Capítulo 16 - Amigas?

5.6K 569 37
                                        


Lis.

Depois do banho matinal, desci para o café da manhã. Era extremamente chato tomar café da manhã sozinha com tantas opções, e uma mesa imensa. Hoje meu dia seria cheio, tinha aulas de etiquetas, dança e leitura geral sobre o reino.

Não que eu ache que vai me ajudar a ser rainha...

Eu passei no quarto do meu e dei um beijo nele antes de todas essas obrigações. Meu pai não tinha muito tempo para mim quando não estava doente, apesar de passarmos sempre momentos ótimos juntos. Mas ele sempre exigiu que soubesse tudo que uma princesa precisasse e muito mais, minha educação sempre foi muito rigorosa. Eu passei a maior parte do meu tempo aprendendo sobre tudo, e isso impediu uma adolescência normal, como a de uma plebeia comum. Nem namorados, nem garotos ou qualquer tipo de relacionamento.

Depois de um bom tempo aprendendo como dançar uma boa valsa, minhas aulas haviam acabado. Eu fui para o jardim, fiquei deitada pensando por um tempo em como tudo aconteceria daqui para frente.

Daqui alguns dias minha vida vai mudar totalmente...

Já estava no fim da tarde, e nada de Ayia ou Jorge aparecerem.

Hum, quem será que vem me buscar?

Acho que já acabei todas minhas obrigações por hoje.

Eu percebi que ambos não vinheram, e pensei que talvez tivesse acontecido alguma coisa.

Resolvi voltar para o castelo, e quando estava entrando um dos guardas me parou.

— Alteza, sentimos muito, mas falhamos. — Ele ficou cabisbaixo.

— Falharam com o que ? — Perguntei confusa o olhando.

— Tentamos capturar a bruxa essa madrugada, mas ela é muito esperta. E alguns de nossos guardas estão muito feridos. — Eu acho que ela deve estar com muita raiva, seus olhos ficaram muito vermelhos. Mas ainda assim ela poupou nossas vidas.

— Como vocês fazem isso sem a minha permissão ? Eu vou ser rainha daqui alguns dias, isso não pode acontecer sem minha ordem. — Eu olhei para ele com raiva.

Idiotas..

— É o nosso trabalho alteza, só queremos deixar o reino protegido. Sentimos muito.

Fala sério, eu não posso ficar brava com eles, é o trabalho deles. Só estavam tentando proporcionar mais segurança para o reino.

— Tudo bem, entendo que é o trabalho de vocês. Mas antes de outra decisão dessas, peçam minha permissão. — Eu abri um sorriso gentil. — Leve os seus homens para enfermaria do castelo.

Acho que sei porque ela está atrasada..

Eu não entrei no castelo, peguei o meu cavalo e fui em direção a floresta. Assim que cheguei, amarrei o cavalo e gritei pelo seu nome, já que não sabia exatamente onde havíamos treinado.

— AYIAAAA..

Continuei andando para frente enquanto chamava seu nome.

— AYIAA..

— APARECE AYIA..

Ah qual é..

Eu ouvi um barulho atrás de mim e logo me virei, e finalmente vi ela.

— Você está bem ? — Eu me aproximei dela. — Olha eu não tenho nada haver com o que aconteceu. Eu não dei permissão alguma para que eles fizessem isso.

— Eu estou ótima. — Ela parecia fria e irônica. — Então porque eles vinheram ? Ah já sei, para me pegarem. Não iriam vir aqui sem permissão, não é mesmo ?

— Eu não dei permissão para eles, eu estava dormindo. Eles são uns idiotas.

Olhei para o seu braço que sangrava.

— Parece dolorido. Vamos levar ?

— Já ensinei a lição para eles, espero que não venham tão cedo. E se eu ver eles, não vou seu tão piedosa.

Eu senti um arrepio quando ela disse isso.

— Não acho que seria bom levar. — Ela olhou para o seu braço.

— Sugere o que então ? Um beijinho para melhorar ? — Nada de treino hoje então.

— Quem sabe um beijo em outro lugar ? — Ela olhou para mim, e senti minhas bochechas queimarem. — Brincadeira. Mas enfim..

— O que vamos fazer então ? — Eu me sentei em baixo de uma árvore, me apoiando no tronco.

— Eu não sei. — Ela se sentou ao meu lado.

— Eu já sei o que eu vou fazer. — Apoiei minha cabeça nas suas pernas que estavam esticadas e deitei. — Sabe você deveria aparecer no castelo, aposto que meu pai iria gostar de você. — Eu ri baixinho.

— Todos me odeiam, é meio impossível isso. — Ela abriu um sorriso assim que eu deitei, e começou a passar a mão sobre o meu rosto. — Sua pele é macia.

— Eu não te odeio. — Eu olhei para um ponto qualquer. — Meu pai está muito doente, parece um vegetal. Não acho que ele iria dispensar uma visita.

Espero que não, nem mesmo a de uma bruxa.

— De qualquer maneira, eu não sou bem vinda lá. — Ela voltou a me olhar. — Eu só gosto de ir lá para aprontar.

— Eu que o diga, nosso primeiro encontro não foi com as melhores primeiras impressões.. — Eu me virei olhando para ela ainda deitada. — Evoluímos para amigas agora ?

— Você é tão boa em estragar as coisas.. — Ela abriu um sorriso rápido, mas logo voltou com a mesma expressão. — Hum.. Talvez..

— Que resposta vaga em. Vai me levar no colo denovo hoje ?

— Leve como um sim então. Se quiser posso levar te até nas costas.

— Que ótimo. — Eu bocejei. — Eu sempre durmo tanto, e continuo com tanto sono.

Eu fechei os olhos, mas ainda continuava acordada.

— Enquanto você dorme, eu fico acordada lutando com vários guardas. Como essa noite mesmo, vinheram, mas eu dei um jeito neles.

— Eles não vão vir mais, eu já deixei bem claro. — Eu ainda estava com os olhos fechados. — Pode relaxar agora bruxinha.

— Já estou relaxando. — Ela voltou a acariciar o meu rosto.

Senti sua mão na pele, o que fez com que o sono batesse. E eu acabei cochilando ali, no meio da floresta e no colo de uma bruxa.

Que idéia de genial...

A princesa e a bruxaOnde histórias criam vida. Descubra agora