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Ela sabia que a mudança acontecera porque doeu terrivelmente. Um lampejo de dor ofuscante


conforme suas feições rompiam e se libertaram das amarras que as escondiam. O demônio


avançou, e ela mergulhou dentro do poço de poder que subitamente transbordava dentro de si.


Magia, selvagem e implacável, irrompeu de Celaena, golpeando a criatura e mandando-a pelos


ares. Chama - anos antes, o poder dela sempre se manifestava em algum tipo de fogo.


Celaena conseguia sentir o cheiro de tudo, ver tudo. Os sentidos aguçados chamavam sua


atenção para todos os lados, avisando que aquele mundo era errado, e que ela precisava ir embora


agora.


Mas Celaena não iria, não até que Chaol e Ligeirinha estivessem em segurança.


A criatura parou de se debater, ficou de pé em um instante, e Celaena se colocou entre o


monstro e Chaol. O demônio a farejou, flexionando as pernas.


Celaena ergueu Damaris e entoou seu desafio.


De longe, na névoa, rugidos responderam. Um deles saiu da coisa que estava à sua frente.


Ela olhou para Chaol, ainda agachado sobre Ligeirinha, e exibiu os dentes, os caninos


reluzindo à luz cinzenta.


O capitão a encarava. Ela conseguia sentir o cheiro do terror e do assombro dele. O cheiro do


sangue do capitão, tão humano e ordinário. A magia transbordava mais e mais, incontrolável e


antiga e incandescente.


- Corra - rosnou Celaena, mais uma súplica do que um comando, porque a magia era uma


coisa viva, e queria sair, e ela possuía a mesma probabilidade de ferir Chaol quanto de ferir a criatura.


Porque aquele portal poderia se fechar a qualquer momento e selar os dois ali para sempre.


A assassina não esperou para ver o que Chaol faria. A criatura avançou em Celaena, um borrão


de pele branca enrugada. Ela correu na direção do monstro, projetando o poder imortal como um


soco fantasma. O poder disparou em um lampejo azul de fogo espontâneo, mas a criatura desviou,


assim como do golpe seguinte e do outro.


Celaena girou Damaris, e a criatura se abaixou antes de saltar alguns passos para trás. Os


rugidos distantes estavam se aproximando.


O ruído de rocha esmagada soou atrás de Celaena, e ela percebeu que Chaol estava seguindo


para o portal.


O demônio começou a caminhar de um lado para o outro. Então o ruído parou. Aquilo


significava que Chaol estava no portal de novo; ele devia ter carregado Ligeirinha consigo. Estava


em segurança. Segurança.


Aquela coisa era inteligente demais, rápida demais - e forte demais, apesar dos braços e


pernas esguios.


E se outras se aproximavam... se mais criaturas chegassem ao portal antes que se fechasse...


A magia de Celaena se acumulava de novo, vindo de uma fonte mais profunda agora. Celaena

coroa da meia noite Histórias para pegar e não largar. Descubra agora