Capítulo sem título 30

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O sol sumia preguiçosamente na linha do horizonte. O céu era uma mistura de azul, roxo e rosa. No ar corria um vento quente, um dia lindo mais abafado. Preciso mais de uma ducha do que eu pensava.

Enquanto e estrada corria em baixo de nós, minha mente ficava relembrando da aula de autodefesa, da festa, do Collin. Como ele chegou na minha vida e tudo que ele se tornou pra mim. Ele foi a pessoa perfeita no pior momento da minha vida. Quem cuida de alguém que mal conhece?

Ele, Collin.

O Sol está chegando ao seu limite, se pondo atrás da nuca de Collin, fazendo seus cabelos parecerem chamas vivas. Chamas vivas, ardendo em torno do seu rosto marcado e bronzeado. Seus músculos do ombro e dos braços são desenhados por  linhas da blusa verde fina de manga que ele está usando hoje. Suas mãos estão posicionadas no volante, mãos grandes e fortes, que tiram meu fôlego sem nem me tocar.

Imagino suas mãos correndo pelo meu corpo, descobrido, brincando e arranhando.

Quando levanto a cabeça e sinto seus olhos sobre mim,  meu rosto esquenta automaticamente.

- O que foi?

Ele diz buscando a resposta no meu rosto.

- Na-na-nada.

Eu digo arrumando minha postura e tossindo de leve.

- Do jeito que você estava me olhando...- ele fez uma pausa e abriu um sorriso de lado - eu estou curioso para descobrir o que é nada.

Seus olhos voltam para estrada a nossa frente. Sinto sua mão quente pousar em minha coxa coberta, e meu corpo todo arrepia, vibrando e fervilhando ao mínimo toque dele.

...

- Vou pegar uma toalha limpa para você, espera ai.

Collin disse enquanto caminhava no corredor em direção ao quarto, me deixando plantada na frente do banheiro. A pouca luz que entrava pela sala, iluminava suas curvas no corredor quase como uma criatura mística. Sua altura, seus ombros largos, costas forte...

Ducha!

Preciso esfriar minha cabeça agora, o que tem de errado comigo?

É como se ele preenchesse cada átomo de ar que eu respiro, estivesse em todos os lugares que eu estou e como se o aroma de todas as coisas fosse o seu perfume.

Tiro minhas roupas suadas e entro no box, ligo o chuveiro e deixo a água cair na minha nuca.

- Você começou sem mim?

Collin parado na porta com uma toalha na mão, seus olhos corriam toda a extensão do meu corpo. Parecendo se deleitar com a cena.

- Collin!

Eu gritei, tentando inutilmente me cobrir de alguma forma.

- Sou eu - Ele disse se aproximando do box - o que foi?

Eu estava com vergonha. Mas do que? ela já me viu nua, já tomamos banhos juntos, já...

Vergonha não de mim, mas dos meus pensamentos e das minhas vontades, e de como não vou conseguir controla-las se ele der mais um passo a frente.

Rapidamente ele virou de costas, e lentamente foi tirando a blusa. A jogou no canto do banheiro como se ela não fosse nada. Mas o que é uma blusa perto daquilo? perto daquele espetáculo? o espetáculo que é suas costas nua. Eu quero tocar cada pedaço de pele dele, sentir cada osso e...

- Chegue mais perto.

Eu digo, sem nem perceber que a voz sai de mim.

Obediente ele dá um passo para trás, sem se virar.

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