Sheila estava praticamente inconsciente quando chegou ao apartamento de Lauren. A loira acomodou a moça no sofá da sala, depois de quase empurrar goela abaixo litros de água, antevendo a ressaca da sua admiradora.
A caminho da república a angústia de Camila só aumentou. Gisela dava sinais que sua embriaguez passara do limite aceitável:
– Eu não estou bem... Sinto dor... Estou enjoada...
– Senhor pare o carro agora!
O taxista obedeceu, mas o estado da jovem não melhorara como esperado.
– Moça, é melhor levar sua amiga pro hospital, tem um daqui a duas quadras. – O taxista aconselhou.
Camila concordou, e lá permaneceu com a amiga até a madrugada dar lugar ao novo dia. Passou a noite em claro, não só por preocupação com a colega, mas, principalmente pela angústia de não conseguir falar com Lauren para esclarecer o desencontro da noite. Quando finalmente foi liberada pelo hospital, levou Gisela para república, aproveitou que todas dormiam e no mesmo táxi seguiu para o apartamento de Lauren.
Como era conhecida do porteiro, Camila subiu direto sem problemas. As insistentes batidas na porta e na campainha foram proporcionais à pressa dela se explicar com Lauren.
A fotógrafa despertou assustada, aliás, não só ela, a sua hóspede no sofá também.
Sheila praticamente desabou do sofá, amargando a ressaca previsível com a náusea insuportável. Sem conseguir identificar onde estava Sheila apertou os olhos, e pensou alto:
– Puta que pariu! Onde estou?
O mal estar da moça compôs a urgência que justificou sua eficiência em achar o banheiro naquele apartamento desconhecido, no trajeto, encontrou Lauren apressada pelo corredor, esfregando os olhos, trajando apenas uma camiseta surrada e um short minúsculo, a loira abriu a porta, se deparando com Camila que ansiosa se precipitou em suas desculpas:
– Laur eu vim assim que pude, precisava te explicar pessoalmente, aconteceu tanta coisa...
Camila falava atropelada até ser interrompida pelo barulho do que parecia alguém derrubando vidros no chão. Sem cerimônia Camila forçou a entrada, adentrando no apartamento. Qual não foi sua surpresa, melhor dizendo, sua desilusão, ao encontrar no corredor, Sheila envolvida em apenas uma toalha.
Lauren não teve tempo de sequer tomar ciência do quanto aquele cenário a incriminava, ao menos conseguiu discernir a sua suposta culpa, e antes que fosse forçada pelas circunstâncias a pronunciar o clichê: "Não é nada disso que você está pensando", viu Camila lhe encarar por milésimos de segundos com lágrimas nos olhos, balançando negativamente a cabeça, demonstrando sua mágoa pela dedução feita, agora a loira se dava conta do que aquela confusão se transformara aos olhos de Camila. Mas, não havia mais tempo ou clima, espaço ou justificativa para explicações.
Camila bateu a porta com violência deixando o apartamento e mais uma chance de reiniciar seu entendimento com sua amada. Lauren permaneceu inerte. Não por falta de vontade de escutar as explicações de Camila e passar por cima de tudo para retomar o namoro, não pela ausência de motivos para não permitir que ela se afastasse alargando o fosso existente com mais um desencontro. Lauren não se moveu por lhe faltar energia para mais uma discussão, sentia-se fatigada de lutas e concluiu interiormente:
– Ela não viu nada e tirou a conclusão sozinha, não vou lutar para que ela acredite em mim.
Sheila ainda aturdida com o que testemunhara acrescida a sua ressaca se limitou a explicar o que não sabia se tinha importância aquela altura.
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Leis do Destino - Camren
RomanceSinopse Camila, menina do interior que sempre foi muito certinha. Filha de família classe média, mas muito dedicada. Sempre estudiosa e trabalhadora conquistou com muito esforço o que mais almejava pra sua vida, uma vaga na tão disputada faculdade d...
