Cap. 76

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Kiara

Entramos na rua onde a Hauana mora, não sei como agir agora, sei que ela não quer conversar e que não vai remover esse capacete até chegarmos lá, menos ainda tirar esse bloqueio, por mais que eu insista, é a Hauana.

Descemos em silêncio da moto e subimos as escadas, andamos num corredor até seu quarto, ela destranca e entramos, as duas de capacete, vou continuar assim também para deixar ela mais confortável.

Ela tira as poucas peças do guarda-roupa e começa a dobrar, enquanto eu vou arrumando em sua mochila.

"Veste." ela me entrega um jaqueta, visto e ela vai fechando o zíper até o pescoço.

A Hauana põe luvas em mim e me entrega um par de tênis que eu tenho certeza que ela nunca usou, é preto como os outros, mas esse aqui é menor.

Ela coça o pescoço e parece estar olhando em minha direção.

"Fica Kia." ela pede.

"Não Hauana.."

Termino de calçar o tênis e assisto a Hauana calçar o dela, ela fecha sua jaqueta e amarra o cordão da calça.

"Pronta?" ela pergunta.

"Pronta!" afirmo.

Para minha supresa a Hauana remove o capacete, meu corpo toma um choque ao ver o tom vermelho dos seus olhos, ela estava chorando..

Tiro meu capacete também e me aproximo dela.

"Você é maluca Kiara." ela diz quando eu a abraço.

Ela segura meus ombros e me afasta, me assusto um pouco com a atitude e minha respiração me entrega.

A Hauana me beija, do mesmo jeito que parou meu abraço, segurando meus ombros. Eu acho que posso nomear esse beijo como um dos mais difíceis entre a gente, eu posso sentir a instabilidades dela só pela forma lenta em que ela me corresponde, ela parece que vai chorar a qualquer momento.

"Vamos agora.." ela solta minha boca e põe o capacete rapidamente, saindo na frente.

Hauana

As coisas desandam numa facilidade incrível, destruir é sempre mais fácil que construir, sempre. E é isso que acontece o tempo inteiro comigo, conserto um lado, o outro quebra.

Eu não queria sentir, mas eu sinto, sinto demais, é como se eu fosse explodir. A Kia, minha mãe e o meu avô, o que eu não sinto pelo resto da humanidade eu sinto por eles, é o que eu tenho comigo, o que eu consegui colecionar do pouco tempo que tenho de vida, eu não saberia lidar com a perda disso.

Como a Ohana sempre opta por não contar? Se acontecesse algo sério eu não perdoaria ela tão cedo, é sempre assim, não sou moleca, eu sabia que tinha algo, só não sabia que era tão grave assim, agora eu preciso ir cuidar do meu avô, ele tem muito o que viver ainda.

Tento não acelerar tanto a moto pelo fato de estar com a Kia, a ansiedade e a preocupação está me triturando, não sei o que seria se ela não tivesse aqui agora me abraçando, essa garota é acima da média, totalmente.

O que eles fazem em 20 horas eu faço em 15, e sem a Kia na garupa eu faria em 10 mas tudo bem, com ela a chance de eu chegar viva é bem maior.

Ohana

"Ohana.." o Ale está desapontado, encostado no carro.

"Eu não estou acreditando que elas foram Ale.." errei em não contar por medo do que ela faria, e ela fez exatamente o que eu queria impedir.

Quando mundos colidem |ACASOS|Histórias para pegar e não largar. Descubra agora