Cap. 24

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- Eu fui estrupada por uma boa parte da minha infância, Sérgio. - ele olhou perplexo para Carol, sem saber o que falar. - E o culpadao disso tudo foi o maldito do meu pai. Na verdade nem sei se ele pode ser chamado de pai. Um monstro como aquele não merece nem viver. Ele acabou comigo, aqueles homens nojentos acabaram comigo.

Ela faz pausa para contar.

- O meu pai sempre foi um bêbado, vivia saindo dos empregos. As coisas começaram a piorar quando ele começou a usar drogas. Ele praticamente vendeu tudo em casa. Criou uma enorme divida nesses nesses jogos de azar. Ele ria morrer para pagar a dívida. Mas sabe o que ele fez para se livrar daquilo? Ele fez eu me protituir. Colocou a própria filha para pagar sua dívida.

Saber que Carol havia sido estrupada por muitos desconhecidos como pagamento de uma dívida feita pelo pai fez Sérgio sentir um imenso sentimento de puro ódio do pai de Carol.

Como ele podia ter feito isso a própria filha?

Ele continuava a olha-la ainda sem ter muito o que fazer.

- Eu disse a minha mãe sobre o que ele fazia, e sabe o que ela fez? Ela olhou em meus olhos e disse que era para eu aguentar pois ja era mocinha e tinha que obedecer e não chorar. Acho que ela já estava morta por dentro há muito tempo. Eu passei praticamente um ano da minha vida naquele inferno. Um ano me sentindo suja e usada. Meu corpo todo doía toda noite que um homem entrava em meu quarto e me estrupava. Eles me deixaram tão quebrada que eu já não sentia nada, apenas vivia em um pesadelo que parecia nunca ter fim. Só consegui sair daquele inferno com uma denúncia feita pela minha avó matena, com quem morei por um bom tempo. Somente meus pais foram presos , todos que fizeram isso comigo saíram impunes. Minha mãe morreu na cadeia, e quanto ao meu pai,  nunca soube notícia dele, até hoje.

Carol não chorava mais, estava entorpecida por dolorosas lembranças. Elas pareciam bem mais distantes quando Sérgio estava perto. Percebia isso nitidamente. Depois de tanto tempo ela percebeu que foi ele quem a manteve sua vontade de vive que há muito ela não tinha.

- Demorei muito tempo para descobrir que  a culpada de tudo aquilo não era eu. Que não devia me sentir um lixo. São eles, eles são a verdadeira podridão do mundo. Mas mesmo assim é bem difícil me conformar com isso.

- Eu sinto muito, Carol. Sinto muito, mesmo. - ele a envolve em um abraço mais forte.

Sérgio não sabia explicar o que sentia agora. Sua vontade de proteger Carol aumentou ainda mais depois de tudo o que a mesma disse.

- Você não teve culpa de nada, Sérgio. Você foi a melhor pessoa que apareceu em minha vida. Passei muito tempo me afastando dos homens, achando que todos eles eram iguais. Mas aí você apareceu e entrou em minha vida de um modo que foi impossível eu não te amar, mas sempre tinha essa insegurança toda por causa do meu passado. Eu sei que isso não tem nada haver com você, mas depois de tanto tempo sozinha e quebrada por dentro eu me fechei para tudo e todos. Só restou uma barreira que criei para me defender do mundo.  E sempre que você tentava ultrapassa-la eu me fechava. Tinha medo de que você me destruísse novamente.  - Sérgio a olhava e escutava atentamente suas palavras.

Não tinha muito o que dizer depois desse relato perturbador que ouviu de sua amada. Ainda tentava processar tudo o que ela dizia. Como era possível uma pessoa passar por tudo aquilo e ainda se manter sã?  Como é possível que existam pessoas capazes de fazer isso com um ser humano? São perguntas que rondavam sua mente, perguntas que não tinham respostas exatas.

- Passei tanto tempo em grupos de autoajuda, em psicólogos e todos me diziam a mesma coisa. Nada mudava em minha vida. Diziam que com o tempo ficava melhor, que quando caímos tínhamos que levantar e seguir em frente. Mas eles não sentiam o que eu sentia, não sofreram o que sofri. E você apareceu me mostrando um lado da vida que eu desconhecia, mesmo não sabendo do meu passado me fez esquecer de tudo sempre que estava ao seu lado. Você me mostrou a felicidade e as vezes sinto que não sou boa o suficiente para você.

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