Capítulo 35 - Insanidade

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Eu só podia estar ficando louca.

Ouvia repetidas vezes as palavras de Nicolas em minha cabeça e mesmo tampando os ouvidos, parecia que as vozes vinham de dentro da minha cabeça. De nada adiantava.

Eu não os matei!

Eu não posso tê-los matado!

Eu... Eu os matei? Por que eu faria isso?

Não! Eu não sou assim!

Sou?

Se eu tivesse aceitado meu destino, se eu não tivesse dito "não" à ele... Eles ainda estariam vivos! Eu só pensei em mim, fui egoísta e por isso eu os matei sim.

Me sinto tão tola... Como eu achei que poderia contra o Nicolas?

Ele é um assassino frio e calculista, não mede esforços pra conseguir o que quer. Como eu fui tão ingênua de achar que conseguiria sozinha?

Fora isso, ainda tem a história dele. Fico imaginando e tendo pesadelos sobre o que a mãe dele passava, sendo estuprada pelo sogro, tendo um filho dele e ainda sendo torturada pelo marido. Meus pensamentos não cessam por aí e ainda imagino Nicolas com 3 anos de idade vendo tudo aquilo e sofrendo também. Quem machuca uma criança de 3 anos? Me lembro da foto de Nicolas quando era criança e sinto meu coração se contrair de dor.

Ele era apenas uma criança...

Mesmo a Tia Rhoddy me explicando, tenho muitas dúvidas. Porque Nicolas não a matou? Ficou claro que ele amava a mãe dele, visto que a morte dela foi o gatilho para ele matar o pai que é o avô e o marido da mãe.

Deus! Como soa confuso pensar que o avô é pai dele e o marido de sua mãe não é.

A tia Rhoddy disse que ele não faz nada sem um motivo... Mas qual o motivo de ele ter matado a Val?

Meu coração dói tanto, estou tão cansada de sofrer, de ser melhor amiga da tristeza.

Eu não quero ficar aqui nesse lugar, é frio, escuro e Sombrio.

Já perdi as contas de quantos dias estou aqui.

Talvez fosse melhor estar com ele... Do que ficar nesse lugar que só tem escuridão, que está acabando com minha sanidade mental.

Se eu tivesse aceitado ele desde o início, ninguém teria se machucado, eu acho...

Minha cabeça já não funciona direito. Preciso sair daqui!

" você matou seus amigos! Como pôde? Por que fez isso?"

Não... Eu não fiz.

" Sim, você fez! Assassina! Assassina!"

"você merece sofrer, sofra, sofra."

Não... Preciso sair daqui!

- Nick! - Chamo baixinho.

Nada acontece. Mas as vozes param.

- Nick! - Chamo novamente mais alto e a porta se abre revelando sua figura máscula fria e pálida. Seus olhos azuis mais parecem pedras de ice bergs.

- O que quer? Não posso falar com assassinas.

Me encolhi.

- Me tira daqui, por favor.

- Porque eu faria isso? Você merece estar aqui. Você me deixou, Lissara e por causa disso, pessoas inocentes tiveram que morrer! Por sua causa!

Por minha causa... Minha culpa.

- Eu sei... Me perdoa. - Digo aos prantos.

- Pelo que, Lissara? - Ele ergue as Sobrancelhas e se aproxima de mim que estou sentada no chão encolhida.

- Por ter fugido de você, não vou fazer mais isso! Por favor, me tira daqui.

- Assassinos não merecem perdão, querida. Todo mundo me deixa, eu achei que você seria diferente, que jamais me deixaria. Achei que me amava. - Sua cara agora é de desdém, seu olhar é frio como o gelo.

- Eu nunca mais vou te deixar, vou ser sua pra sempre, prometo.

- Eu não sei , Lissara...  Não acho que aprendeu sua Lição.

- Por favor, Nick. POR FAVOR, ME TIRA DAQUI. - Choro com muita força.

- Então... Vai ter que provar que está arrependida. Por que não estou vendo nada além de chororô.

Eu não sabia o que fazer... Como provaria?

Então Nicolas se virou para me deixar ali sozinha.

Não! De novo não! Não vou suportar as vozes me acusando, essa escuridão, essa solidão, vou ficar louca!!

Corro até ele e agarro suas pernas de joelho.

- Por favor, por favor eu te imploro, me tira daqui! Eu faço qualquer coisa, por favor.

Nicolas para por alguns segundos, ficando imóvel e depois me pega do chão e me joga contra a parede me prendendo entre seu corpo quente e a parede fria.

- Você me deixa muito louco, Lissara... Tudo bem... Eu vou te tirar daqui e ai seremos só eu e você, ta bem? Pra sempre!

Balanço a cabeça desesperadamente. Só queria sair dali.

Nicolas então sela seus lábios no meu em um beijo possessivo e invasivo. Sinto a saudade dele, sinto seu amor louco e doentio.

Ele se afasta por falta de ar e passa seu dedo indicador pelo meu rosto, descendo até meus lábios.

- Você fica ainda mais linda quando chora, sua boca parece um coração e você não sabe como quero fode-la.

Me encolhi diante de suas palavras.

Nicolas se afasta e eu seguro sua camisa em desespero.

Ele vai me deixar aqui.

- Calma, princesa. Estou indo te tirar daqui.

Ele pisca e sai me deixando ali sozinha de novo.

"Assassina! Você é Assassina, matou todos os seus amigos."

Não... Não!

Amor SombrioHistórias para pegar e não largar. Descubra agora