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Os dias foram se arrastando e Susie ainda não havia descoberto os segredos que o livro carregava.
   Secrets of The Dark. O que queria dizer? E por qual motivo o nome do livro também não estava escrito naquela linguagem morta?
  Sim. Para me matar de curiosidade. Se eu não tivesse visto o nome, talvez não estivesse tão interessada. 
  Mesmo pesquisando em livros e internet, nada encontrara. Ninguém mais no século XIX sabia falar uma linguagem daquela. Um pensamento passou por Susie do qual a fez recuar e tentar não pensar nessa possibilidade. Pedir ajuda para Taylor seria a ultima coisa que Susie pretendia fazer, mas suas opções estavam acabando. Com certeza Taylor sabia como decifrar esse enigma, mesmo depois de tudo, ela ainda não confiava em Taylor e não sabia se era uma boa ideia pedir ajuda. Passados trágicos qualquer um pode ter. Ok. Ela matou o pai a facadas depois que ele matou toda a família... Mas e então? Isso não prova nada, o caráter é o que realmente importa e não histórias horrendas do passado. Legal. Se caso eu não confiar nela e não pedir ajuda a tal, como vou descobrir o segredo do livro? 
   Depois de refletir muito sobre o assunto, Susie não tinha outra escolha, querendo ou não tinha que engolir o orgulho e o medo e pedir ajuda a Taylor.
- Lori? Vista sua roupa, querida. Nós vamos visitar sua avó, preciso sair para resolver umas coisas e você terá que ficar na casa da Mary. – disse Susie quando entrava no quarto de Lori.
- Sim! – Lori dava pulinhos de alegria batendo palmas e deixando de lado seus gizes de cera, enquanto corria para escolher sua roupa. Ela sempre amava se vestir sozinha e quando se tratara de sair até a casa da avó, ela não pensara duas vezes em vestir um de seus vestidos rosa favorito. Era sempre a mesma, ela tinha vários da mesma cor e do mesmo estilo. 
- Quero te ver lá embaixo em 5 minutos. – ordenou Susie enquanto saia do quarto em direção as escadas.
     Martha e Andrew estavam estudando. Susie e Lori entraram no carro e seguiram e direção ao bairro vizinho de Nortevelly, como era uma cidade pequena, os bairros não eram distantes uns dos outros. Em dez minutos Susie já estava na casa de Mary e enquanto saia do carro notou que se esqueceu de ligar para sua mãe avisando. Eu fico te devendo mais uma mãe. Pensou Susie.
   A casa era bem grande, não mudara muita coisa depois que Susie saiu de lá quando se casou. A faixada era um branco recém-pintado com azul marinho e havia um balanço na varanda, onde Susie sempre brincava quando era criança. Lori já conhecia a casa de ponta a ponta e foi lodo entrando quando percebeu que a porta estava encostada.
- Vovó?  Vovó?  - Lori começou a gritar pela casa a procura da avó.
- Lori! Pare de gritar, sua avó deve...
- Onde está minha neta? Eu ouço a voz dela! – disse Mary da cozinha vindo em direção à neta. Lori correu em um pulo e abraçou-a bem forte de alegria.
- Lori! Sua avó precisa respirar – exclamou Susie em tom de ironia enquanto Lori agarrava Mary pelo pescoço. 
- Por que vocês não me avisaram que vinham? Eu estava prestes a fazer um bolo. – disse Mary enquanto tirava Lori de seu pescoço
- Bolo de chocolate vovó? – disse Lori
- Sim, é de chocolate, do jeito que você gosta! – Lori pulou de alegria e correu para a cozinha logo em seguida gritando:
- Eu te ajudo vovó! 
   Mary pediu que Susie entrasse e sentasse.
- Desculpe-me aparecer assim, sem avisar, na verdade eu havia me esquecido de ligar. – começou Susie.
- Tudo bem, querida. Eu adoro quando Lori vem aqui.
- Na verdade, eu preciso que ela fique aqui contigo por algumas horas, preciso resolver alguns problemas e não tenho com quem deixa-la.
- Eu não incomodo de ficar com Lori o quanto for necessário, mas esta tudo bem?
- Sim, eu só vou resolver alguns problemas, mas está tudo ótimo – Susie sabia que não estava exatamente tudo ótimo, mas decidiu não preocupar sua mãe. Afinal ela iria acabar pensando que Susie estava realmente maluca se soubesse da história completa.
– Eu vou visitar uma amiga – Mentiu.
- Há, sim! Mas, então tome cuidado, não se esqueça de que está grávida e não pode sair por ai balançando essa criança para todos os lados.
- Mãe, ela só tem três meses, não estou balançando ninguém – Mentiu novamente. Susie tinha dois meses de gestação, mas como explicar isso para Mary?
- Eu sei, só estou dizendo para tomar cuidado... – Susie interrompeu Mary levantando do sofá rapidamente e levando as mãos para cima.
- Ok. Chega! Não quero brigar com você, já sou bem grandinha e já sei me defender do “bicho papão”. – Susie usou da ironia com sua mãe para que ela pare de controlar sua vida, ela se levantou do sofá pondo-se de frente a Susie e disse:
- Você não precisa me tratar desse jeito Susie, assim você somente prova que sim, ainda é aquela garotinha que tem medo do bicho papão. Se não quer minha ajuda, então leve Lori com você. Eu estou lhe fazendo um favor e é assim que me agradece? – Susie olhou para Mary por um tempo e então respondeu:
- É você tem razão, eu fui uma imbecil... Desculpe-me mãe, a senhora tem me ajudado tanto e eu só lhe falto com respeito. Muito obrigada mesmo, isso tudo é por causa da gravidez, está me deixando maluca. – disse Susie arrependida.
- Eu sei como é eu tive quatro se lembra? Mas, isso passa. – Difícil ou não de acreditar, foi assim que elas fizeram as pazes depois da discursão. Susie sorriu para Mary.
- Eu tenho que ir, meus deveres me esperam. – Susie se despediu delas e foi para o carro.


   Ela dirigiu até um bairro chamado Woodstond que fica a quinze minutos de Lockood, bairro onde Susie e seus filhos vivem. Era um bairro de família aparentemente de classe média, as casas eram todas bem organizadas e todas com ótima aparência. Taylor vivia a dois quarteirões dali, e infelizmente era para lá que Susie ia. Se tivesse outro jeito de resolver isso, eu juro que não estaria aqui, agora.
    A casa era de tijolos e parecia ser a única casa diferente das outras, o que facilitava Susie de encontra-la.
   Susie estacionou seu carro bem de frente a casa e desceu trancando-o olhando para todos os lados para ver se não havia sinal de nenhum estranho que poderia assalta-la, já que estava em um bairro diferente e não conhecia os moradores.
    Ela subiu os degraus da casa e antes da bater na porta, levou um susto muito grande ao se deparar com Taylor na varanda sentada observando-a como se estivesse esperando que Susie aparecesse.
- Você estava me procurando? – perguntou Taylor, muito tranquila.
- Há... Sim... Na verdade não mora mais ninguém aqui, não é mesmo? – perguntou Susie um pouco sem graça. Taylor a encarou e depois lançou um sorriso de aprovação.
- Certamente é algo muito sério para aparecer assim na minha casa de surpresa. – disse Taylor.
- Surpresa? Você não parece muito surpresa. – Taylor levantou da cadeira fina e muito bem decorada detalhadamente em que estava sentada e caminhou em direção a
Susie. 
- Você vai entrar ou vamos conversar aqui mesmo? 
- Sim, vamos entrar se me permite. – Taylor abriu a porta levando o braço em direção à entrada para que Susie entrasse.

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