" Eu sou um lixo, sou um inútil. Sou o pior filho do mundo, sou o pior amigo do mundo, sou a pior pessoa do mundo.
Eu me odeio.
Todos me odeia. "
Leonardo saiu atrás de Raphael. Donatello ficou me observando como se eu fosse uma criança de 1 ano, que não pode tirar os olhos.
Senti mais uma lágrima descer meu rosto. Eu juro que não entendo porque faço isso. A única coisa que entendo é que quero ir embora...para sempre.
- Por-porque...-Começo, fazendo muita força para falar. Donnie prestou atenção no que dizia. - ...você. ainda. es-tá aqui?-Tento ser frio.
Donatello não diz nada e sai do quarto, me deixando sozinho. Provavelmente ele também está com raiva de mim.
Agora que ele saiu, tenho liberdade para me deixar chorar ainda mais, chegando até soluçar.
Tento me sentar. Mas não consigo. Vou aproximando meu braço esquerdo até o direito para desconectar um aparelho do meu pulso. Assim que retiro, sangue cuspia para o alto. Fiquei um pouco assustado com a cena, e fechei os olhos. Logo minha vista começou a escurecer, e me apaguei.
[ . . . ]
- Ei.-Acordei com um homem segurando uma lanterna nos meus olhos. - Está me ouvindo?-Perguntou. Assenti com a cabeça. E ele retirou a lanterna.
- A pulsação voltou ao normal.-Falou para Leonardo e Donatello, que acabei de perceber que estava no quarto. - Quero que não tirem os olhos dele, por nada. - Meus irmãos abriram um sorriso amarelo. O médico saiu do quarto.
Olhei para meus irmãos. Que estavam com o olhar tristemente. Pois eu tentei ir embora, de novo.
Nós não trocamos nenhuma palavra a não ser coisas que deveriam mesmo perguntar. Como: " Abra a boca para comer. " Novamente me neguei a tomar banho. Leonardo nem olhou nos meus olhos e passou um pano molhado em meu rosto.
A hora foi passando, e a enfermeira passou no quarto dizendo que eu deveria dormir. Fechei meus olhos, para fingir. Mas acabei dormindo de verdade.
[ . . . ]
Sem fôlego, parecia que alguém tinha tirado o oxigênio do lugar. Não conseguia respirar, e nem sugar um ar.
Sem abrir os olhos um dos meus irmãos colocaram desesperadamente um pano molhado na minha testa, na expectativa da minha respiração voltar ao normal. Porém não voltou. Então abri meus olhos. Leonardo e Donatello me colocaram na cadeira de rodas, e me tiraram do quarto, indo direto para o ar livre: o jardim.
O vento gelado adentrou pelas minhas narinas, me permitindo respirar. Me senti aliviado. Meus irmãos suspiraram, por conseguirem me ajudar.
- Está melhor?-Perguntou Leonardo colocando a mão direita no meu ombro. Assenti com a cabeça. - Vamos.-Me levou até meu quarto.
Me deitaram na cama, e me ajeitaram, para dormir.
Acordei com alguém acariciando minha mão. Me olhando fixamente.
- Hello, baby.-Dizia Alex com um sorriso sacana.
Acordei dando um pulo na cama, quase me sentei. Raphael me olhava espantado pelo meu jeito de acordar naquele dia. E então percebi que estava chorando.
- Ei.-Raphael me dá um abraço.- Tá tudo bem.-Tentou me consolar.
Raphael estava ali? Comigo? Ele não estava com raiva de mim?-Pensei.
- Me. Desculpa.-Falei saindo do abraço. - Eu...-Me cortou.
- Tá tudo bem.-Abriu um sorriso, e levou sua mão até meu queixo acariciando com os dedos.
- Você não está bravo comigo?-Perguntei.
- Eu não posso ficar mais sem falar com você. Você é meu irmão. E eu te amo muito, mais do que a mim mesmo.
Leonardo e Donatello entraram no quarto com uma bandeja, sobre ele tinha um prato fundo de sopa.
- Mikey...-Disse Leonardo com medo de terminar o que dizia. - Você não consegue tomar banho sozinho.-Parou por um instante. - E você não pode ficar mais dias sem tomar.
Eu sabia o que ele queria dizer.-Penso, olhando para minhas coxas.
Assenti com a cabeça em aprovação.
Eu quero voltar a ser o Mikey de antes. Eu quero mesmo. Eu vou sim tentar fazer esforço.
Eles novamente me colocaram na cadeira e me levaram até o banheiro. Raphael saiu por um instante, para pegar uma toalha.
- Você está bem?-Perguntou Leonardo percebendo minha tristeza.
- Voltei.-Disse Raphael entrando no banheiro.
Cheguei a escultar meus batimentos, altos, como um trovão. O motivo de mim não querer estar nu perto dos meus irmãos, é pelo fato de que eu sofri . . . um abuso.
Abaixei minha cabeça. Eles iam começaram a tirar meu roupão branco de hospital. Não tinha mais controle de minhas lágrimas. Elas escorriam sem minha permissão e sem parar. Quando perceberam, pararam na hora, e me abraçaram.
- Estamos com você.-Foi a única coisa que Leonardo disse enquanto ele e Raphael, me abraçavam.
Eu fiquei feliz, por eles não estarem mais me forçando a falar. Eles estavam esperando o meu tempo.
- Me...Desculpem.-Falei chorando.
- Mikey...-Raphael parou na minha frente e se abaixou, colocando os braços nos meus joelhos. - Você não precisa pedir desculpas para nada. Você não tem culpa do que está te acontecendo.-O olhei fixamente. - Você nunca estará sozinho. A depressão faz você se sentir, e achar que está sozinho. Nós somos seus irmãos. E te amamos acima de tudo.-Ele abriu um sorriso e correspondi. - Eu sei que aconteceu uma coisa muito grave. Mas você não pode deixar isso afetar sua vida. Não se sinta com medo, ao nosso respeito. Ou talvez com vergonha. Estaremos do seu lado.-Me senti bem ao ouvir isso dele.
- Estamos aqui, sabe? Para fazer loucuras, contar piadas sem graças, brigar de acabar levando um soco na cara. Não precisa contar o que aconteceu. Só nos deixe colocar um sorriso no seu rosto.-Disse Leonardo.
- Agora...-Pausou Raphael. - Vamos tomar um banho? Por que você está fedendo.-Fez uma brincadeira que me fez rir. Concordei, com a cabeça.
[ . . . ]
Confesso que naquele momento. Eu voltei ao Mikey de antes. Eu estava jantando com meus irmãos. Fizemos piadas sobre tudo que víamos.
A diferença do Mikey de antes, era que ele era muito inocente, via bondade em tudo, e em todos. Agora eu sei que o mundo não é um mar de rosas.
Estava feliz por me sentir bem comigo mesmo. As palavras de Raphael e Leonardo, me tocaram profundamente.
- Vocês. lembram do que. Eu disse. Qu-quando eu pulei?-Minha voz sai falhada. Eles ficaram um pouco desconfortável com minha pergunta. Mas já é a hora de isso sair para fora. Eu preciso.
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PRÓXIMO CAPÍTULO VAI SAIR
AMANHÃ.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Fique e Mostre Que Se Importa. [CONCLUÍDO]
Tienerfictie+18 " - Engraçado como as coisas funcionam, como as pessoas não ligam para os sentimentos das outras e preferem pisar nelas para se sentirem melhor. Mas vocês sabem como isso termina, não é mesmo? Ou não? " Para Michelangelo Hamato, tudo era perfei...
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