— E então Roger, já transmitiu a minha sobrinha suas manifestações de afeto? — O vaqueiro perguntava com um olhar examinador.
— Claro que não, Wilson. Há três meses que perdi minha adorada Marília, e eu fui ensinado a fazer a corte primeiro aos pais da dama.
— Hum, é mesmo? — Wilson deu uma baforada no charuto.
— Faz muito tempo que admiro a jovem Liana. Inclusive, com quantos anos a minha pretendida está?
— Completa vinte e quatro em alguns meses.
O banqueiro pareceu satisfeito com a idade da jovem. Tomou um gole do vinho que Wilson tinha servido.
— Meu caro Wilson, você sabe que um homem na minha posição precisa de um senhora honrada ao seu lado. Corre um boato entre as moças da cidade, isso foi minha filha Cecília quem me contou, dizem que a minha pretendida jogava aos quatro ventos que seria a próxima sra. Trewsky.
O vaqueiro fitou o homem à sua frente com gravidade, tudo bem que o boato fosse verdadeiro, em parte, mas ninguém precisava jogar na cara.
— Minha sobrinha cresceu na mansão dos Trewsky, brincavam juntos, os gêmeos e outras crianças, como grandes amigos. Eu colocaria minha mão no fogo por Liana.
— Não tenho o dia inteiro, meu caro amigo. Vamos logo ao que interessa, vou te propor um negócio... Quanto você quer?
Wilson ergueu a sobrancelha esquerda.
— Como?
— Toda dama tem um dote, obviamente que eu estou disposto a pagar e tenha em mente que eu sou um homem generoso. Qual o preço por Liana?
— Eu criei a filha de minha irmã como se fosse minha. Nunca obrigaria ela a fazer nada que não quisesse.
— Estamos falando de quanto, meu caro amigo? Eu posso comprar sua aposentadoria... imagine só, nunca mais correr atrás de gado, nunca mais queimar a pele sob o sol escaldante do verão, nunca mais trabalhar debaixo de chuva... é só me dizer o valor Wilson. ...Trezentos mil, que tal?
— Não sei Roger...
— Anualmente, estou falando de trezentos mil por ano, em parcelas mensais. Enquanto eu for casado com a bela Liana.
Wilson deixou o charuto cair no chão, e o recuperou antes que queimasse o carpete sentindo a garganta seca.
— Eu... eu...
"Toc, toc, toc." As batidas na porta interromperam o vaqueiro.
— Eu vou ver quem bate, só um instante — o velho vaqueiro caminhou torpemente até a porta. Ao abrir estranhou a visita.
— Jovem Trewsky? O que deseja aqui?
Erik puxou o homem para fora e fechou a porta em seguida.
— O que está fazendo, senhor?
— Escuta aqui — Erik apontou o indicador no nariz do vaqueiro. — Eu não vou admitir que obrigue Liana a casar-se com aquele velho caquético.
— Não entendendo sua descabida consternação —Wilson baixou o dedo de Erik. — Já fui informado sobre o duelo pela mão da filha do governador, minha sobrinha nunca terá a mesma sorte. A sorte grande dela está sentada na minha sala, esperando por mim.
Erik baixou a cabeça escolhendo qual dos mil pensamentos que lhe ocorriam dizer primeiro, respirou fundo e mandou.
— Qual valor? — Erik perguntou.
— Do que está falando, rapaz?
— Eu a quero... O banqueiro sempre tem um valor para cada negócio que faz, quanto ele ofereceu por ela?
VOCÊ ESTÁ LENDO
Trewsky Brothers
RomanceRomance de época. Vários capítulos já prontos e em revisão. Não é hot. Sinopse: os gêmeos mais lindos e rebeldes da cidade não acreditavam quando seus pais diziam que se não tomasse rumo na vida seriam deserdados. Derek sempre acostumado a conseguir...
