O Refúgio das Bruxas

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- Chegamos pequena - Thalia me colocou no chão e eu olhei em volta.

Tínhamos andado para dentro da floresta densa e em nenhum momento eu questionei se, talvez, elas iriam me sacrificar para alguma coisa, na verdade eu não me importava mais com nada.

- Isso é a sua casa? - perguntei e não percebi que fui grosseira.

- Algum problema com ela? tem paredes, teto, janelas como qualquer outra casa - Mirabel falou tentando abrir a porta de madeira que parecia emperrada - Vai Thalia, eu seguro o trinco e você empurra.

Elas pareciam habituadas a fazer isso e logo a porta estava aberta, eu olhava curiosa para o interior escuro tentando imaginar o que eu poderia encontrar ali dentro, aquilo não era uma casa, era uma cabana de madeiras velhas, e eu duvidava que aquilo aguentaria fortes chuvas.

Thalia fechou a porta atrás de nós, afastando o mundo lá fora com um rangido seco. O som ecoou na cabana escura como o bater de uma sentença.

— Cateline — disse ela, colocando a mão leve no meu ombro —, essas são as mulheres que vivem aqui. Quero que você conheça cada uma.

Meus olhos deslizaram pelo espaço apertado, onde cinco figuras femininas me observavam com expressões diferentes — algumas curiosas, outras fechadas, todas... perigosas à sua própria maneira.

— Essa — disse Thalia, indicando a mulher no centro da sala — é Morganna Blackridge.

Aquela mulher não precisava de apresentações.
Alta. Imponente. Cada fio de cabelo branco parecia uma coroa de neve sobre a cabeça ereta. Seus olhos escuros, profundos como abismos sem fim, cravaram-se nos meus, lendo cada pedaço que eu tentava proteger.

Eu não sabia se devia me curvar... ou correr.

— Morganna é nossa guia — disse Thalia. — Ela nos protege. E nos ensina.

Eu apenas assenti, sem conseguir romper o fio gelado que parecia me amarrar ao olhar dela.

— Aquela ali é Lys Draycott — continuou, apontando para a mulher que estava meio encostada na parede, como quem jamais relaxava completamente.

Os cabelos ruivos cortados curtos pareciam chamas desafiadoras ao redor de seu rosto marcado. Cada cicatriz contava uma história que eu não queria conhecer de perto. Seu corpo musculoso e pronto era como uma arma viva, e seus olhos — atentos, desconfiados — avaliavam cada movimento meu.

Pelo instinto de sobrevivência, percebi: Lys seria a primeira a levantar se algo desse errado.

— Lys é nossa força — disse Thalia, como se respondesse ao meu pensamento. — E também nossa fúria, quando necessário.

Engoli em seco.

Thalia então apontou para a mulher corpulenta que sorria para mim do outro lado da sala.

— Hesta Windmere — apresentou com uma reverência leve na voz.

Hesta tinha o rosto redondo e corado, os olhos pequenos brilhando com uma gentileza quase dolorosa. Ela parecia uma daquelas mulheres de vilarejo que faziam tortas quentes para crianças famintas. Mas eu sabia, no fundo, que ninguém aqui era só o que parecia ser.

Seu sorriso era tão acolhedor que, por um instante ridículo, quase corri para me jogar nos braços dela.

— Hesta cuida de todas nós — disse Thalia, e o brilho orgulhoso em seus olhos era impossível de ignorar.

Em seguida, Thalia moveu a cabeça na direção de uma figura deitada sobre algumas peles velhas no canto mais escuro da cabana.

— Essa é Elowe Thornefield.

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