17. Acidente;

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Britney Butler

– Olá, bom dia. Daqui fala Britney Butler e eu tinha uma consulta com a doutora Amelie marcada para ontem mas acabei esquecendo completamente. Será que há possibilidade de uma reposição? – Falei assim que a pessoa do outro lado da linha me saudou.

Um minutinho, senhorita Butler. Me deixe só verificar a agenda da doutora com a própria. – Agradeci e aguardei. – A doutora tem uma vaga para daqui a vinte minutos. Seria do seu interesse? – Olhei para o relógio em meu pulso e vi que seria exatamente quarenta minutos antes da minha hora de almoço. Sam conseguiria segurar as pontas por aqui.

– Sim. – Confirmei. – Estarei aí nesse horário. Obrigada!

Assim que a chamada foi encerrada, caminhei até à sala de Samantha e entrei após bater na porta. A mesma mexia em seu note e, quando me viu entrar, ergueu seu olhar.

– Irei precisar sair agora, Sam. Consegui remarcar a consulta para daqui a vinte minutos. – Assentiu.

– Pode ir, não se preocupe. A sua saúde é o mais importante aqui. – A abracei e sai em direção ao carro.

Coloquei minha bolsa no banco e, assim que arranquei, meu celular começou a tocar. Resolvi atender pois poderia ser do hospital mas rapidamente troquei de ideias ao ver que era de número não identificado. Não iria atender. As chamadas estavam se tornando constantes e isso me deixa com uma sensação estranha. Alguém me está ligando mas nunca diz uma única palavra. Não me parece coisa boa. Larguei-o no banco e segui meu caminho até ao hospital.

...

– Até à próxima consulta, senhorita. – A senhora por detrás do balcão murmurou e eu acenei antes de sair.

Funguei, limpando as lágrimas que conseguiram escapar mais uma vez, e apressei o passo até ao carro, quando senti pingas em meu rosto, protegendo o envelope pardo contra o meu corpo. Abri a porta e entrei rapidamente, descansando, de seguida, a cabeça no volante. Respirei fundo um tempo depois, me encarei no espelho retrovisor e resolvi tentar concertar minha maquiagem que borrou com o choro. Este nervosismo misturado com ansiedade só me faria mal.

Eu só precisava aguentar três dias de sigilo.

Agora sim Justin irá delirar.

Ri fraco e, assim que vi as horas e dei conta que, caso me apressasse, ainda teria tempo para almoçar e chegar a horas na loja. Mas não deixei de reparar que tinha outras duas chamadas perdidas, novamente de um número não identificado. Eu estava ficando assustada.

Liguei o carro e sai do estacionamento enquanto tentava decidir onde iria almoçar mas foi uma decisão instantânea quando avistei o enorme "M". Por causa do tempo chuvoso que estava, decidi ir no drive thru mesmo e pedi o menu grande de Big Mac. Sei da restrições alimentares que a doutora me deu mas fazia um bom tempo que eu não vinha cá e, só de pensar naquelas batatas fritas, minha boca salivava. O cheiro rapidamente espalhou-se pelo carro e, definitivamente, eu não iria aguentar até chegar em casa, então fui pegando algumas batatas.

Meu celular tocou anunciando a chegada de uma nova mensagem. Segundos depois, chegou outra. E depois outra, o que fez me franzir o cenho. Segui caminho mas, quando parei num sinal vermelho, a curiosidade falou mais alto e eu resolvi pegar meu celular. No instante em que abri, me arrependi na hora. Tentava a todo o custo controlar a respiração mas estava sendo uma missão impossível de realizar. Eu não acredito no que estou vendo! Não pode ser possível... Justin estava na cama com a vagabunda da sua secretária! A biscate teve a cara de pau de me mandar uma selfie em que ela está enroscada nele e um vídeo, de poucos segundos, onde a vadia se levanta e ainda me manda um beijo antes de o finalizar.

Hold OnOnde histórias criam vida. Descubra agora