Entre as altas árvores coníferas da floresta, Bill estava ajoelhado em frente à estátua que retratava sua forma original. Não era esculpida, mas feita de sua própria matéria petrificada. Com o tempo, a estrutura havia se desgastado e ficado cheia de musgos. Aquele olho no meio do rosto, sua adorada gravata e corpo triangular pareciam tão distantes. Fazia menos de duas semanas que ressurgira como humano e, no entanto, sentia-se como se houvessem passado meses. Ele se perguntava se, um dia, voltaria a viver daquela forma.
Ali, o meio da floresta, era o lugar mais isolado que ele poderia encontrar em toda Gravity Falls. Bem longe de toda a civilização e, portanto, seguro. Ao mesmo tempo, o lugar mais difícil de se construir um portal. O nível da enrascada não era pequeno.
Mais uma vez, Bill afastou os ramos de arbusto que ocultavam a inscrição entalhada na parte de trás da estátua e leu.
Há três anos, encarcerado em sono profundo
A prece concedida sob uma condição
Em outra forma, em outro tempo, outro mundo
A si mesmo enfrentar, assim sairá da prisão
A chance é única e finita a boa vontade
Se falhar, dirá adeus a toda realidade
Bill releu o quarto verso. Ele ainda não fazia a menor ideia do que cargas d'água o Axolotle queria dizer com "A si mesmo enfrentar".
Será que era literalmente? Deveria ele criar uma cópia de si mesmo e cair na porrada? Uma ideia mais praticável seria voltar no tempo, alguns minutos atrás, e dar uns sopapos em seu eu do passado.
Mas, não, Bill duvidava que fosse isso. Sabia que provavelmente se tratava de algo mais complicado. Talvez alguma coisa que ele sabia, mas não queria encarar.
Anos atrás, quando os gêmeos Stanley e Stanford conseguiram passar a perna nele, o seu último esforço para não ser esquecido fora invocar o nome de Axolotle.
"E-L-T-O-L-O-X-A", ele tinha terminado de soletrar, mudando de forma e lutando para continuar ali. "Stanley!" ele implorara. E então veio o soco, tudo virou completa escuridão, até ele ressurgir ao lado desta rocha de forma peculiar.
Bill releu o primeiro verso. Segundo suas estimativas, fazia quase três anos desde que a memória de Stanley tinha sido apagada. Faltavam poucos dias para o fim do verão, o final do prazo, e o que ele estava fazendo para voltar para sua dimensão? Escondendo-se na floresta, torcendo para não ser encontrado. Bom trabalho, Bill.
Sua única esperança seria voltar para o ferro-velho e continuar a construção do portal, mas, com toda Gravity Falls sabendo de sua fuga, era uma missão suicida. Depois que o prazo acabasse, nas palavras do poema, Bill diria adeus a toda realidade. Ele custava a acreditar que um ser que já viveu milhares de anos poderia ser dizimado com tanta facilidade. Parte dele mantinha-se cética. Morte era uma coisa que acontecia com os outros, não com ele.
Pelo lado bom, ao menos poderia escolher como passar os dias que lhe restavam: escondido na floresta ou numa cela de cadeia.
Seus olhos arderam, ameaçando chorar. Enraivecido, Bill se levantou e correu para longe até se chocar contra uma barreira invisível, olhou para cima e viu a superfície levemente translúcida. Era o domo que cobria toda Gravity Falls e o impedia de sair da cidade. Começou a socar a parede com toda a força, extravasando sua frustração. O impacto de seus punhos era absorvido pela superfície e refletido, e quanto mais forte Bill socava, mais forte era a força que o repelia. Depois de um soco particularmente violento, ele foi lançado para trás e caiu no chão.
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Ele é Will
Fiksi Penggemar"Você vai ter que escolher um nome por enquanto. Como gostaria de ser chamado? Todos olharam para o garoto, esperando uma resposta. - Nunca pensei nisso... É... Que tal Will?" Em algum lugar, perdido na infinita dimensão do campo da mente, Bill Ciph...
