A Casa dos Savoy

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Eu cavalgava no mesmo cavalo que minha mãe, logo atrás do Conde Dante Savoy. O brasão bordado em dourado reluzia contra a capa azul-marinho que cobria suas costas.

Savoy. Um nome antigo. Um nome pesado.

Minha mãe sempre dizia que os nomes carregam histórias — e disfarces. O nosso, Ashdown, vinha das florestas. Raízes profundas, antigas e misteriosas.

As bisavós por parte de mama vieram do outro lado do oceano. Mas muito antes disso... havia sangue Inglês e Espanhol.
Ela me ensinara algumas palavras desde pequena. Eu adorava quando cantava canções antigas, enquanto mexia nas ervas. Me fazia sentir parte de algo muito maior.

Será que a filha dele também sabia Espanhol?
Ou talvez... eu pudesse ensinar o pouco que eu sabia.

Naquele momento, imaginei uma garota de olhos grandes e curiosos, como Sofia. E me peguei torcendo para que ela sobrevivesse. Mesmo sem conhecê-la.

— Está tudo bem? — mama sussurrou ao meu ouvido.

Assenti com a cabeça.

— Quero que você fique perto de mim o tempo todo. E não converse com ninguém, tudo bem?

— Tudo bem, mama... — respondi. Não era como se eu fosse sair por aí sendo simpática com todo mundo.

Aparentemente, o conde tinha vindo sozinho. E, pelo horário, provavelmente às escondidas. Cavalgamos por mais algum tempo, até que o topo da enorme mansão surgiu entre as árvores.

Contei doze janelas coloniais apenas na fachada. Três de cada lado da porta principal, e outras seis no andar de cima. A luz da lua iluminava parte do jardim, mas eu não consegui prestar atenção nos detalhes. 

Estava concentrada demais no que vinha a seguir.

Mama desceu do cavalo, e me ajudou logo em seguida.

Um homem alto e magro já aguardava o conde à porta. Foi ele quem abriu o caminho.

— Por favor, me sigam — disse, ofegante.
Pelo tom da sua voz, o estado da filha do conde devia ser mesmo desesperador.

Subimos dois lances de escada e cruzamos vários corredores. Eu tinha certeza de que não saberia voltar sozinha.

Conde Dante parou diante de uma porta de madeira trabalhada, com desenhos entalhados e acabamento envernizado. Seus olhos encontraram os de mama.

— Faça o que for preciso. Mas salve minha filha.

Ele abriu a porta.

O quarto era maior do que toda a nossa casa. Bem iluminado por candelabros e lamparinas. No centro, uma enorme cama de lençóis de seda envolvia um corpo frágil.
Num canto, uma mulher muito bem vestida observava tudo em silêncio. Duas servas estavam a seu lado, todas nos encarando com expectativa.

Salve minha filha... — sussurrou ela.

Acompanhei mama até a beira da cama. E pela primeira vez, vi a garota.

Os olhos estavam fechados, a expressão de dor.
Sua pele branca estava avermelhada, as bochechas queimando de febre. Os lábios rachados e secos. Gemia e murmurava palavras desconexas.
Estava... muito mal.

— Cateline, os panos. — mama pediu, e eu corri até a bolsa.

— Preciso de uma bacia com água — disse em voz alta e uma das servas saiu do quarto imediatamente.

Vi mama puxar as cobertas e afastar as roupas de baixo da garota. Me aproximei com os panos nas mãos e, curiosa, olhei para sua perna.

Corri os olhos pela pele pálida da coxa.
— Mama... isso está mal — sussurrei.

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