26. "Never forget this night."

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- O que você fez? - Sherlock olhava pasmo para John. - John? - O amigo não respondia.

Sherlock caminhou meio cambaleando olhando fixo para John e em seguida analisando o corpo de Moriarty. Andou ao redor do corpo, observando cada detalhe, parecia que o desastre que estava prestes a acontecer a alguns minutos atrás não havia acontecido e a única preocupação era o corpo estendido no chão e o rastro de sangue que havia marcado a grama seca do local. 

O cacheado parecia um cão de caça a procura de um osso, ele cheirava o sangue de Moriarty, checara seu pulso, respiração e batimentos. Nada respondia ou sinalizava vida naquele corpo. 

- Você o matou! - Holmes fechou os olhos de Moriarty arregalados olhando para o céu, mais pareciam estar implorando para os anjos abrirem a porta do céu para ele ou simplesmente estava negociando sua vida para que pudesse voltar e terminar seu trabalho. Sherlock olhou para John, ele tremia e estava pálido.

- E-eu... - John não conseguia falar, toda a força que seu corpo havia adquirido para acertar a tora de madeira em Moriarty sumira, estava paralisado, nem seus pensamentos estavam com ele.

- Temos que tirá-lo daqui! Rápido! - Sherlock agarrou o ombro do amigo e tentou sacudi-lo para ver se sua mente e seu corpo voltavam ao normal.

- Eu não quis matar ele. - Agora lágrimas escoriam do rosto paralisado, seus olhos não piscavam. - Eu nunca matei ninguém. - Olha para Sherlock.

- John não é hora para isso, temos que sumir com o corpo ou estaremos muito encrencados. - A voz de Sherlock parecia reconfortante aos ouvidos de John.

- Sherlock. - Foi a vez de John ter força para falar e segurar nos ombos do companheiro. - Eu nunca quis matá-lo, eu... só queria impedir, eu não sou assassino. - John falava com um peso na garganta, o medo de Sherlock o menosprezá-lo ou ter qualquer reação contrária era assustador.

- Eu sei. - Colocou as duas mãos no rosto de John e o olhou da forma mais sincera do mudo. - Eu acredito em você. Mas temos que nos livrar do corpo. Eu não quero te prejudicar.

- O que vamos fazer? - John começava a se acalmar, apesar de estar tenso, a voz e o olhar do cacheado o mantinham mais calmo. - Você está bem? - Perguntou após respirar fundo.

- Não é hora de falar disso. - Sherlock voltou a sua expressão séria, afastou-se de John e começou a andar em círculos pelo local, com as duas mão juntas próximo a boca. - Vamos precisar de ajuda. - Olhou para o loiro.

- Mycroft? - John chutou.

- Ele é o único que pode sumir com tudo isso. - A entonação de Sherlock era preocupante, ele sabia que Mycroft entenderia o ocorrido, mas não estava pronto para contar e ouvir as palavras saírem de sua boca.

Como ambos sabiam que um corpo leva geralmente em média três dias para exalar maus odores e com a certeza de que Mycroft voltaria para Walmsgate logo pela manhã do dia seguinte, carregaram o corpo para trás de uma árvore, de modo que a coluna ficasse apoiada no tronco. Voltaram para o local do ocorrido, a grama estava manchada de sangue, por mais que fosse coisa de um palmo ou dois de sangue, era visível. Sherlock tinha a total certeza de que o lugar era desconhecido por todos, exceto Moriarty que o seguira, mas não era bom arriscar. Pegaram algumas folhas e formaram um pequeno montinho em cima do sangue.

Como o combinado, Mycroft chegou antes do amanhecer e encontrou John na entrada da casa. De início o Holmes mais velho estranhou a presença do loiro, que ao cumprimentá-lo deu uma prévia do que havia acontecido, o suficiente para Mycroft se preocupar ainda mais com o irmão.

Adentrou na casa, seus pais ainda estavam dormindo no andar de cima, foi para o quarto de Sherlock e o encontrou sentado em umas das cadeiras próximo a janela, que permanecia aberta. Sherlock olhava intacto para a paisagem, pensativo.

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