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— Pronto. — Shownu disse. Ele já havia tirado todos os cacos de vidro que se encontravam na pele de Minhyuk, e então enfaixou onde haviam cortes mais preocupantes e fez alguns curativos onde achou necessário.

O loiro acabou ficando com duas partes de seu braço esquerdo enfaixadas, com um curativo em sua testa e outros pelos braços.

— Eu posso fazer uma pergunta? — o moreno assentiu — O que aconteceu com eles?  — Minhyuk disse olhando para os corpos no chão.

— Eles estavam com Jooheon antes de tudo acontecer. Jooheon se encontrava com os amigos dele aqui embaixo, porque podiam deixar o som alto e fazer o que quisessem, sem os vizinhos encherem o saco deles. Hoje ele estava com eles dois, mas eu também viria e como seria a primeira vez, eu não sabia o caminho e ele foi me buscar. Nós já estávamos juntos quando começaram as explosões, as correrias e as pessoas atacando as outras ou até a si mesmas.

— E quando vocês chegaram, eles tentaram atacar vocês?

— O que? Você acha que nós matamos eles? — o loiro assentiu, envergonhado e amedrontado — Não, não foi nada disso. Nós viemos correndo e quando chegamos aqui, um deles já estava morto e o outro estava dando os últimos suspiros. Não deu tempo dele falar algo, mas nós deduzimos que um matou o outro. Sequer sabemos qual dos dois enlouqueceu.

— Eu sinto muito.

— Eu não os conhecia direito, mas eram amigos próximos de Jooheon. — o moreno olhou para o ruivo, que já havia adormecido na poltrona — Não ligue para o que ele diz, ele não está sabendo lidar com tudo isso e tem medo de nós dois acabarmos como seus amigos.

— Eu entendo. Obrigado por se arriscar e me trazer até aqui, eu não sei o que teria feito sozinho no meio daquela confusão.

— Não precisa agradecer.

— Eu posso ir embora amanhã se você quiser, não quero arrumar problemas entre vocês dois. — Shownu desviou o olhar e se levantou.

— Amanhã nós resolvemos isso, tudo bem? — o loiro assentiu — Pode dormir na cama que fiz no chão, vou fazer outra para mim e colocar Jooheon no sofá.

— Eu posso fazer minha cama, não quero lhe dar mais trabalho do que já dei até agora.

— Não é bom você mexer muito esse braço, eu faço a minha cama, não precisa se preocupar com isso, apenas descanse.

— Muito obrigado, de verdade. — dessa vez, o moreno não o respondeu, apenas o deu um sorriso fraco.
              

                      
                 
              

[...]

O de fios rosados estava sentado atrás de um salão de beleza, aquele era um dos últimos lugares que alguém iria em meio àquela confusão, e é exatamente por isso que ele foi.

A cidade estava um caos e todas as lojas estavam sendo saqueadas, ele precisava de um lugar quieto para descansar, já que passou a maior parte do dia correndo e se escondendo.

Ele escutou um gemido de dor vindo de dentro do estabelecimento, tentou ignorar, mas escutou novamente, dessa vez, conseguiu ouvir um soluço de choro em seguida, que pareceu vir da mesma pessoa. Respirou fundo e levantou devagar, pegou sua mochila, a colocou nas costas e começou a seguir o som que escutava, quando entrou no salão de beleza, não precisou mais seguir som algum, bastava se guiar pelas gotas de sangue pelo chão, que trilhavam um caminho até um rapaz alto, magro e de fios cinzas, que estava jogado no chão, com as costas apoiadas na parede e seu tronco despido, usando sua camisa para tentar parar o sangramento de sua barriga.

O mais baixo começou a se aproximar devagar, mas assim que o de fios cinzas o viu, pegou a arma que estava ao seu lado e apontou para ele, fazendo com que o outro estendesse as mãos e engolisse seco.

— Sai daqui. — o mais alto ordenou enquanto destravava a arma, com as mãos trêmulas.

— Calma, eu não vou machucar você, eu só quero ajudar.

— Eu não preciso da sua ajuda. — respondeu com dificuldade.

— Eu sou médico e tenho algumas que podem ajudar a cuidar de você. Se não aceitar ajuda, eu não te dou nem uma hora para morrer aí, sozinho. — o alto se rendeu, abaixando a arma devagar.

— Qual... — começou a dizer, mas parou por um grunhido que ele mesmo deu por causa da dor absurda que sentia em seu abdômen — Qual é o seu nome? — perguntou com um pouco mais de dificuldade do que antes.

— Kihyun, e o seu?

— Hyungwon. Se você tentar fazer algo de ruim comigo, eu mato você, Kihyun. — o de fios rosados assentiu e voltou a se aproximar devagar.

Side EffectOnde histórias criam vida. Descubra agora