Cap. 28

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Paro por uns instantes enquanto penso em tudo que ela me disse, tem algo, só não faço ideia do que seja.

— É tão difícil saber ao certo o que se passa na sua cabeça, podia ser mais clara e não contradizer todas as coisas positivas que fala, eu queria te entender, queria muito.

— Você.. você é diferente, é teimosa, não sei ao certo, sei que é diferente, e não há forma de me entender, nem precisão.

— Vive ressaltando que não liga, não se importa.. — questiono e ela parece ficar mais nervosa.

— Não me importo com você Kiara? Quer saber, eu não me importo mesmo. — andamos um passo e voltamos dez.

— E eu acredito que não se importa.

— Dane-se.

— Só me explica a sua reação ao meu beijo com..  — ela segura meus braços me olhando fixamente.

— Não fala disso.

— Porque Hauana? Pra quê tanta confusão então? Não pode simplesmente clarear as coisas?

— Não sei Kiara, não se avança sinal em trânsito fechado, você devia saber.

— Se está fechado porque tem andado tanto?

— Parou aqui, e daqui não sai. — ela me olha firme.

— Você quem decidiu isso.

— Alguém tem que pôr um freio nisso.. — seu olhar muda.

— Não admito que fique agindo como que só eu alimentei esse bolo. — aumento o tom.

— Você me fez querer jogar esse jogo, olha que mágico, mas acontece que eu ganho sempre que me aproximo. Você abre as pernas com tanta facilidade.. — ela revida com um sorriso e não penso duas vezes antes de lançar minha mão em sua cara com toda minha força, a Hauana se apruma com rapidez e um olhar sério enquanto massageia a bochecha vermelha. Não consigo evitar uma lágrima que desce em meu rosto, queria segura-lá mas a mistura de raiva e decepção percorrem meu peito, não da pra ser forte o tempo inteiro.

— Merda.. —  a Hauana me olha sem jeito. É o que ela consegue falar depois da merda que acabou de dizer. Ela tenta se aproximar mas a empurro com força, seguro firme a minha postura e volto a pintar ignorando sua presença.

— Kiara..

— Vai pro inferno Hauana. — grito ela.

— Eu não queria que fosse assim. — agora é tarde.

— Queria como? Sexo e fuga como costuma fazer não é? Achou que poderia aumentar mais um nome na sua lista para se gabar depois, achou que eu me amarraria na moleca desapegada. — pauso para soltar um pequeno riso e balançar a cabeça em reprovação e antes que ela tome a voz eu entro novamente. — Sou mulher Hauana, tenho minha essência e passo longe de me encaixar nesse perfil, peço pela última vez para se afastar se for para ser essa pessoa rasa que não amadurece, é um lixo. — devolvo em troca de todas as idiotices que ela soltou para mim nessa conversa.

O meu pai e a mãe da Hauana aparecem na porta da sala assustados olhando para nós duas e a tinta no chão da sala.
Ficamos em silêncio por alguns instantes.

— Devíamos trocar os auxiliares de lugar, talvez. — meu pai sugere.

— Concordo, vem pra cozinha filha. — a Ohana pede pra Hauana e ela vai em silêncio.

Hauana

Finalizamos a sala e a cozinha, cheguei em casa quebrada, é uma merda ter que lidar como todo esse tumulto, o que eu tenho na mente em pensar em me aproximar dela? Não era pra eu ter ido atrás depois de tanto estrago, era pra eu deixar cicatrizar e seguir e frente, mas é como um ímã, em que minhas forças não valem de nada quando são opostas a esse furacão.

Preciso de um banho e um bom sono para aliviar a bagunça dos pensamentos, eu não estou conseguindo lidar com essa garota na minha vida.

Quando mundos colidem |ACASOS|Histórias para pegar e não largar. Descubra agora