Eu mal consigo dormir sem ter pesadelos.
Nicolas está me fazendo dormir a base de calmantes, pois sempre que fecho meus olhos estou novamente naquela caixa de ferro fria.
Aquelas horas foram desesperadoras pra mim, achei que morreria, mal sabia mais diferenciar realidade de alucinação. Me lembro de ter gritado muito tempo sem parar, até perder a voz e sentir o gosto de sangue em minha garganta. Mesmo sem forças eu ainda gritava, até o momento em que mesmo eu gritando, não saia som.
Meus pés doíam não somente porque eu estava em pé faziam horas, ou dias, ou meses... Sei lá... Perdi totalmente a noção do tempo, mas doíam também de estarem na água gelada que ardia os ossos. Quando a água chegou na minha costela machucada a dor foi tão grande que se eu tivesse voz, teria gritado.
Tentei segurar ao máximo minhas necessidades, mas não consegui e por varias vezes as fiz ali mesmo, tendo que aguentar o odor insuportável depois.
Era escuridão total la dentro, e nada se podia ouvir. Tudo isso intensificava a dor e o sentimento de angústia e medo.
Por varias vezes alucinava que estava fora dali, vivendo feliz com a val e os Martins. Foi tao recorrente, que as vezes eu achava que aquilo era um pesadelo e que eu acordaria com eles novamente. As alucinações eram um refúgio.
Com a água quase me cobrindo por completo, forcei o pé para ficar na ponta dos dedos e ganhar mais tempo. Era como se houvessem facas em meus dedos e eu não conseguia manter essa posição muito tempo.
Acabava afundando e bebendo ou respirando aquela água podre.
Naquela altura eu já tinha entendido que não importava o que eu fizesse, eu era dele e ele faria comigo o que quisesse. Eu não tinha escolha se não me render a ele.
Pelo menos assim, conseguiria manter a salvo as pessoas que eu me importava.
Num ultimo fôlego e tentativa, soltei as palavras que ele tanto queria ouvir tão baixo que nem sabia se seria ouvida.
E então eu estava de volta a casa dos Martins. Mas curiosamente, não eram eles que estavam lá. Era Nicolas.
Ele me chamou e me perguntou algo. Algo que eu sabia que deveria responder sem exitar.
E assim o fiz.
Nicolas me tratou com muito carinho depois do ocorrido.
Eu não luto mais contra ele, apenas faço o que manda e o deixo fazer o que quiser comigo.
Ele transa comigo de 3 a 6 vezes no dia. Tem dias que perco a conta.
Pareço uma marionette, sem vida, sem vontade. Totalmente controlada por um maníaco diabólico.
Não consigo chorar, parece que estou presa em um estupor.
- Lissara.
Ouço a voz de Nicolas e automaticamente viro minha cabeça em sua direção.
- Lissara... Você tem se comportado muito bem, mas esta faltando em você um pouco de... Emoção, sentimento talvez?
Apenas o encaro, desde que sai daquela caixa e vi que não tinha saída, eu me sinto morta.
- Desculpe, mas não consigo.
Ele ergueu as Sobrancelhas.
- Como assim não consegue?
Suspiro antes de responder.
- O que você esperava? Está me mantendo aqui contra minha vontade, quer que eu faça tudo o que você quer sem ao menos considerar como me sinto. Não estou feliz e também cansei de sentir pena de mim mesma e viver chorando e triste. Se não estou feliz nem triste, não estou nada.
Nicolas me encarava sério.
- Não era bem isso que eu queria.
- E o que você queria? Viver um "felizes para sempre" como casal perfeito que se ama?
Me arrependi pelo meu tom assim que vi seu olhar de raiva.
- Desculpa... Deixa pra lá.
Ia me levantar da mesa onde estavamos comendo, mas sua mão me deteve.
- As coisas não vão ficar assim!
Ele me soltou e saiu passando por mim.
Fiquei tensa com sua ameaça.
Estou tão cansada de tudo que venho vivendo... Eu acreditei que se eu reencontrasse o Green minha vida estaria completa. E ela está...
... Completamente arruinada.
O que poderia levar alguém a ser tão maldito assim? Pior! Como eu pude ser tão ingênua e achar que amava esse demônio?
Talvez... Eu devesse morrer... Seria a única forma de me livrar dele.
Mas sei que nos encontraríamos no inferno depois, então talvez nem assim.
Suspiro derrotada.
---*
Já passa de meia noite e nada do Nicolas.
Decido beber um copo de água porque minha garganta arde de sede.
Desço até a cozinha e abro a geladeira pegando a primeira garrafa que vejo pela frente.
Sempre gostei de beber direto da garrafa, dizem que é falta de educação, mas o que é uma má educação perto da convivência com o próprio demônio?
Ouço alguém batendo na porta.
Que merda é essa?
Nicolas não bateria na porta e eu estou no meio de uma floresta, onde vive um assassino a solta, não é como se tivesse alguém caminhando alegremente num passeio por aqui. O que me leva a ter certeza de que eu não iria querer saber o que ou quem estava la fora.
- Lissara! Lissara, abre a porta!
Sinto que conheço essa voz de algum lugar.
Caminho até a porta em passos rápidos e quando a abro dou de cara com quem menos esperava...
- Faz muito tempo né, Lissara?
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Amor Sombrio
Romance⏩⏩ 1° Volume da saga Amor. ⏪⏪ Romance dark, doentio, tóxico e tudo aquilo de ruim que vocês já sabem que tem nos meus livros, aconselho a não ler se não curte esse tipo de história 😬 - O que quer de mim, Nicolas? - Quero que seja minha! Se entregu...
