Já era hora, a garota queria gritar quando escutou a barra do outro lado da porta sendo removida. Apesar da raiva, ela conseguiu ficar quieta e observar os moradores abrindo a porta.
— Me perdoem por ter demorado tanto — uma mulher idosa disse. Ela nem olhou para Tadayoshi e Ei enquanto os homens ao seu lado fechavam a porta.
Apesar de suas palavras, a garota não sentiu nenhum arrependimento na voz da senhora, e aquilo só a deixava com mais raiva. Ei não tinha ideia de quanto tempo esperaram, mas sabia que tinha sido muito.
Nessa prisão sem janelas, é difícil dizer quanto tempo passou... talvez nos fazer esperar seja uma tática deles pra nos irritar, Ei pensou, observando a velha e os homens que a ajudavam a andar.
O fogo que Tadayoshi acendeu já quase se apagara, mas o ar estava quente, abafado e difícil de respirar. Tanto ela quanto seu mestre tiraram as roupas pesadas, e mesmo assim ainda suavam. Nem mesmo o vento frio quando os moradores abriram a porta amenizou o calor.
A senhora arrastou os pés lentamente até ficar diante de Tadayoshi e Ei. Com a ajuda dos dois jovens, ela sentou. Mais moradores entraram a casa e ficaram na entrada como guardas. Quando último entrou, ele fechou a porta rapidamente, mas não antes de Ei ver mais pessoas do lado de fora.
Naquele breve instante, a garota viu muitos moradores segurando ferramentas. Sem fechar os olhos, ela expandiu sua percepção. A casa tá cercada, Ei percebeu, prendendo a respiração enquanto olhava para seu mestre. O mais discretamente que pode, ela trouxe sua espada para mais perto.
A senhora levou seu tempo encarando Tadayoshi e a espada dele, mal prestando qualquer atenção a discípula dele. Dessa vez a garota não se importou. Ela também não estava prestando atenção na velha. Ei estava mais interessada em seus guarda costas. O jeito que eles encaravam Tadayoshi a deixou inquieta.
— Meu nome é Otose, e sou a líder dessa vila — ela disse numa voz fraca e frágil. Ela fechou os olhos e respirou fundo antes de falar de novo. — Me desculpem por ter demorado tanto pra vir. Esse corpo velho não aguenta frio como antes. Dói nos ossos...
— Não, por favor. Não se desculpe. Estamos feliz por ter achado um lugar pra descansar. — Tadayoshi disse, falando apenas para a líder, ignorando os homens atrás dela. Mesmo assim, ele nunca tirou os olhos de nenhuma pessoa dentro do aposento.
Como consegue fazer isso, mestre? Ei deveria estar acostumada com esse tipo de encarada também, mas os olhares dos homens eram sinistros. Não tinha ódio ou raiva ou nada que ela estivesse familiarizada.
É como se eles... tivessem pena da gente... como se a gente fosse dois seres patéticos e estranhos. Era isso que a deixava inquieta. A garota não tinha ideia de como reagir a isso. Seria melhor se eles tivessem medo da gente... Ela conhecia ódio e medo mais do que deveria.
Ei queria segurar sua espada. Queria enrolar seus dedos ao redor do cabo que cabia perfeitamente em sua mão. Seus instintos a diziam para fazer isso. Mas antes que ela pudesse fazer qualquer coisa, seu mestre seu mestre colocou a mão nas costas dela e a forçou a fazer uma reverência enquanto ele fazia o mesmo.
— Meu nome é Tadayoshi e essa é minha irmã, Eiko. A gente tava viajando com um grupo, mas quando passamos pela vila ao pé dessa montanha, alguns bandidos nos atacaram. Alguns de nós conseguiram fugir, mas nos separamos e então nós perdemos. Se não fosse pela gentileza daquele homem, eu e minha irmã ainda estaríamos naquela floresta.
Tadayoshi estremeceu, e Ei percebeu que apenas metade era real. Então ele também tava nervoso naquela floresta assustadora... Ela se sentia tanto feliz e aliviada. Então eu não era a única... e ele não tá completamente obcecado pelos rumores...
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Samurai NOT
AksiA pedido de seu mestre, Tadayoshi acabou com a sua vida. Agora ele procura o motivo por trás desse pedido.