Capítulo 7

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POV Lauren Jauregui

Lauren deu quatro passos no apartamento virou-se em direção a Camila que estava encostada no balcão da cozinha e disse:

– Não é possível! Dei quatro passos em 10 segundos e já conheci toda sua casa!

Camila apertou os olhos, indignada com a piada da mais velha, fez uma careta lhe mostrando a língua e lhe entregou uma toalha.

– Para de fazer gracinhas, e se enxugue logo, antes que você fique resfriada e coloque a culpa em mim.

– Claro que a culpa será sua se eu adoecer, quem manda você morar onde o Judas perdeu as meias? Deu tempo de formar uma frente fria e cair um toró até chegarmos aqui!

– Ai que exagerada... Nem é tão longe assim, de ônibus e metrô não gasto nem duas horas.

– Nossaaaa, pertinho, aposto que uma viagem de duas horas era o máximo que você fazia nas suas viagens de férias na infância no cafundó de onde você veio.

Camila abriu a boca e tentou falar algo, emendando sílabas, mas não respondeu, engolindo a provocação.

– Acertei não foi? – Lauren zombou.

Camila jogou a almofada do sofá-cama contra o rosto de Lauren que se desviou a tempo de colher o objeto e arremessá-lo de volta, acertando em cheio o nariz de Camila.

– Aiiii. Sabia que posso te processar por agressão? – Camila dramatizou.

– Meu Deus! Uma semana de aula, quatro aulas de Madimbu e você já está com esse vício processual? Introduziram o direito direitinho em você heim...

Camila franziu a testa.

– Ei! Você é uma caipira, ingênua, não acredito que você enxergou duplo sentido na minha colocação. – Lauren disse empurrando Camila para lhe dar espaço no sofá.

– Você está falando demais em colocar, introduzir se não fosse você a falar essas coisas, entenderia como assédio sexual, seria outro processo.

– Meu Deus! Quem é você? Madimbu fez lavagem cerebral na caipira!

Camila gargalhou.

– Você é muito boba.

– Então você me processaria por agressão e assédio?

– Sim, e com meu jeitinho de moça do interior, facilmente convenceria qualquer um da sua má conduta. – Camila falou fazendo cara de anjo.

– Você não conhece o meu poder de persuasão. Alegaria legítima defesa na agressão e quanto ao assédio sexual, seria fácil convencer que foi apenas um mal entendido, que você como moça do interior não conhecia as gírias da cidade grande e entendeu outra conotação nas minhas palavras.

– Pra quem não gosta de Direito e está repetindo a disciplina básica pela quinta vez, você é bem entendida de argumentação legal.

– Alguma coisa eu tinha que aprender...

– Como você conseguiu essa façanha? Repetir cinco vezes essa matéria?

– A primeira vez que cursei, eu ainda lutava para não cursar Direito. Mal aparecia na faculdade. Não fiz as provas, não tive nem o direito de ir para prova final, na metade do semestre já estava reprovada por faltas. Na segunda e terceira vez que cursei fui para prova final precisando de meio ponto para passar, Madimbu fez questão de preparar a pior prova de todos os tempos, com uma única questão, mas, para resolvê-la eu precisaria de no mínimo oito horas, ela só me deu duas horas, o que fiz nesse tempo ela não considerou, e me reprovou. Semestre passado, eu tinha nota suficiente para passar sem precisar sequer da última prova, mas, por causa de uma falta ela me reprovou, falta que ela me deu por que cheguei atrasada. Ela conseguiu empacar minha graduação por que IED é pré-requisito pra um monte de matérias dos semestres posteriores, mas quanto a isso ela me fez um favor.

– Ela te odeia mesmo! Você não pode fazer nada? Apelar pra instâncias superiores da universidade, fazer uma queixa no departamento contra essa perseguição?

– Dois semestres atrás eu poderia, mas não o fiz, hoje é impossível.

– Por quê?

– Seria inútil, hoje ela é chefe do departamento, e membro do conselho acadêmico. Aquela vaca rosa tem prestígio até com a reitoria, seria perda de tempo.

– Que absurdo! Suas primeiras aulas com ela não começaram bem por minha causa não é?

– Pois é você tem uma dívida eterna comigo! – Lauren arregalou os olhos numa expressão de cobrança.

– Por que será que eu acho que estou em apuros devendo a você?

– Por que você está! Até já sei como você vai me pagar essa dívida.

– Ah é? Posso saber como?

– Muito simples você vai me fazer passar em IED esse semestre.

– Ha ha ha! Você só pode estar brincando. Como eu teria esse poder?

– Seja a melhor aluna de doutora Dorothea, conquiste a velha, me coloque sempre nas suas equipes de trabalho, grupos de estudo, monitore minhas faltas...

– Basicamente, ser sua tutora em IED. – Ironizou Camila.

– Isso mesmo! Captou direitinho caipira!

– Já te disseram que você é muito abusada?

– Pelo menos duas vezes ao dia, que nem remédio pra infecção intestinal.

Camila gargalhou mais uma vez.

– E por falar em tutoria, qual é a sua com o Zayn? – Lauren perguntou.

– Ah, então você é mesmo o que parece? A tutora deles? Ou a orientadora espiritual dos gêmeos?

– Estou impressionada com sua perspicácia caipira. Mas, de orientadora não tenho nada, de espiritual então... – Lauren revirou os olhos- Os meninos hoje são como irmãos pra mim, e não admito que ninguém os magoe, seja motivo de discórdia entre eles.

– E você está me acusando exatamente de que com esse olhar maligno? Acha que sou uma ameaça à paz fraternal? Acha que estou magoando seu protegido?

Leis do Destino - CamrenOnde histórias criam vida. Descubra agora