Cap. 15

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Hauana

Continuo minha caminhada às 3 da manhã, passo por um bairro um pouco escuro e confiro se meu canivete está na cintura, procuro pelo meu corpo e não sinto ele, que inferno não acredito que levaram de mim a minha única defesa. Estou totalmente desabilitada, minhas feridas estão fresquinhas ainda, sinto arder mas ignoro.

— Ora ora quem resolveu aparecer na minha quebrada sozinha, uma hora dessas da noite.. — vejo o Tony sorrir enquanto fuma seu cigarro em um ponto de ônibus. Já sinto a raiva ferver.

— A rua é pública.

— Mas nossos problemas são totalmente pessoais. — ele reproduz o sorriso amarelo, sabe que adoro bater em covardes.

"Fica longe de mim Tony, o Apolo não está aqui para me segurar." aviso com minha melhor cara.

"Você está toda ferrada, sinto até peninha.. acha mesmo que vou perder essa oportunidade de descontar aquela merda toda?" ele puxa e solta a fumaça.

"Não há ninguém para impedir sua morte jovem rapaz.." sinto minhas últimas vontades de não explodir aquele rosto, se eu começar não vou querer parar enquanto esse corpo não estiver mole e sem vida.

"Cadê sua princesinha? Sabe de uma, ela é uma baita de uma gostosa, queria ter tocado aquele corpo, aposto que ela deve ser apertadinha. Se você não estragasse minha noite Hauana, eu acabaria com aquela deli.." ele diz e suas palavras me atingem como ferroadas de abelha, estou totalmente alterada, os demônios se sacodem dentro de mim, minhas veias salteiam do corpo, perco toda a consciência, e nem espero ele terminar a fala, jogo ele contra o banco do ponto de ônibus e esmurro sua cara. Não consigo enxergar, a raiva tomou posse de mim, apenas sinto vontade de bater sem parar. O Tony parece gritar, mas no momento não escuto nada, apenas um dos meus sentidos estão funcionando, o tato, toda vez que minha mão encontra seu rosto.

Puxo ele pela gola e jogo na calçada, preciso espancar ele, acabar com ele, só em pensar que ele machucaria aquela garota, que ele tocaria ela, entraria nela. Desgraçado.

Pequenos reflexos de luz se reproduzem ao meu redor, vermelha e azul. Sinto uma mão me puxando para trás e me segurando, tento sair mas não consigo. Começo a enxergar novamente, é a polícia.

"Se acalma garota!" o homem me segura com força.

"Me solta inferno! Vocês nem me conhecem seus safados." a adrenalina que ainda percorre meu corpo, estou quase tendo um orgasmo com o prazer de ver esse filho da puta no chão com a cara sangrando.

"Se contenha pirralha, quer passar a noite na cela é?" o homem me provoca. Só não entrego o Tony porque ainda quero ter o gosto de matar ele.

"Vão fazer algo de útil pela nação seus puxa-saco." encaro o que está na minha frente.

"Você vem com a gente sua moleca descontrolada, vai aprender como se trata uma autoridade." ele puxa e vejo o Tony me olha quase desacordado, solto um sorrisinho de quem vingou toda a merda que ele fez, eu sempre me vingo.

Me algemam e me jogam no camburão, essa merda é horrível, mas pelo menos eu aliviei o peso que o Tony tinha me causado esses dias todos. Os murros que ele havia me dado, maldito.

Nem estou sentindo dor, o prazer que passeia pelo meu corpo é melhor que a fumaça do cigarro esquentando meus pulmões.

Param em frente à delegacia e me levam para dentro, entro na sala onde se encontra uma loira maravilhosa, suponho que é a delegada.

Quando mundos colidem |ACASOS|Histórias para pegar e não largar. Descubra agora