VII - Eu preciso de você

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"Nada se perde, tudo se transforma.."

No caminho de volta, eu fiquei pensando como poderia existir tanto sofrimento e tanta vida numa pessoa só. Mesmo passando por tudo, ela continuava no caminho que tinha escolhido, mas agora a via diferente da primeira vez, porque ela me mostrou um lado dela, que antes eu não conhecia, um lado mais humano e apesar de tão realista, não deixava de existir ternura dentro naquele coração. Eu agora sabia seus motivos, sabia o que a movia. E sabia também que algo dentro de mim estava acontecendo, só não sabia exatamente o que. Aquela imagem das crianças com ela, me lembrou da minha infância, um momento gostoso da vida, que é tão inesquecível para gente, mesmo quando adultos.

Comecei a reparar nas casas antigas ao meu redor, nos galpões abandonados e sem vida. Aquilo tudo apesar de ter um aspecto triste, já teve muita vida e estava ali para nos lembrarmos que tivemos um passado. Um museu ao ar livre, apesar de ser extremamente mal cuidado. Nosso patrimônio histórico estava aos pedaços. Cheguei ao escritório e comecei a preparar os relatórios e a reunião da tarde. Mas vira e mexe Karla ou Camila vinha aos meus pensamentos.

Passou-se uma semana inteira sem notícias dela. Eu evitava a todo custo ir ao sobrado que ela morava e também não tinha tido coragem de pedir o número do seu celular. Pra que?!
Tudo que me ligasse ainda mais àquela garota não seria bom para mim. Eu estava preparando uma viagem e não podia me enrolar em problemas e perder aquela oportunidade única. Mas também o estado que eu a tinha deixado me preocupava muito, mesmo eu tentando me convencer que não.

Durante a semana eu tinha mergulhado intensamente no trabalho e nos planejamentos da viagem, ficava noites procurando informações adicionais sobre o escritório central da empresa e o local escolhido por mim para morar. A cidade tinha sido escolhida estrategicamente por mim, já que era conhecida como "A cidade das faculdades". Os melhores colégios e cursos complementares estavam ali, era o melhor ensino. As melhores faculdades da Inglaterra estavam ali localizadas, além de ser perto de Londres, um ótimo celeiro para bons negócios, sendo também localizado ali perto um de nossos escritórios filiados espalhados pelos quatro cantos do mundo.

Na segunda-feira seguinte, eu saindo do escritório para almoçar resolvi que iria saber notícias sobre o estado de saúde da garota que não saía da minha cabeça. Comprei duas barras de chocolate na rua e desci até o bairro da Saúde, 15 minutos depois já estava em frente ao sobrado novamente, me perguntando por que tinha ido até lá, apesar de saber a resposta. Encostei o carro rente à calçada pra não ser arranhado pelos caminhões de entregas que passavam no local. Parei por um minuto olhando para fora da janela do carro, acho que me preparando para vê-la novamente. Desci e logo encontrei uma das meninas, a mais velha, sentada na soleira da porta. Fui em sua direção e perguntei se ela lembrava de mim,ela disse que sim com a cabeça,então perguntei sobre Camila e ela disse não saber. Como eu vi que não conseguiria arrancar muita coisa dela, pedi que chamasse sua mãe. Ela subiu e voltou com uma mulher, que apesar da aparência rude, tinha um sorriso muito simpático.

Eu a cumprimentei e ela pediu que eu entrasse, eu disse que não seria possível, pois estava com pressa. Ela insistiu e eu acabei entrando, no fundo tinha uma certa curiosidade de saber como era o lugar que a garota morava.

No final do corredor haviam duas portas, entramos em uma delas. Era um quarto pequeno e quente, possuía poucos móveis, duas camas, uma televisão no canto do cômodo, um armário sem portas e caixas de papelão empilhadas em outro canto, além da mesa que fui convidada a sentar. Enquanto ela pediu licença para "passar um café" eu fiquei observando a menina menor dormindo na pequena cama perto da janela aberta, com algumas moscas sobre ela, enquanto a outra me olhava muda, sentada na outra cama abraçando as pernas.

STRIPPER "Camren" Histórias para pegar e não largar. Descubra agora