A Rosa de Ellena

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Minha mente começou a trabalhar a mil por hora. Eu precisava ser rápida ou perderia minha irmã.

Mesmo com o desespero fazendo meu corpo tremer violentamente, me joguei de joelhos e segurei as bochechinhas da Sofi com uma das mãos.

— Abre a boca — ordenei com a voz trêmula. Ela atendeu imediatamente, provavelmente porque minha feição revelava um desespero absoluto.

Enfiei um dos dedos em sua garganta, tentando provocar o vômito. Segurei sua nuca e forcei o corpo dela para a frente. Sofia tentou afastar minhas mãos, mas eu era mais velha — e mais forte.

— Você precisa vomitar isso, Sofi! — gritei, apavorada. — Isso faz muito mal!

Ela pareceu entender. Fez força, e logo seus olhos se encheram de lágrimas. Um som gutural escapou de sua garganta e eu já sabia o que estava por vir.

— Isso, vomita... — murmurei, formando uma concha com a mão diante de seu rosto.

Rapidamente recebi todo o conteúdo do seu estômago. Um bolo quente de cogumelos e suco gástrico. Vasculhei entre aquilo com a ponta dos dedos até encontrar...

— Achei! — gritei aliviada, segurando a pequena bolinha escura e viscosa, completamente intacta. Ela não havia mastigado. Por um milagre.

Sofia vomitou novamente e chorava baixinho, mas agora eu estava mais calma. Sabia que ela não corria mais perigo.

— Vem cá — peguei-a no colo. Ela deitou a cabeça em meu ombro.

Fui com ela até o riacho. Sentamo-nos na margem. Lavei minha mão, peguei um pouco da água e passei em seu rosto. Lavei também suas lágrimas e fiz um leve carinho.

— Você me deu o maior susto da minha vida todinha — suspirei pesadamente.

— Desculpa, Cat... — ela disse entre soluços. Sua voz tremida fazia meu coração apertar.

— Eu não posso te perder, nunca — falei, abraçando-a com força. Mas havia algo estranho... uma sensação de que uma mão invisível apertava meu peito com força.

Voltamos pelo caminho em silêncio. Quando nos aproximamos da casa, pedi que Sofi não comentasse nada com a mama — e ela concordou. Se descobrisse, mama poderia brigar comigo e me proibir de sair pela manhã.

Assim que toquei a maçaneta da porta, o cheiro de bolo de banana invadiu minhas narinas. Meu favorito!

Entrei apressada e dei de cara com minha mãe segurando o bolo... e um homem sentado à mesa. Reconheci-o de imediato.

— Sir Eric!!! — gritei, correndo até ele.

— Ora ora, se não é minha garota favorita! — respondeu enquanto me abraçava forte e beijava minha cabeça. — Uau, Como você está crescendo rápido, Cateline... cada dia mais linda.

Afastei-me dele sorrindo, envergonhada. 

Ele não fazia ideia do quanto eu o adorava.

— Sofia, cumprimente o Sir Eric— disse mama.

Olhei para Sofi, que me encarava com uma expressão emburrada. Mesmo contra a vontade, ela se aproximou e fez um gesto com a cabeça.

Eu nunca entendi por que Sofi não gostava do Sir. Ele era tão educado, divertido... tão gentil!

— Então, Cat... daqui a uma semana você completa 13 anos! Já é quase uma moça feita, Logo logo vai ter pretendentes batendo na porta. — disse ele, sorrindo. Notei quando puxou um embrulho de dentro da bolsa e me entregou.

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