Cap. 45

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Kiara

Andamos bastante, foi um sacrifício enorme pra sair daquele buraco sem contar que tivemos que procurar nossas mochilas que a Hauana soltou antes de cairmos juntas no barranco, estamos horríveis e não precisamos de claridade para saber disso.

-- Tá bem Kia? -- ela pergunta com a voz rouca, numa noite fria e escura, onde só enxergamos vagalumes e o chão iluminado pela lanterna do celular.

-- Eu só consigo rir com tudo isso. E você?

-- Eu estou contando Kia. -- ela diz com a voz puxada.

-- Já está em quanto? -- pergunto.

-- Em 997. -- ela diz.

-- E o que isso significa?

-- A quantidade de beijos que você me deve. -- ela diz e eu sorrio, um pouco alto demais.

-- São muitos beijos, ou você encerra a conta ou eu irei morrer devendo. -- digo e ela quem sorri agora.

-- Eu desconto todos nem que seja na tampa do caixão. -- ela brinca enquanto subimos uma ladeira escorregadia, já estou prevendo outro desastre, mas preciso pensar positivo.

-- Ah então quer dizer que quer que eu morra primeiro? -- brinco.

-- Eu não disse nada disso sua maluca, só quero meus beijos, parcelado e com juros, e a entrada pode ser agora. -- ela diz me puxando contra ela no meio da ladeira e escorregamos, eu sabia, sabia que iria acontecer algo de ruim, descemos a ladeira novamente, só que deitadas e de mochila, o barro nós leva para baixo rapidamente, e em questão de segundos estamos no pé da ladeira, eu rindo e a Hauana resmungando.

-- INFERNOOOOOOO! -- ela grita no meio da mata e sua voz ecoa por todos os lados, com a mistura das minhas risadas e os seus ataques.

-- Quem está com o azar em Hauana? -- pergunto ainda rindo.

-- Não brinca Kiara, eu tou no limite do limite. -- ela reclama me fazendo rir ainda mais.

-- Vamos, vai ficar tarde. Preciso de um banho, e estou morrendo de frio. -- me levanto, puxando a Hauana em seguida.

-- Eu.. nada. -- ela para de falar e voltamos a subir, não resisto de soltar umas risadinhas enquanto andamos, e ela resmungando claro.

Hauana

Finalmente chegamos na miséria do acampamento, a minha garota observa tudo, o espaço é grande, e a casa do meu amigo é toda no bambu, enorme, tudo muito iluminado e mágico, eu sou pirada nesse lugar, e espero que ela goste também.

É inexplicável ver seus olhos brilharem diante disso tudo, até ignorou o nosso estado triste, nossas roupas sujas e molhadas, cabelos bagunçados e alguns ferimentos, os dela mais leves, ainda bem.

Kiara

É tudo muito lindo, a lua, o céu estrelado, o campo enorme e bem iluminado e claro, essa casa de bambu e vidro é de deixar a desejar.

-- Estou sem palavras. -- digo ainda observando o lugar.

-- E o que isso significa? -- ela pergunta logo atrás de mim.

-- Apaixonante. -- digo. Vejo um rapaz aparecer perto da gente com um sorriso bonito, uma calça jeans, uma bota, um chapéu e um facão na cintura. Está sem camisa, é negro, tem uma barba média e cabelos ondulados e escuros.

-- Demorou mas chegou, e dessa vez acompanhada. -- o garoto diz e aperta a mão da Hauana com o seu sorriso que não sai do rosto nunca.

-- Beleza cara? Quanto tempo, você não sai daqui pra nada. -- a Hauana comenta.

-- Tranquilo, e pelo visto você também, muito bonita ela, é a sua garota? -- ele pergunta me olhando.

-- É a minha garota. -- a Hauana diz e meu coração dá um giro 360.

-- Parabéns. Prazer, Rodrigo, amigo da Hauana. -- ele diz estirando a mão para mim e retribuo.

-- Prazer Rodrigo, Kiara. -- respondo com outro sorriso. Nunca vi a Hauana tratando um garoto bem antes, é estranho.

-- Parece que o caminho não foi muito agradável. -- o garoto comenta e começa a rir do nosso estado, vejo a Hauana suspirar e não resisto, começo a rir junto com ele.

-- Palhaço você em, já era pra eu estar de boa com a minha mina agora, se não fosse essa merda dessa trilha e nem essa chuva. -- ela resmunga e ele continua rindo.

-- Vocês caíram em algum buraco? -- ele pergunta quase vermelho de tanto rir.

-- Não. Sim. -- respondo junto com a Hauana e ela me olha com raiva.

-- Não caímos. Caímos. -- falamos juntas novamente e ele ri sem parar.

-- Para de rir, arranja logo o lugar pra minha garota se cuidar. -- a Hauana manda e ela fica sério.

-- Entra naquela casa e vai pro segundo andar, fica à vontade, a casa é sua. -- o Rodrigo diz e a Hauana balança a cabeça pra mim. Me retiro e vou até a casa, preciso mesmo de um banho e organizar as coisas, levo a mochila da Hauana comigo para organizar logo tudo de uma vez.

A casa é ainda mais bonita por dentro, tudo simples e encantador, chego no segundo andar e entro num quarto que fica logo a frente, é bem espaçoso e tem uma varanda linda.

Retiro as coisas da mochila molhada e ponho sobre a cama, passo um pano nas mochilas e sigo para o banheiro com minha toalha. Segundos depois de eu entrar a Hauana aparece atrás de mim me agarrando. O que me faz tomar um susto enorme.

-- Meu coração.. que susto! -- dou um pequeno pulo e ela sorri suavemente, como se tudo estivesse bem agora.

-- Não vamos poder acampar hoje... -- ela diz com a voz chateada e aliso seus braços que estão em minha volta.

-- Tudo bem, aqui é maravilhoso. -- digo em referindo a casa.

A Hauana começa a tirar a roupa e vai pra debaixo de um dos chuveiros, eu ainda não me acostumei com a ideia da Hauana nua, é uma cena muito forte, suas tatuagens, a água descendo pelo seu corpo, o jeito como ela fecha os olhos e estira o cabelo, é extremamente atraente.

-- Vem logo Kia. -- ela choraminga colocando a cabeça para fora do chuveiro.

-- Tomo depois. -- digo sem jeito e ela me manda um olhar maldoso. A Hauana salta do banho e me puxa para ela, me encosto eu seu corpo enquanto rimos . -- Não vai ter jeito dessa vez, adora me provocar não é? -- ela sussurra em meu ouvido enquanto aperta os meus peitos fazendo eu gostar da ideia de ficar aqui, suas mãos passeiam pelo meu corpo e remove minhas roupas uma por uma, a água do chuveiro cola nossos corpos nos fazendo deslizar uma na outra. Estou de costas pra ela, que me pressiona cada vez mais.

-- Essa noite começa aqui... -- a Hauana diz e recebo arrepios pelo corpo inteiro, o calor aparece numa noite fria, e num banho gelado, na verdade ela é o calor, seus braços firmes e tatuados envolvem minha cintura e suas mãos entram na minha calcinha, fazendo meu corpo cair sobre o seu e minha boca abrir de tesão e descontrole, ela sabe o efeito que tem sobre mim, e não consigo esconder como meu corpo responde as suas ações, ela lança minha calcinha no chão e começa.

...

Quando mundos colidem |ACASOS|Histórias para pegar e não largar. Descubra agora