POV EMILLY
Como eu sentia falta de ter o Marcos tão pertinho, de ter o meu bem comigo, mas talvez não era pra ser. Recebi uma mensagem dos céus, aquele beijo não era pra acontecer. Digo isso porque meu celular tocou, aquilo com certeza era um sinal, me afastei do Marcos assustada pelo toque e atendi.
- Oi paizinho- disse envergonhada pelo que acabou de acontecer, foi só uma ligação, mas sentia que meu pai acabara de me pegar no flagra.
- Oi minha princesa, tô te ligando pra avisar, que o pai vai dormir no Osvaldo hoje- ele dizia empolgado, eu nem prestava muita atenção, eu e o Marcos não tirávamos os olhos um do outro - fomos pescar e o pai deu um show hoje, peguei um daqueles, vamos assar aqui, tá bom ?
- aham, aham, tudo bem papito, boa noite, beijos-disse quase desligando o telefone na cara dele, nos despedimos e desliguei.
Quando desliguei o celular, Marcos me olhava com aquela cara de louco que eu tanto amava. Ele tentou se aproximar de novo, mas eu o afastei, cai na real, aquilo não era pra acontecer.
- É melhor eu ir embora, amanhã gravo cedo e já está bem tarde- disse arrumando um pretexto pra sair dali. Eu não queria realmente sair, mas eu que sou só coração, resolvi escutar minha razão, pelo menos hoje.
- Eu te levo- ele se ofereceu- tá tarde pra você andar sozinha por aí, faço questão- ele disse baixo, acho que não queria que eu fosse embora.
A caminhada até minha casa era curta, mas parecia uma eternidade devido ao silêncio entre nós. Estávamos tão envergonhados pelo quase beijo, que mal nos olhávamos agora.
POV MARCOS
Aquele telefone tinha que tocar justo quando estávamos tão pertinho, porra! Ela deve ter se arrependido, mal olha pra mim agora. Me ofereci pra levá-la, queria ficar pertinho dela. Chegamos em seu apartamento, o porteiro nos cumprimentou sorridente. Ele me reconheceu, disse que torceu por nós e que admira meu trabalho, fiquei feliz. Fui surpreendido pela Emilly me convidando pra subir.
- Quer subir pra conhece aonde eu moro ? - ela perguntou por educação, mas eu estava louco de curiosidade de ver a casa dela. Queria ver se tinha ainda recordações do seu novo falecido, ou lembranças minhas, tinha esperança nisso.
- Se não for incomodar, sim - ela me olhou surpresa, provavelmente achou que eu fosse negar.
Subimos as escadas da portaria e fomos em direção ao elevador. Notei seu desconforto em estar ali, naquele ambiente comigo. Esse lugar trazia lembranças pra ela e pra mim, a minha infantilidade extrema e o meu desespero pra chamar atenção dela com aquelas malditas fotos.
Entramos em seu apartamento, observei bem o lugar, era lindo, de muito bom gosto. O apartamento era invertido, o andar de baixo ficavam os quartos, banheiros e uma pequena sala de jantar. Ela me mostrou cada detalhe, desde os móveis até a decoração. Sorri ao ver quantas corujas haviam ali, ela disse que lembravam sua mãe, se emocionou me dizendo isso. Eu lembrei de quantas vezes ela chorou em meus ombros falando da mãe, eu adorava esse seu lado frágil, era encantador. Ela me mostrou seu quarto, observei com atenção, quantas vezes já não imaginei estar aqui com ela. Era muito maior do que eu pensava, havia um closet ali também e um pequeno escritório ao lado. Ela me mostrou suas fotos bebêzinha ao lado de Mayla, sua mãe, suas cartas e presentes dos fãs. Olhei pra sua penteadeira e notei a pequena escultura de sabão que fiz pra ela. Ela me olhava sem graça, tentando explicar que a achou ontem. Não me importei, explodi de felicidade mesmo assim, ela guardou todo esse tempo, isso bastava.
Subimos as escadas e no andar de cima, se encontra a cozinha, sala e a varanda, tudo muito organizado e limpinho. Aquele ambiente me fez muito bem.
Emilly me levou a varanda, me mostrou a pequena piscina, as flores naturais e a sacada. Ficamos lá, parados observando a vista.
- Você tem uma bela casa, um bom gosto pra decoração - ela gostou do que ouviu, me agradeceu com um sorriso lindo.
Ela me contava animada, como escolheu a casa, os móveis, cada detalhe. Eu a admirava, vidrado em cada movimento que ela fazia, em cada palavra que ela dizia, ela é tão linda... como eu a deixei escapar ? Talvez não seja tarde, eu posso concertar, sei que posso. Não pensei muito, apenas segurei sua nuca, interrompendo sua fala e a beijei, sem dar tempo dela reagir. Nossos lábios se tocaram finalmente, depois de tanto tempo, isso é foda, essa sensação de ter sua boca na minha é inexplicável. Eu adentrei meus dedos em seus cabelos, quando ela deu passagem para a minha língua. Nos embalamos no beijo, completamente entregues, nos beijávamos com tanto desejo, com tanta vontade, parecia que o mundo tinha parado ali, pra nós. Eu estava no paraíso, sentindo aquela boca na minha de novo.
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Second Chance
Фанфіки1 ano depois Emilly e Marcos tem o tão esperado reencontro, mas será que o destino ainda os quer juntos ? Afinal a vida de ambos de certa forma seguiu...
