POV Lauren Jauregui
Em exatos vinte minutos, Camila estava pronta. Calça jeans justa, camiseta de alça, tênis, com um moletom nas mãos. O visual da novata apesar de simples e nos padrões de meninas da sua idade, para Lauren se apresentou como figurino da sensualidade, delineando suas formas tão femininas.
– Vamos?
Lauren acenou em acordo. Parou em sua casa no trajeto:
– Não demoro, prometo só jogar uma água no corpo, trocar de roupa e pegar meu material.
Ao contrário da quitinete que Camila morava, o apartamento de Lauren era bem mobiliado, organizado, bem ventilado, com uma varanda na sala. Bem ao estilo dela. Decoração clean, sofá espaçoso, pilhas de CDs próximo a uma aparelhagem de som moderna, e nas paredes uma exposição de fotos de paisagens, rostos, objetos, todas de muito bom gosto, bem produzidas.
– Fique à vontade caipira, prometo que não demoro mais de dez minutos.
Olhando em volta, Camila percebera que a realidade financeira da morena skatista, era bem diferente da sua. Como prometera Lauren não demorou.
– Já voltei! Demorei mais de dez minutos?
Camila saiu de sua distração para balançar a cabeça negativamente.
– Vamos? – Convidou Lauren.
– Não sei bem pra onde, mas vamos.
Lauren sorriu, e caminhou em direção á porta, Camila esbarrou em uma escultura, e por pouco não espatifou a obra de arte no chão.
– Desculpa Lauren. – Camila disse sem graça.
– Relaxa caipira, não seria um grande prejuízo não. Era só pedir a escultora ela faria outra pra mim.
– Nossa que moral que você tem! O que o dinheiro não faz, hum?
Lauren ficou séria, e Camila percebeu que abusou da ironia no comentário.
– Minha moral com a escultora não tem nada haver com dinheiro, até mesmo porque o dinheiro não é meu, é da minha família.
– Eu não quis ser desagradável Lauren, desculpe-me.
– Vamos esquecer isso, a gente está perdendo tempo aqui.
Em uma cidade repleta de paisagens tipicamente urbanas, não foi surpresa o destino das duas. Lauren levou Camila a um dos poucos parques naturais de NY: o Central Park..
Lauren abriu sua mochila e montou sua câmera sofisticada rapidamente, e como se cumprisse uma missão, não parou de clicar a paisagem, as pessoas, sob o olhar atento de Camila.
Camila estava mais interessada na veneração de Lauren à fotografia, do que propriamente à bela paisagem. Sentou-se na grama e observou cada movimento, expressão e olhar da morena. Lauren passou mais de uma hora fotografando sem parar, por momentos se afastou de Camila, até enfim sentar ao seu lado na grama e voltar ao seu comportamento normal.
– E aí caipira? Gostou da surpresa? Esse é o máximo de mato que você vai encontrar em NY, deu pra matar as saudades?
– Até parece que você veio pra cá pra me agradar... Estava praticamente em transe enquanto fotografava.
– Fotografia é minha paixão, por causa dessa paixão suporto o Direito.
– O que tem Direito com fotografia?
– Nada! Esse é um dos motivos pelos quais odeio tanto Direito.
Camila sorriu e insistiu:
– Então, pode me explicar?
– Meus pais nunca aceitariam me manter longe deles, na verdade meu pai, pra estudar fotografia. Decidi prestar vestibular pra Direito aqui em NY porque aqui, além de estar a quilômetros de distância da vigilância de meu pai, ainda é a cidade onde tem os melhores cursos de fotografia do país. Por isso enrolo tanto a faculdade, preciso me profissionalizar em fotografia, juntar uma grana pra me especializar fora do país, poder me manter, viver de foto, e não depender mais dos meus pais.
– Agora entendo... E eles apoiam você estudar Direito?
– Completamente. Desde criança colocam isso na minha cabeça. Meu pai é um apaixonado por leis, as conhece profundamente mesmo que seja só para passar por cima delas com sua empáfia e moral deturpada, eu acho que por ele, latim não era língua morta, vive com expressões em latim na ponta da língua, que ele parece ter aprendido na faculdade, mas nunca frequentou uma.
– Ah, ele então é da área?
– Você não sabe quem é meu pai? Sério?
– Eu deveria saber?
Lauren ficou sem graça e mudou de assunto rapidamente.
– Está com fome?
– Nem vi as horas passarem... Acho que já é hora de almoço não é?
– Eu esqueci a cesta de piquenique...
– Sério? Você ia trazer uma cesta de piquenique? – Camila perguntou surpresa.
– Caipira só você mesmo... – Lauren gargalhou – Olha minha cara de quem faz piquenique no parque.
Camila mostrou a língua para a outra, numa expressão completamente infantil.
– Vamos almoçar, estou faminta!
O contato das duas na moto despertava sensações desconhecidas para Camila. Não sabia explicar, mas o corpo de Lauren tão perto do seu, depois de conhecer uma face diferente da morena, menos pretensiosa, mais sensível, Camila se via incapaz de sentir outra coisa que não fosse carinho e admiração por ela, mas o carinho e a admiração eram confusos, escondiam sentimentos inéditos, que a menina do interior não se preocupava em decifrar, queria apenas desfrutar da companhia de Lauren, sentir seu cheiro, olhar em seus olhos, escutar sua voz, rir com seu jeito despojado, ou simplesmente se encantar com as diversas faces que ela revelava.
Almoçaram em um restaurante de comida regional, Lauren não se cansava de provocar Camila, que nem ligava mais pras piadas as quais era alvo. A afinidade entre as duas era inegável, apesar de serem opostas em planos, gostos, e histórias de vida.
As horas passaram rápidas, e no final da tarde Camila se viu obrigada pelo seu excesso de responsabilidade a por um fim no seu sábado de folga.
– Lauren, eu preciso voltar pra casa, tenho um trabalho de filosofia pra fazer...
– Ah para com isso caipira! Filosofia?! Você escreve qualquer besteira e o professor vai achar super profundo! Filosofar é entrar em um quarto escuro, de olhos vendados e ainda conseguir achar um pontinho branco lá!
– Posso usar essa definição no trabalho?
– Fique à vontade! Imagina dispensar minha companhia pra filosofar!
Camila riu. E quando se preparavam para um novo passeio, para um rumo desconhecido, outra tempestade surgiu, Lauren acelerou a moto para seu apartamento, já que era mais próximo dali.
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Leis do Destino - Camren
RomanceSinopse Camila, menina do interior que sempre foi muito certinha. Filha de família classe média, mas muito dedicada. Sempre estudiosa e trabalhadora conquistou com muito esforço o que mais almejava pra sua vida, uma vaga na tão disputada faculdade d...
