Aquele final de tarde tinha sido o melhor de todos. As pernas de Bill estavam cansadas de tanto andar, mas ele estava se sentindo bem e relaxado. Já tinha tomado banho e estava deitado no sofá assistindo TV com a Mabel. Ao invés de assistir, porém, ele recordava todos os acontecimentos daquela tarde e sentia seu coração mais quente.
O primeiro beijo acabara se estendendo mais que o previsto. Quando os garotos voltaram para a barraca da pilha de latas que Dipper deveria estar tomando conta, a encontraram completamente vazia. Não sobrou um único prêmio, e nem mesmo o Stanbô conseguiu evitar este furto. Não é preciso dizer que Stanley não ficou nada feliz, mas até a bronca mais furiosa não ia conseguir abalar o bom humor daqueles dois.
Depois que ficou escuro, todos tinham recolhido seus materiais e estavam voltando para seus respectivos lares. Bill aproveitou a deixa e puxou Dipper de lado para continuar a pegação. Escondidos do lado mais oculto da cabana, eles não precisavam ser discretos.
Bill não saberia explicar o que estava acontecendo, muito menos por que aquilo era tão viciante. Ele apenas se sentia incrível e não queria deixar as preocupações futuras arruinarem o momento.
— Você é tão bonito, chega a ser ridículo — Dipper confessou, em uma pausa em meio aos beijos. "De quem foi a ideia de dar um corpo tão atraente a um demônio?"
Apoiado na parede de troncos de pinheiros, a visão de Dipper era limitada, mas ainda assim dava pra ver a luz refletida nos olhos de Bill e o contorno de seu rosto. Passou os dedos pela sua bochecha suave e mandíbula levemente áspera. De perto dava para notar algumas imperfeições na pele, pequenos cortes e alguns pelos de barba crescendo.
— Com o que você anda se barbeando? — Ele franziu as sobrancelhas.
— Ah, esses pelos? Quando eles começam a incomodar, eu pego uma tesoura e corto.
— Pff. Tá bom — Dipper riu —, depois eu te mostro como se barbear de verdade.
— Ei, o meu método tem funcionado super bem — Bill protestou.
— Não, claramente não tem.
Os dois fitaram um ao outro por um segundo.
De surpresa, o demônio beijou o pescoço de Dipper logo abaixo da orelha e trouxe seu corpo para mais perto de si. Diferente da primeira vez que o tivera em seus braços, desta vez parecia que o humano se desmanchava e se moldava aos seus toques. Não havia sensação melhor do que essa.
Os beijos de Bill foram descendo pelo pescoço, onde ele deu uma mordida, acompanhada de um gemido surpreso de Dipper. Era tudo tão novo e incrivelmente excitante. Parecia que Bill nunca podia ter o suficiente de Dipper.
Terminado o beijo, os dois estavam mais calmos, mas continuavam abraçados junto à parede.
— Seu doido, essa mordida vai deixar uma marca!
Apesar das palavras, o tom de sua voz denunciava que ele tinha gostado. Muito. Os dois riram. Bill ficou pensativo.
— Eu devia ter sido sincero com você desde o começo. A gente perdeu muito tempo.
— Não tem importância. Foram só alguns dias. — Dipper deu de ombros.
O garoto falava como se tivessem muitos outros dias por vir. Ele não tinha ideia de como, para Bill, aqueles dias teriam feito toda a diferença.
— Ainda assim... — insistiu o demônio. — Eu queria poder voltar e fazer diferente. Desculpe.
Sua cabeça estava baixa. Dipper não entendeu, mas logo teve a impressão de que o parceiro estava chorando e preocupou-se. Passou as mãos do lado de seu pescoço, tentando animá-lo.
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Ele é Will
Fanfiction"Você vai ter que escolher um nome por enquanto. Como gostaria de ser chamado? Todos olharam para o garoto, esperando uma resposta. - Nunca pensei nisso... É... Que tal Will?" Em algum lugar, perdido na infinita dimensão do campo da mente, Bill Ciph...