Capítulo Quatro

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Demorou um pouco para ficha cair, e quando compreendi tudo o que tinha acabado de acontecer abracei meu pai fortemente, as lágrimas já se formavam nos olhos, eu tentava segurar, mas estava difícil, algumas lágrimas teimosas insistiam em descer. Olhei para o meu pai como se estivesse pedindo desculpas por ter causado todo esse transtorno. Era visível no seu rosto um olhar triste e ao mesmo tempo compreensivo, no qual dizia que a culpa não era minha. Dei um beijo na sua bochecha e subir em direção ao meu quarto, passei pela porta do quarto do Gustavo e fiz menção de entrar, mas desistir e caminhei para o meu quarto.
A minha cabeça doía muito, e ao fechar a porta deixei as lágrimas caírem de uma só vez, uma dor enorme me invadiu, eu não entendia o porque, o porque do Gustavo não gostar de mim, o porque dele achar que eu sou a "preferidinha" entre os meus pais, ele tem tudo, tem amigos, vida social, todas as garotas que quiser ao seus pés, e tem sim o amor dos nossos pais, mas e eu em? Não tenho ninguém de verdade, ninguém que eu possa confiar, desabafar, chorar.
Ainda chorando muito fui em direção ao banheiro, determinada a acabar ou pelo menos diminuir essa dor que estou sentindo. Abrir o armário do banheiro e tirei do fundo o meu velho e amigo bisturi, o mesmo que vem amenizando as minhas dores praticamente todas as noite. Com ele fiz o primeiro corte, e olhando o sangue escorrendo por ali fiz o segundo, depois o terceiro, quarto, e assim foi até que em um momento comecei a me sentir fraca, olhei para os meu braço que já estava coberto do fluído vermelho, no chão uma pequena poça de sangue se formava, foi quando minha visão começou a escurecer, e antes de eu apagar de vez eu pensei "será que eu conseguir? Será que agora todos os meus problemas terão fim?".
Acordei deparando-me com uma forte luz branca no rosto, minha visão de início estava embaçada, demorei um tempo para identificar que aquilo ali era um quarto de hospital. Olhei para o lado a procura de alguém e ele estava lá, o Gustavo estava lá, com uma cara de preocupado? "Será? Não, com certeza não, ele te odeia com certeza não estaria preocupado com você" meu subconsciente falava. Quando o Gustavo me viu acordada deu um pulo da poltrona onde estava sentado e veio em minha direção.

— Graças a Deus que você acordou! - Ao ouvir isso dei um sorriso. Será mesmo possível ele estar preocupado comigo? - Não aguentava mais ter que ficar aqui assistindo a todo seu drama. - Meu sorriso desmanchou na hora, não acredito que ouvir isso, mais uma vez meu irmão, que deveria ser meu companheiro, me julgando, eu realmente não entendia e nem aguentava mais toda aquela situação.

— Cadê o papai ou a mamãe? - Ignorei seu comentário e perguntei.

— Estão na sala do médico, foram ver os resultados de alguns exames seu, vou chama-los. - Assenti e virei o rosto para a janela, pela primeira vez percebir que ali chovia, as gotículas de água que escorriam a janela junto com as luzes dos carros que brilhavam lá fora formavam linda visão, daquelas que você nunca repararia se estivesse lá do outro lado da janela, naquele enorme trânsito congestionado.
Não demorou muito para que minha mãe, meu pai e o Gustavo chegarem acompanhados de um médico e uma enfermeira.

— Filha que bom que você acordou, você está louca ou o que? Que susto. Nunca mais faça isso, está me entendendo? - Minha mãe falava de forma aflita. Apenas dei um sorrisinho sem graça e balancei a cabeça.

— Não sei as causas que te levaram a fazer isso mocinha, mas isto é grave, auto mutilação pode ser o indício de muitos outros problemas, principalmente a depressão. - O médico velhinho, Dr. Alberto, que acompanha a minha família a anos falou. - Mas graças a Deus dessa vez não foi nada muito sério, não atingiu nenhuma veia ou artéria importante, seu desmaio ocorreu por conta da perda de sangue um tanto que elevada, mas amanhã você já poderá ter alta, só ficará essa noite para observação. - Eu ouvia tudo atentamente, mas sem ligar muito, afinal eu tinha meus motivos de não querer estar ali, viva.
Olhei para o meu pai que observava tudo calado e sorri, ele devolveu o sorriso de forma sutil. Talvez ele soubesse o porque de eu ter feito isso, talvez minha mãe também, talvez todos soubessem, só não queriam aceitar ou associar, não sei.
Passei a noite no hospital conversando coisas aleatórias com meu pai, já que minha mãe tinha ido para casa com o Gustavo, pois amanhã ele teria aula e ela teria que resolver uma pendências no trabalho, eu e meu pai decidimos não tocar mais naquele assunto, como forma de esquecer o que se passou, mas nós dois sabemos que seria algo completamente difícil. Rimos de alguns programas idiotas que passavam na televisão do quarto até que peguei no sono. Acordei com um barulho de conversa no quarto e vi que o Dr. Alberto estava ali assinando uns papéis junto a meu pai que quando me viu sorriu.

— Hora de ir para casa princesa Sophie. - O velhinho riu, possivelmente por conta do apelido, aliás tenho certeza que foi isso. Sorri para o meu pai e o médico. Fui me levantando devagar, pois ainda me sentia um pouco fraca, pegando umas roupas que estavam no braço da poltrona e indo ao banheiro para me trocar e sair desse hospital.

                              Notas Finais

* Capítulo revisado - mas possa ser que haja uma outra revisão futuramente ;) -
* Comentem o que acharam, e se gostaram dêem estrelinha.
* Lembrem-se que opiniões/críticas (construtivas) são importantes e serão sempre bem vindas.

                 *Boa leitura unicórnios ❤*

A Nerd da Sala ao LadoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora