Capítulo 13

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— E então? — pego meu café com leite da mão da garçonete e olho para o Gus sem entender — Como foi a sua volta?

— Menos conturbada do que eu imaginei — dou um gole no café e acabo queimando a língua — Nós não brigamos, ainda.

— Ainda? — ele ri — Você, sempre otimista.

Acabo rindo.

—  O que posso fazer? — ele ri e bebe seu próprio café.

Andamos pela cidade em silêncio enquanto eu bebo meu café e ele o dele.

A biblioteca não é muito longe de casa, mas parece uma eternidade com esse frio. Não neva, mas está mais frio do que ontem.

Estamos quase chegando, quando ouço o som de violão. Paro no lugar, escutando. Mesmo sem a letra, eu conheço a melodia e no mesmo instante sinto um arrepio.

Não acredito.

— Tudo bem? — meu amigo pergunta — Mia.

Peço para ele fazer silêncio com um gesto, e ele entende.

Então ele começa a cantar.

"Não desista.
Aguenta firme por mais um dia."

Ele está aqui.

Vou em direção a música e encontro um pequeno círculo em volta de alguém tocando. Me enfio entre as pessoas e tento chegar até ele.

Quando chego, a música já terminou e as pessoas aplaudem com entusiasmo.

— Obrigado! — ele agradece, com o mesmo sorriso que ele me dirigia no rosto — Obrigado!

Aos poucos, as pessoas vão se dissipando e eu vou ficando a vista, mas ele ainda não me viu.

Meu coração bate disparado e minhas mãos tremem tanto que tenho que apertar o copo com mais força. Não o vejo desde aquele dia, e não esperava vê-lo aqui, na minha cidade.

— Mia! — meu amigo grita, alto o suficiente para que o Adam ouça. Ele levanta a cabeça e me vê. — Mia!

Ouço meu amigo correr até mim, mas não desvio o olhar do Adam.

Ele parece sem saber o que fazer por um tempo, então força um sorriso tímido e articula um desculpe sem som.

Faço que sim e sorrio fraco.

— Mia, o que deu em você? — meu amigo segura meu ombro e eu me viro para ele  — O que  deu em você pra sair andando do nada? — aceno com a cabeça na direção do Adam e ele olha. — Ah, entendi.

Ele se põe na minha frente de forma protetora e encara o Adam, exatamente igual aquela noite no bar. A noite em que nos conhecemos.

Adam coloca as notas no bolso, o violão nas costas e vem até nós. A cada passo, meu coração dá um pulo no peito.

— Oi Gus — cumprimenta — Mia.

— Adam — respondo, em tom vazio. — O que está fazendo aqui?

Ele sorri de lado, me fazendo lembrar do meu irmão outra vez. Mas agora, tão perto de onde aconteceu, dói mais.

— Tenho feito algumas apresentações por aí — ele coça a nuca, sem jeito — Passei por umas três cidades antes de chegar aqui, desde...

— Desde aquele dia — completo. Ele assente, ainda sem jeito.

— Claro que eu não sabia que você estaria aqui, se não eu teria avisado. — faço que sim.

Deixe-me Ir / PARADOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora