Adaptação

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Dipper se espreguiçou na cama ao amanhecer, os raios de sol irritando seus olhos. Que sonho esquisito, aquele. Por um momento, realmente acreditou que tinha aberto a porta para um estranho no meio da noite, mas analisando ao acordar, parecia absurdo demais para ser verdade. Com certeza teria sonhos meio perturbados depois de assistir um programa sobre fantasmas. Ele se levantou ainda com sono, aliviado por não ter feito nenhuma besteira, até se deparar com um garoto desconhecido sentado no parapeito da janela, olhando para a paisagem afora.

Droga. Isso tinha mesmo acontecido.

Como explicaria para o pessoal que ele tinha simplesmente decidido abrigar um sem-teto em sua casa sem perguntar pra ninguém? Se é que teriam condições de manter uma pessoa assim. O quarto em que estavam era dividido entre ele e Mabel, e a cama que tinha emprestado para o menino era dela. Soos e sua avó tinham um quarto cada, e só. Sem contar gastos com alimentação, roupa e tantas coisas que faziam Dipper ter dor de cabeça.

Por fim, ele decidiu pôr seu boné, se levantar e cumprimentar o garoto. Sob a luz do sol que entrava pela janela, o cabelo dele atingia um tom loiro ainda mais claro.

— Ei, bom dia. — Queria chamá-lo pelo nome, mas ele literalmente não tinha. — Dormiu bem?

O loiro olhou para trás, parecendo até incomodado.

— Ah. Eu não dormi esta noite. Não estava com vontade.

Estranho. Parecia que o garoto não comia nem dormia direito faz tempo e mesmo assim não queria dormir.

— Então... Eu preciso te apresentar para o pessoal lá embaixo agora. — Dipper falou, sem graça. — Ah, esqueci de te dar algo para vestir. Vem, pega isso aqui.

O garoto catou um conjunto de short e blusa rapidamente e entregou para o outro. Seria melhor se ele estivesse um pouco mais apresentável ao dar as caras lá embaixo.

Dipper se espantou e virou bruscamente para o lado, vermelho, quando o loiro resolveu vestir as roupas novas ali mesmo. Como se não bastasse, ele não usava cueca por baixo da calça.

— Vamos? — disse o outro quando terminou de se vestir. Dipper ainda estava evitando contato visual.

— A-antes... Pega isto aqui e coloca por baixo. — Ele lhe deu uma cueca. Ao ver que o rapaz ia tirar o short de novo, adiantou. — E, por favor, faça isso no banheiro.

O garoto loiro deu de ombros. Entrou no banheiro, trocou-se sem fechar a porta e saiu.

— Ceeerto — disse Dipper, ainda espantado com a falta de noção do outro. Respirou fundo. — Agora vamos.

Os dois desceram a escada com cuidado. Dipper puxou o outro pela mão para irem juntos até a sala de jantar, onde Mabel e Soos sentavam à mesa enquanto a senhora Ramirez preparava o café da manhã. Mabel ainda estava usando a roupa com que dormiu aquela noite.

— Oi, pessoal — Dipper cumprimentou.

Ninguém prestou muita atenção.

— Bom dia, Dipper — respondeu a garota, entretida. Ela estava lendo uma carta, que provavelmente era de seu namorado. Ela poderia simplesmente ligar pra ele, mas seu irmão sabia o quanto ela gostava de coisas românticas clássicas. Então ela olhou para o outro menino. — Bom dia, segundo Dipper... Pera, quê??!

Com o escândalo de Mabel, todos voltaram sua atenção aos dois garotos. Soos, que estava sentado de costas, contorceu o corpo para olhar. Dipper se adiantou:

— Eu tenho alguém para apresentar a vocês. Ele apareceu aqui ontem à noite, enquanto vocês estavam dormindo.

Todos olharam para o garoto calado, de cabelo comprido estranhamente mesclado de loiro e castanho caindo nos olhos. As roupas de Dipper pareciam fora de lugar em seu corpo esguio. Ele fez uma pequena reverência com a cabeça, contorcendo ligeiramente um canto da boca.

Ele é WillOnde histórias criam vida. Descubra agora