Capítulo 21 - A Escolha

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Abri meu olhos lentamente assimilando onde eu estava e como cheguei ali.
Era o meu quarto, mas o último lugar que me lembrava de estar não era ali...

Pulei da cama para analisar cada parte do meu quarto e o pânico me fazia tremer ao pensar quem teria me deixado lá e se havia alguém na casa.

Não consegui sair do quarto, o medo era maior do que todas as forças que juntava para me mover.

Fiquei minutos encarando a entrada do meu quarto com medo de algo, ou melhor, alguém aparecer ali.

Eu chorava tanto, mas tanto ao lembrar da mão da Val e o cheiro que tinha. Ela não podia estar morta, não podia!

Nick disse bem claramente "Sua maldição está de volta".

Não havia dúvidas, não havia outra coisa a se pensar ou tentar entender... Ele matou todos!

Matou a sra. James, Carlos e até mesmo... Até mesmo o Jeff e todas as crianças do orfanato!

OH, céus!

Meus choros viraram soluços e depois os soluços viraram gritos.

Ele matou todos naquela época e matará todos agora de novo!

Por que... Por que eu? Por que comigo?

Após o que me pareceu horas de reflexão, choro e sofrimento, me levantei e fui vasculhar a casa, depois do meu escândalo emocional, estava claro que não havia ninguém na casa, caso contrário, teriam chamado alguém do hospício para me internar.

Assim que passei pela porta do quarto e cheguei na sala, o sangue fugiu do meu rosto e senti a ponta dos dedos congelarem ao ouvir a voz do meu medo e desespero.

- Você sabe ser bem dramática quando quer, Lissara. - Sua voz esbanjava ódio, raiva, magoa... Morte.

Não consegui responder, paralizei completamente. O pânico sufocava minha garganta.

- Sabe, Lissara... - Ele olhou para algo em sua mão e depois para mim, seguindo seu olhar, percebi que ele segurava uma faca. - Eu imaginei, eu cheguei a pensar por algum tempo, poderíamos ter um final diferente.

Ele estava andando lentamente de um lado para o outro, como se estivesse palestrando.
Ao terminar a frase ele parou e me olhou novamente.

Mesmo que eu tentasse encontrar algo diferente em seus olhos, só haviam trevas, ódio... E sinceramente, até o vazio estaria melhor que esses sentimentos.

- Você está com medo? - Dessa vez ele me lançou um sorriso, mas não era um sorriso de felicidade, de achar algo engraçado. Não... Esse sorriso nem chegava aos seus olhos, ele era um sorriso demoníaco.

Dei um pulo ao ouvir ele gritar comigo.

- RESPONDE, PORRA!

Eu me limitei a balançar a cabeça, minha voz se recusava a sair.

Ele assentiu. Depois apontou a faca na minha direção e sorriu.

- Agora sim... Você tem todos os motivos do mundo para estar com medo de mim.

Seu sorriso parou abruptamente enquanto que suas últimas duas palavras saíram pausada.

Eu não sei se eu estava ou não preparada pra morrer naquele momento, mas eu não sentia que seria essa a minha hora.

Então lembrei da Val.

- O-onde está a Val?

- Oh! Achei que nunca perguntaria! - Disse voltando com seu sorriso diabólico.

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