Atentado

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– Você está pensando que aceitei a sugestão dos meninos pra te forçar a nos assumir? Está louca! O mundo não gira em torno de você sabia? Ou você acha que me sinto segura com o Shaw em liberdade só porque está sendo processado? Você melhor do que ninguém sabe que nem meu sono é mais tranquilo depois do que aconteceu, o fato de ter sempre amigos ao meu lado é motivo suficiente para aceitar a proposta deles, já que minha namorada não pode estar comigo fora desse mundinho aqui!


– Se o que estou te dando é pouco, não passa de um diminutivo, um "mundinho", é melhor mesmo você se apressar em arrumar suas coisas, deve estar ansiosa pra se libertar dessas paredes...


Lauren bateu a porta do quarto com força, se trancou ali amargando um sentimento que nunca experimentara: insegurança. Mais que isso, medo. Medo da perda. Aliado a uma mágoa inexplicável, por se sentir excluída da vida de alguém que ela só desejava estar perto todo tempo.

Camila se jogou no sofá como se o peso do olhar marejado de Lauren caísse sobre seus ombros de maneira arrasadora. Se por um lado se sentia no direito de estar chateada pela resistência da namorada em assumir o namoro delas, por outro, sentia a culpa nublar o bom senso necessário para tomar decisões naquele momento. Sentia-se culpada por ter escondido quase que inconscientemente o arranjo feito por Harry e Zayn para sua nova casa.

O silêncio entre as duas se estendeu pela tarde, se configurando em um desafio de forças, nem uma nem outra queria dar o braço a torcer, nem ao menos sabiam como administrar o conflito instalado.

Camila deu o primeiro passo, mas não em busca da reconciliação. Lembrou-se que a imobiliária que administrava seu apartamento era perto dali, optou pela racionalidade, e saiu em busca de informações, imaginando que não seria fácil quebrar o contrato assinado pelo pai. E como supôs, a multa rescisória era absurda, não teria como consegui-la com seus pais sem dizer a verdade, o que provavelmente comprometeria a permanência dela na capital.

Voltou ao apartamento de Lauren no final da noite, interiormente decidira não retomar às cobranças para tornar publica a relação delas, assim, julgou mais sensato deixar a casa da namorada, voltando para o seu pequeno apartamento.

Lauren andava de um lado para o outro na sala, relutando em ligar para Camila. A angústia foi maior que seu orgulho, quando finalmente discou o número da namorada ouviu o barulho da maçaneta.


– Camila! Onde você foi? Sozinha?


– Calma, fui aqui perto.


– Posso saber onde? – Lauren falou mansamente.


– Fui até a imobiliária, ver como fica a rescisão do contrato de aluguel...


– Então você está mesmo decidida...


Lauren falou com tom triste.


– Precisava de informações práticas, para decidir, e decidi.


– Decidiu?


– Vou voltar para meu apartamento. A multa rescisória é muito alta, meus pais não vão querer pagar e aumentar as despesas dividindo a casa com as meninas.


– Mas... Por que voltar para seu apartamento? Não te expulsei daqui! Eu só estava magoada, com a cabeça quente...


– Ei...


Camila interrompeu Lauren, tocando os lábios dela com sua mão delicadamente.


– Eu sei que você não me expulsou. E entendo por que você se sentiu pressionada... Mas, não tive essa intenção, estou sendo honesta.

Leis do Destino - CamrenOnde histórias criam vida. Descubra agora