Capítulo 26

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Tudo ficou em silêncio depois que a besta colidiu contra as árvores no outro lado da clareira.

Mestre...? Ei queria chamar por ele, mas não tinha voz.

A garota não tinha ideia do que acabara de acontecer. Tentando dar tempo para Tadayoshi se afastar o máximo que podia, ela e o sacerdote estavam jogando rochas ao redor da clareira para atrair a atenção do demônio

Eles pretendiam fazer o mesmo quando o espadachim estivesse longe o suficiente. Mas, desesperados em ajudá-lo, eles não perceberam que a besta começou a ignorar as pedras e apenas destruiu aleatoriamente, esmagando e reduzindo tudo em seu alcance a pó.

Na destruição ensandecida, eles foram encurralados.

De longe, o Oni era assustador. De perto, era aterrorizante.

Ver aquele rosto demoníaco de tão perto foi o suficiente para Ei esquecer tudo que aprendera com Tadayoshi. Enquanto as lágrimas caíram silenciosamente, seu corpo inteiro tremeu. Tudo que podia fazer era observar a besta ensandecida chegar mais e mais perto de onde ela e o sacerdote estavam.

A estátua de madeira não fazia jus ao verdadeiro. Mesmo se não estivesse coberto de sangue, o demônio era o suficiente para deixar a menina paralisada.

Ei mal conseguia olhar, muito menos lutar tal besta. Ela não conseguia imaginar como seu mestre pode.

Quando o demônio estava perto demais, os braços da garota tremeram tanto que ela largou as pedras, fazendo barulho demais.

Mas ao invés de correr até ela, o monstro parou e olhou na outra direção. Um instante depois, correu.

Ei não tinha ideia do porquê a besta tinha ido, mas seu coração gelou. Eles estavam a salvo, mas algo a fez sentir ainda mais medo.

Do outro lado da clareira, ela escutou a besta arrancando as árvores, o som dela pulando e caindo no chão

Então nada mais. Nenhum som.

A floresta inteira ficou em silêncio absoluto.

Mestre... Mestre...!

A mente de Ei ficou vazia. Ela inspirou para gritar pelo seu mestre, mas uma mão cobriu sua boca. Ela tentou desvencilhar por um momento e virou, pronta para sacar a espada. Ela soltou o cabo apenas quando a espadachim reconheceu o rosto do seu professor. A garota tinha esquecido que Ryuu-sensei estava ao seu lado o tempo todo.

Em sua cabeça, ela só conseguia pensar em seu mestre.

A visão do sacerdote calmo a enfureceu. Mas então ela notou o medo no rosto dele. Ele tremia tanto quanto a garota, apesar de tentar esconder atrás de uma máscara de coragem.

Ryuu-sensei levou o dedo à boca, seus olhos implorando por silêncio. O Oni ainda pode estar vivo, ele queria dizer para ela, ou pelo menos era o que ela entendeu. Com dificuldades, ela acenou.

Eles atiraram o resto das pedras pela clareira, mas nada aconteceu. Nenhuma reação da besta ou de mais nada.

Apesar do medo em seu rosto, Ryuu-sensei saiu do arbusto que os escondia. Ele mal conseguia andar, as pernas tão paralisadas quanto as dela enquanto seguia a trilha criada da besta.

Vendo seu professor com mais coragem do que ele tinha fez Ei se forçar a andar também.

Cada passo tinha seu custo. Os pés dela se recusavam a obedecê-la, seus instintos gritando para fugir na outra direção. Mesmo assim, a garota se forçou a seguir o sacerdote. Em sua cabeça, não tinha espaço para fugir. Não tinha para onde fugir. Seu mundo estava no final do caminho criado pelo demônio.

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