A noite foi curta para os dois meninos. Poderiam estar em quartos separados mas seus pensamentos estavam em conjunto.
John se remexia na cama, pensando no curto momento de alegria com Sherlock naquela noite , na dança desajeitada, mas que fora uma das melhores que já tivera dançado em sua vida, pensava na declaração de Sherlock e no quanto difícil aquilo estava sendo para ele. Ele conhecia Sherlock, ele era um menino calculista, observador e incrível em suas deduções e isso o tornava um ser frio para algumas pessoas.
Era questionador e ignorava cada sentimento seu, nunca experimentara sensações humanas, mais parecia um robô. E aquela noite, aquela conversa, o som gravado do violino, a dança e os olhares foram decisivos para John perceber o quanto Sherlock era sensível a coisas simples como o desejo, ele construíra uma armadura que naquela noite se quebrara sem medo de julgamento.
Isso tinha um efeito mais do que reverso para ele. O que algumas pessoas levariam semanas para fazer, Sherlock fazia sem pensar e via tudo isso como uma experiência, como aquilo iria afetá-lo e depois afastava-se, recolhia-se em sua armadura para sentir as reações que aquilo lhe trazia.
Mas naquela noite ele se mostrou aberto para sentir cada reação e John sabia que Sherlock precisava daquilo, do pedaço humano que faltava e John precisava da parte racional e maluca de Sherlock para sobreviver.
Já o cacheado permanecia sentado na beira da cama, seus olhos permaneciam fixos em um ponto, as vezes se fechavam para penetrar em seu palácio mental e entender o que se passava com ele.
Sherlock permanecia em estado de choque, sem compreender ao certo suas atitudes. Sempre agira por impulso, isso era normal, mas nunca envolvia sentimentos.
Após aquela conversa e a resposta de John indiretamente, indicando que iria para Walmsgate, tentou digerir as atitudes que havia tomado e as ações inesperadas ocorrentes naquele dia.
Ele confiava em John e agora, mais do que nunca, sabia que John confiava nele. Jogou o resto de sua coluna na cama, respirou fundo.
Pela primeira vez estava bem consigo mesmo, suas ações e seus sentimentos não o assustavam mais, poderia conviver com aquilo, desde que John, o causador de tudo aquilo, ficasse com ele.
O dia amanheceu rápido para os dois quartos e logo o cheiro do café da Sra. Hudson inundou o flat.
Como sincronia, a porta dos dois quartos se abriram na mesma hora. Os meninos trocaram leves olhadas, a tensão era inexistente e um sentimento de paz e aconchego no sorriso um do outro era presente.
- Você está bem? - John perguntou, aproximando-se de Sherlock.
- É estranho dizer que sim? - Sherlock ironizou e logo começou a rir, sendo acompanhado por John.
- Vindo de você... é um pouquinho. - John encarou o amigo. Estavam um de frente para o outro e a vontade de beijá-lo era imensa, mas conteve seus ânimos e apenas abraçou o amigo.
Um abraço longo e carinhoso, John enlaçava o pescoço de Sherlock e sentia seu cheiro junto com os cachinhos que faziam cócegas em seu rosto. Sherlock demorou um pouco para reagir ao abraço, mas logo levou cuidadosamente suas mãos a cintura do loiro, massageando levemente suas costas.
- Vamos com calma. Está bem? - John falou em seu ouvido. - Quero que entenda o que está sentindo e não vou culpá-lo por nada que fizer.
Ao ouvir aquilo, Sherlock sentiu uma confiança absurda dominá-lo, John não poderia ser real, ele o compreendia em todos os sentidos e a reação do cacheado foi apertá-lo ainda mais entre seus braços.
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Amor de Verão
Hayran KurguUm menino, atendido pelo nome de John Watson, perdido na imensidão de Londres, recém chegado de Lacock, novato em uma das principais escolas da região, sentido com a recente morte do pai, obrigado a aprender a conviver com a depressão de sua mãe e o...
