Capítulo 2 - Christian

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CHRISTIAN

São Paulo

Meu telefone celular tocava insistentemente. Era madrugada e eu dormia confortavelmente no meu antigo quarto, na casa da minha avó paterna. Ainda sonolento, vi que o chamado era do General Viggo Hennessy. Era melhor eu atender.

— Santos, você tem uma nova missão.

— General Hennessy, eu estou de férias, em São Paulo.

— Eu sei. Já providenciei tudo. Tem um táxi esperando na sua porta e te levará ao aeroporto. De lá você irá em um jatinho até o Rio de Janeiro. Leve seu irmão com você. Os dados da missão estão no seu e-mail.

Antes que eu pudesse fazer qualquer pergunta ele já havia desligado. Eu trabalhava no Comando de Defesa, da Agência Internacional de Segurança, a I.S.A., há doze anos e sabia que as ordens do General eram incontestáveis. Viggo Hennessy é um militar irlandês, frio e autoritário que conduz com punhos de ferro nosso Departamento.

Resmunguei. Ótimo, minhas férias foram interrompidas, logo agora que eu estava finalmente de volta a meu país de origem, com meus avós paternos, depois de três longos anos sem sair de Washington para dar suporte a Lucas, meu irmão mais novo, que participou do treinamento para se tornar um agente. Pelo visto, pelo menos nosso pedido para que ele fosse designado para o Comando, para continuarmos próximos, fora aceito pelo General.

Chamei Lucas, que dormia na cama acima da minha, na beliche.

— Parabéns, Lucas, pelo visto você foi aceito pelo Comando. Agora arrume suas coisas e vamos para o Rio de Janeiro.

— Você está louco, Christian?

— Acabei de receber um telefonema do General Hennessy, temos uma missão. Estou olhando o caso, parece que hackearam o site do Comando em busca de informações de um ex-agente, o Joseph. Eles já enviaram um alerta ao hacker e bloquearam o IP. Temos que partir imediatamente e localizar o invasor.

— E que agente é esse que mobiliza o departamento e te obriga a interromper suas férias, em plena madrugada?

— Arrume suas coisas. Eu te conto tudo no caminho.

Chegamos ao Rio de Janeiro antes mesmo do dia amanhecer. O endereço rastreado direcionava a um hostel em Copacabana. Próximo à entrada, eu notei que uma moça muito bonita pregava alguns papéis na parede. Eu me aproximei e analisei o cartaz. Indicava o desaparecimento de uma criança, cujo rosto me era familiar, de alguma forma. Desci os olhos para o nome do menino: Joseph Villa-Lobos.

— Estou com a sensação de que teremos mais do que um hacker para entregar ao General – cochichei para Lucas, antes da mulher se dirigir a mim.

— Bom dia! Percebi que você está olhando o cartaz... Esse é meu filho. Será que você não se lembra de tê-lo visto em algum lugar? Por favor, senhor. Qualquer informação ajuda.

Tentei me concentrar para manter apenas o sotaque paulista, apesar de ter vivido a maior parte da minha vida nos Estados Unidos, país onde minha mãe nascera.

— Bom dia. Talvez eu tenha algo a respeito. Será que podemos conversar um instante, senhorita...

— Noêmia — ela esticou a mão.

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