Ele perguntou se quando eu for levar a Sofia de volta pro hospital, pra ela ficar com meus pais, eu poderia levar você e as meninas junto pra ele e minha mãe conhecerem minha nova família. Prometeu que não ia falar nada para deixar a Dinah e a Normani constrangidas. - expliquei, olhando para a morena.
—Ah sim. Claro que vamos, só porque somos pessoas incríveis. Como foi lá, ontem? - coloquei meus braços em volta da cintura da Lauren, deitando minha cabeça em seu peito, a mais velha colocou suas mãos macias em minhas costas, acariciando as mesmas. Soltei um suspiro antes de começar a falar.
—Minha mãe está bem cansada e abatida. Dá pra ver a dor estampada no rosto dela. - expliquei em um tom baixo, para evitar que minha irmãzinha ouvisse. - Eu não quero perder minha mãe, Lo. - não pude conter minhas lágrimas, que rolaram pelo meu rosto e me fizeram enterrar a cabeça no pescoço da mais velha.
—Vai ficar tudo bem, Camz... - ela não queria mentir pra mim, então não poderia dizer que minha mãe sobreviveria, porque nós duas sabíamos que isso não aconteceria. Mas tudo ficaria bem, isso sim. Enquanto eu tivesse Lauren Jauregui ao meu lado, tudo ficaria bem.
—Mila! Traz a toalha por favor? - minha irmãzinha chamou do banheiro, e eu rapidamente me desvencilhei dos braços de Lauren e fui atender ao pedido da pequena, me garantindo de secar todas as lágimas com as palmas da mão.
...
—Dinah, pare de brincar com a planta do hospital, meu amorzinho. - pediu Normani, fuzilando a esposa com o olhar e carregando a voz de ironia.
—Mas ela é tão bonitinha... Né Nina? - falou para a filha, que na verdade estava do outro lado da sala de espera, brincando com minha irmã mais nova. - Ela tipo, é verde. Verde é lindo.
—Mani, o que caralhos você colocou na farofa dela? - perguntou Lauren, olhando para o casal.
Antes que a de cabelos cacheados pudesse responder, fomos chamadas para entrar no quarto de Sinu. Lauren pegou Sofia, que continuava conversando com Nina, no colo, enquanto eu carregava a outra garotinha. Normani e Dinah nos seguiam abraçadas, ato que gerou alguns olhares atravessados da enfermeira que nos chamou. Assim que entramos no quarto, minha mãe estava sentada na cama, tomando soro direto na veia. Assim que ela e Alejandro nos viram, sorriram.
A morena de olhos verdes colocou Sofia no chão, e a pequena foi correndo para o colo do meu pai, o abraçando e dando beijos em sua bochecha.
- Oi papa, oi mama. - cumprimentei, sorrindo. Os abracei, ainda segurando a Nina, dando um beijo estalado na testa da minha mãe. - Essas são Normani e Dinah, lembram delas? - apontei respectivamente para as mulheres, que sorriram acenando para os meus pais. - Essa é a Lauren.
- Prazer. - disse a menina, um pouco tímida.
- E a pequena aqui no meu colo, é a Nina. - a garotinha bateu palma, toda sorridente, e eu em seguida a coloquei no chão.
- Mamãe, a Nina é minha melhor amiga do mundo todo! - falou minha irmãzinha fazendo gestos infantis com a mão, mostrando o quanto gostava da outra.
Normani e Dinah logo foram conversar com os meus pais, que as trataram muito bem, ao contrário do que eu imaginava. Já Lauren, ficou mais quieta e falou apenas com a minha mãe. Se não a conhecesse, diria que estava nervosa. Nina e Sofi continuaram brincando e colocaram até meu pai na diversão, penteando o cabelo dele e passando o batom que a mais nova trouxe.
- Ale, você ficou lindo de batom! Combinou com o tom da sua pele e os seus olhos! - brincou minha mãe, tirando uma risada alta das crianças.
Apesar de toda a situação, considerando tudo pelo que havíamos passado e pelo que mamãe estava passando, foi uma das minhas melhores tardes. Por alguns momentos, meus pais esqueceram das diferenças que eles mesmos criaram por causa do preconceito e simplesmente me aceitaram do meu jeito. Nos aceitaram, na verdade.
—A branquela ali, a Lauren, é sua namorada? - questionou minha mãe quando eu me sentei na beirada de sua cama hospitalar. Fiquei vermelha com a pergunta, negando com a cabeça.
—Não, mãe!
—Karla Camila, eu te conheço. Dá pra ver que estão apaixonadinhas só pelo jeito que se olham!
—Mama! - olhei para ela, que me encarava com aquela expressão de não-me-engana-porque-eu-manjo. - Tá bom, a gente ficou algumas vezes.
—Algumas?
—Talvez muitas...? - respondi com incerteza das minhas palavras – A senhora tá certa, eu gosto mesmo da Lauren. Ela me faz bem, mesmo eu não a conhecendo a tanto tempo.
Minha mãe sorriu e acariciou meu rosto.
—Você estava certa, Camila. Não se precisa de um homem e uma mulher pra montar uma família. Aquelas garotas são a prova disso. - ela apontou para o casal Norminah. Dinah segurava a cintura de Normani, que ria de alguma palhaçada que a Nina e a Sofia tinham feito. - Eu queria poder viver até que você tivesse a sua própria.
YOU ARE READING
Eclipse - Camren
FanfictionCamila trouxe a luz, Lauren a escuridão. Uma dependia da outra, uma só existia pela outra. Lauren era fria, solitária e sombria como a noite. Camila era a amada, sorridente e quente como o dia. Lauren era a lua, Camila, o sol. Mas por sorte, o eclip...
