"Você vai ter que escolher um nome por enquanto. Como gostaria de ser chamado?
Todos olharam para o garoto, esperando uma resposta.
- Nunca pensei nisso... É... Que tal Will?"
Em algum lugar, perdido na infinita dimensão do campo da mente, Bill Ciph...
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— Certo, Bill — Dipper disse de braços cruzados, ao entrar no sótão. — Eu acho que você me deve algumas explicações.
Desta vez, o garoto loiro estava sentado de pernas cruzadas no móvel em que descansava, aos pés da janela semiaberta, olhando para a paisagem através do vitral vermelho. Não parecia estar a fim de fazer isso, mas, por outro lado, sabia que não tinha escolha. Dipper havia esperado até o próximo dia e o deixado descansar um pouco, mas deste dia não iria passar.
O garoto Pines ainda ponderava se tinha tomado a decisão certa. Com certeza seria mais seguro denunciar Bill e não ter mais que pensar sobre isso. Afinal, era Bill Cipher: Os cidadãos de Gravity Falls não hesitariam em sentenciar à pena de morte quem um dia transformou todos seus entes queridos em pedra. Além disso, ele não sabia se era justo restringir a decisão do que fazer com o demônio para si próprio, já que Bill devia tanto a tanta gente.
Por outro lado, ontem Bill Cipher havia feito uma coisa que Dipper nunca tinha achado que ele seria capaz: Ele havia chorado. Podia não parecer muita coisa, mas era impossível imaginar o Bill que ele conhecia chorando. Dipper duvidava que um dia ele sequer demonstrasse tristeza, fraqueza, arrependimento e principalmente compaixão, e, no entanto, lá estava ele. Apesar de ter podido espancar Dipper e lhe causar muito mais problemas, tinha escolhido parar. Depois disso, o garoto não teve coragem de denunciá-lo. Talvez, afinal de contas, o demônio pudesse mudar.
— Tudo bem. — Bill virou-se e acenou em direção à sua cama para que o outro sentasse. — O que você quer saber?
Dipper sentou-se, sem pressa.
— Tudo. Mas, primeiramente... — Ele apontou com o queixo para o corpo do outro. — Como você retornou e ganhou esta forma. Você não possuiu alguém, possuiu?
O demônio bufou com desprezo.
— Ora, pirralho, por favor, você é mais esperto que isso. Se eu tivesse possuído alguém, já teriam me encontrado com todos aqueles cartazes, né? Quanto a como eu ganhei essa forma, eu sei de muitas coisas, mas não sou adivinho. Posso lhe contar minhas teorias se quiser.
— Vá em frente.
Depois de olhar de um lado para o outro, inquieto, Bill continuou.
— Não tenho mais motivos pra esconder isso de você, então deixa eu te falar francamente... — Ele limpou a garganta. — Eu não perdi totalmente meus poderes.
Dipper arregalou os olhos enquanto o outro ainda falava.
— Eu ainda consigo fazer coisas simples, tipo influenciar os sonhos das pessoas, aparecer neles e coisas assim. Claro que não faço isso o tempo todo, porque seria suspeito pra caramba, mas vai ser mil vezes mais fácil de te explicar isso se eu te mostrar o que aconteceu em um sonho.
— Espera aí... — O garoto raciocinou e seu rosto se iluminou ao finalmente compreender. — Então é por isso que eu estava dormindo tão bem ultimamente!! Você influenciou meus sonhos pra eu não ter pesadelos!