Valentina
A lembrança do seu toque só não era mais divina do que ele próprio, sublime, marcando minha pele com seu desejo ardende.
Eu não queria que fosse só prazer, mas não poderia me negar simplesmente a receber seu toque que tanto me excitava.
Até o segundo que cessou abruptamente.
- Juliana o que... - Mas antes que eu pudesse continuar a frase ela foi me empurrando para mais a dentro da cozinha.
- É a minha mãe, você tem que se esconder - Disse abrindo uma porta que dava para uma área de serviço me pedindo que eu ficasse ali.
Queria dizer que aquilo era uma besteira. Se sua mãe estava ciente de que sua filha era uma adulta e, como todos os saudáveis, tinha vida sexual ativa, não tinha porque andar se escondendo.
- Está bem - Disse levantando os braços rendida, saindo dando passos para trás, mas não sem antes roubar um outro beijo quente.
Juliana ainda esteva meio atônita quando fechou a porta.
Eu, do contrário, me controlava para não rir do absurdo da situação que me encontrava.
- Juliana, minha filha, você chegou bem barulhenta hoje, não?... - Mais uma vez tentei segurar uma gargalhada e tentei pensar em coisas pouco engraçadas para isso.
Lucho, Lucho, nos últimos tempos era toda a razão do meu mal humor.
Mais contida, busquei na pequena área de serviço um lugar para me sentar e que ainda desse para escutar a conversa lá dentro, e não que eu fosse tão fofoqueira, mas Juliana falava tão pouco sobre si que não resisti a pequena migalha que me dera com aquele diálogo.
-... - E essa camisa? - Escutei a segunda voz, a que não era a sua, dizer para ela. Olhei para o meu torso apenas recoberto pelo sutiã e arregalei meus olhos, era a minha camisa que se referia.
- É minha - Disse a morena rapidamente, coisa que eu não poderia com tanta tensão.
- Engraçado... Não lembro dela! - Porque não era da Juls.
Imaginei se seria prudente entrar pela porta e explicar que Juliana não tinha do que se envergonhar, mas ponderei que se me pediu para sair era porque encontrava melhor que eu não aparecesse.
- Eu comprei. É nova - Insistiu a menina e daqui eu quase poderia imaginar o cenho da sua mãe afinal eu mesma, no auge da minha ingenuidade, não teria acreditado.
- Suja desse jeito? - Que conste, por culpa dela.
- Estava na promoção - Talvez se faltasse um botão, estivesse um pouco rasgada... Mas suja? Quem compra algo sujo?
Quando a mãe não respondeu imaginei que por alguma força da natureza não tinha percebido o tom trêmulo que emitia as mentiras.
- Certo... Promoção... E as vozes? - No plural, diga-se de passagem.
- Que vozes? - Indagou Juliana tentando segurar a farsa. A admirava por isso, aparentemente, o ofício de encarnar um personagem e acreditar nele, mesmo em momentos como agora em que ninguém fizesse, transcendia os palcos.
- As que me fizeram acordar - Touché.
- Era eu - E minha doce menina continua reagindo, ainda que perdida.
- Sozinha? - Persistiu sua mãe em busca da verdade.
- Sim, como não?... Sabe como é né? Pensando alto... - Um dos comportamentos mais claros da pessoa no momento da mentira era quando olhava para baixo ou dava respostas com perguntas e, apesar de não ver o primeiro sabia que Juliana realmente poderia estar fazendo isso.
