Entre traços, beijos e abraços

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Camille

Passando pelas rua a caminho do trabalho, aprecio as decorações. Adoro o mês junino e tudo que lhe vier agregado.
Bandeirinhas coloridas enfeitam as ruas, fachadas de lojas usam e abusam dos enfeites de palha, tais como chapéus, abanos. Toda decoração tem um quê festivo.
Tudo que envolva o São João me agrada. As comidas então, como não amar o milho e todas as maravilhas que vem dele?!

Chegando na Line, bandeirinhas e balões enfeitam as portas.
Entro e já vou direto para minha sala.
Dou uma olhada no celular para ver se Johnnie respondeu minha mensagem, mas não tive sucesso.

Graças a Deus ele já está bem recuperado do pé, mas ainda não pôde voltar a trabalhar. Ele já veio pra cá apenas para passar o dia com a gente, jogar conversa fora, e segundo ele, qualquer coisa era melhor que ficar em casa.

Permanecemos com as trocas mensagens. Eu sempre quero saber como ele está, se a recuperação estava indo bem e ele sempre perguntava como foi meu dia no trabalho.

Provavelmente daqui uma ou duas semanas ele estará liberado do uso da bota. E dependendo da avaliação do ortopedista, será necessário algumas sessões de fisioterapia!

Assim que sento na cadeira, ouço uns passos atrás de mim, em seguida, duas mãos enormes tapam meus olhos!

- O que você está fazendo aqui a essa hora? - perguntei já sabendo de quem era aquelas mãos!

- Bom dia pra você também! - Johnnie respondeu rindo enquanto se apoiava - quase sentando-se - na minha mesa, pôs a mão no bolso e retirou o celular fazendo parar a música que estava tocando. Coincidentemente era a mesma que tocava quando estávamos no parque. Admito que as vezes também me pego ouvindo ela. Me faz bem ouvi-la.

- Bom dia!! Como você está, hein? - abracei-lo.

Faziam poucas horas que tínhamos conversado, mas eu sentia essa necessidade de sempre perguntar como estava.
Essa noite ficamos até umas 2:00 da madrugada jogando conversa fora. E confesso que tem sido o meu passatempo preferido, mesmo que no dia seguinte tenha que abrir uma batalha contra o sono.

- Estou cada dia melhor! E no aniversário do Fábio já estarei até pulando!

Ah, já tinha até esquecido. Nosso colega ficará mais velhinho agora no final do mês. E fomos todos convidados a comemorar com ele. Será na casa de sítio da sua vó.
Sabe casa de vó como é, comida que não acaba mais, e o aniversário dele sempre é comemorado com o tema junino. Então já dá para ter uma noção do que vamos encontrar; bolo de milho, pamonha, pé de moleque.

- Hoje vou passar o dia com vocês! Terão que me aturar. - ri- Quando você subiu, Fábio já tinha chegado?

- Já, sim. - respondi enquanto pegava um café. - Ele estava conversando com os meninos!

- Vou lá rapidinho. - começa a sair e pára apontando para minha gaveta - Tem uma coisa para você aí dentro!

- Ok! - respondo com um meio sorriso. Ele pisca o olho e vai embora.

Abro minha gaveta, curiosa. Tem um papel enrolado, e uma rosa vermelha presa a ele com um barbante.
Mais uma rosa, novamente ele me deu uma rosa. No início do mês passado também ganhei, mas não imaginei que traria novamente. Essa já era a terceira.
Ele nem imagina o quanto fico boba com esse gesto.

Pego o papel e desato o barbante, meus olhos inundaram de lágrimas numa velocidade luz ao ver o desenho.
Ele já tinha me falado que gostava de desenhar, só não imaginei que fosse tão perfeito assim. Cheio de detalhes, cada expressão, cada movimento, cada curva, tudo estava em perfeita harmonia.
Um artista oculto que o mundo deveria conhecer. Mas eu era a única sortuda que tinha sua arte nas mãos, e só o que sabis fazer era admirar, contemplar e agradecer.

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