■ ʟɪᴠʀᴏ 1
Melissa Lee sofre com um dom de ver espíritos e sua vida se resume em trabalhar num lugar para loucos, buscando ter a sanidade mental e morando com um pai que a rejeita.
Harry Styles é um rapaz que começa a fazer parte da vida de Melissa...
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Eu nunca tive pressa para nada. Desde a minha infância, fui uma garota calma e que gostava de sonhar. O tempo era meu amigo e sempre andávamos juntos. Eu cresci com a ideia de que a vida não precisava ser vivida todos os dias, porque para mim a morte era uma amiga próxima. Eu não tinha medo de morrer, como a maioria de toda gente, e isto porque cedo demais eu comecei a ver espírito de pessoas mortas.
No começo, era bom poder olhar para os meus falecidos avós em dias tristes, de mãos dadas e com um sorriso no rosto. Eles brilhavam, escolhiam se mostrar para mim mas não falavam comigo, apenas porque estavam totalmente inseridos em um outro mundo, a qual eu rezava poder ver um dia. O paraíso…, eu acreditava na sua existência e sentia muito por todos aqueles que escolhiam o lado ruim de tudo.
A morte selava o destino daqueles que viviam como seres vivos e os levava para onde fossem destinados a ir. Eu era uma criança com a mente muito fértil, gostava de respirar, mas sentia uma leve curiosidade em saber o que aconteceria depois que a morte beijasse a minha testa e me levasse embora. Era algo que me fazia olhar para as estrelas e suspirar. E mamãe me induzia àquilo, porque éramos idênticas à nossa essência.
No entanto, depois de conhecer a maldade, depois de deixar a pureza de criança e ver que existiam pessoas que haviam sido feitas para o mal, passei a enxergar o que não era bom. Almas vagavam pelo mundo, perdidas e sem sentido, pedindo ajuda ou esperando a oportunidade de fazer parte de novo daquele meu mundo já sujo.
Elas sempre me deram medo, porque eu percebia que qualquer sentimento de raiva, de dor e de sofrimento as fortificava, e então elas me atormentavam, tiravam o meu sossego... Assim, eu me via esquecida naquele mundo, me perguntando o porquê de ter sido criada com aquela capacidade estranha de ver algo muito além. Por que eu?
Só que aquilo passou a ficar despercebido, mesmo com as brigas e voltas entre Bruce e mamãe. Ela sempre dizia que eu era mais forte, que eu estava viva e que tinha o poder de controlar o que eu quisesse. Contudo, depois da volta de Harry – de uma forma que não foi tão apreciada –, eu me vi fraca, porque o espírito dele estava ali preenchido de sentimentos ruins.
E o tempo já não era mais o meu amigo, parecia até que havia me esquecido. E então eu me perdia nas horas, sem saber se estava dormindo ou acordada, se estava sonhando ou na minha realidade. Eu me vi sem a esperança de que poderia ir para o paraíso que eu tanto sonhara um dia e inconscientemente a morte passou a me dar muito receio.
Logo, tendo sido calma e sonhadora durante pouca parte da minha vida, senti o peso da pressa com Harry ali perto de mim, quase sumindo. Eu vi que o tempo realmente havia me abandonado, que tudo dependia de mim. Harry dependia de mim...